Suspeito morto de ataque em Boston não estava em lista de vigilância terrorista

Por iG São Paulo |

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Informação de que Tamerlan Tsarnaev também não estava em lista de proibidos de voar levanta questões sobre triagem do FBI, que o questionou em 2011 após alerta da Rússia

Tamerlan Tsarnaev, suspeito pelo ataque em Boston que foi morto durante uma perseguição policial, não estava em nenhuma lista de suspeitos de terrorismo ou de pessoas proibidas de voar quando viajou à Rússia no ano passado, disse uma fonte policial à rede de TV CNN nesta terça-feira sob condição de anonimato.

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Segundo a fonte, o FBI (polícia federal dos EUA) não teve nenhuma suspeita de vínculos terroristas quando entrevistou Tsarnaev, seus parentes e amigos em 2011, depois que a Rússia pediu às autoridades americanas informações sobre o imigrante da região do Cáucaso.

Como os EUA "nunca o consideraram uma ameaça", Tamerlan Tsarnaev "não estava em uma lista de vigilância terrorista ou de pessoas proibidas de voar", disse a autoridade.

As informações levantaram questões sobre a triagem do FBI feita em relação a Tamerlan, 26, o mais velho de dois irmãos acusados de detonar duas bombas dentro de panelas de pressão que deixaram três mortos e mais de 260 feridos perto da linha de chegada da Maratona de Boston no dia 15. Inicialmente apotando em 176, o número de feridos subiu para 264 nesta terça após a última contagem incluir pacientes que só procuraram tratamento posteriormente aos ataques, e não imediatamente.

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Tamerlan e seu irmão, Dzhokhar, também teriam matado um policial universitário na quinta, três dias depois do ataque, crime que desatou uma caçada sem precedentes pelos suspeitos em Boston e em alguns subúrbios da cidade. Preso na noite de sexta após ser encontrado ferido em um barco no quintal de uma casa, Dzhokhar foi indiciado na segunda-feira e será julgado em uma corte civil por ser americano naturalizado.

Com ferimentos na cabeça, pernas, mão e garganta, que o impede de falar, Dzhokhar comunicou-se com os investigadores do caso de forma limitada por escrito e por gestos em sua cama de hospital. Segundo seus interrogadores, Dzhokhar indicou que nem ele nem Tamerlan tinham qualquer contato com grupos terroristas externos. Segundo o suspeito sobrevivente, seu irmão se radicalizou por meio da internet, com as guerras dos EUA no Afeganistão e no Iraque sendo motivações para o ataque.

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Duas autoridades americanas disseram que as evidências preliminares retiradas do interrogatório do irmão mais jovem, cujo estado de saúde passou de "grave" para regular nesta terça, sugerem que os dois estavam motivados por extremismo religioso.

FBI sob questão

As informações sobre Tamerlan fizeram alguns membros do Congresso questionar como alguém que o FBI interrogou há dois anos pelo fato de a Rússia estar preocupada com seu direcionamento para o extremismo islâmico poderia ter escapado de uma vigilância mais estreita das autoridades desde então.

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Zubeidat Tsarnaeva, mãe de Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, suspeitos pelo ataque em Boston, caminha perto de sua casa em Makhachkala, Daguestão, sul da Rússia

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Na tarde desta terça, autoridades do FBI começaram a ser questionadas sobre o assunto por legisladores dos partidos Democrata e Republicano. A expectativa é que as perguntas se concentrem na viagem de seis meses que Tamerlan fez à Rússia em 2012 que, segundo seus parentes, incluiu visitas à Chechênia e ao Daguestão, regiões conhecidas pela insurgência radical islâmica.

Nesta terça, Amato DeLuca, um dos advogados de Katherine Russell, mulher de Tamerlan, disse que ela está fazendo o possível para ajudar as autoridades federais que investigam o ataque. "As informações do envolvimento de seu marido e cunhado foram um choque absoluto para todos eles", disse, referindo-se à família dos suspeitos.

Do lado de fora da casa dos pais dos irmãos Tsarnaev em Makhachkala, Rússia, amigos da família disseram a repórteres que a mãe dos dois, Zubeidat Tsarnaeva, ficou perturbada depois de ver a foto de seu filho morto na televisão. Zubeidat, que deu várias entrevistas nos últimos dias, passou por vários fotógrafos e repórteres usando na cabeça um véu amarelo e limitou-se a dizer nesta terça-feira: "Meu filho é apenas meu filho."

*Com AP, Reuters e New York Times

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