ONU detecta possível radiação de terceiro teste nuclear da Coreia do Norte

Por iG São Paulo |

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Esse pode ser considerado o primeiro indício concreto de que a detonação, que Pyongyang diz ter sido realizada em fevereiro, de fato aconteceu

Reuters
Soldado norte-coreano observa com binóculos a zona desmilitarizada que divide as duas Coreias, em Paju

Uma agência de monitoramento da ONU afirmou nesta terça-feira (29) ter detectado gases radioativos possivelmente originados de um teste de arma nuclear em 12 de fevereiro pela Coreia do Norte. Esse pode ser considerado o primeiro indício concreto de que a detonação de fato aconteceu.

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A detecção do gás radioativo aconteceu em 9 de abril, quase dois meses depois do teste subterrâneo que Pyongyang diz ter feito. Por causa da demora na coleta dos chamados gases nobres gerados pela detonação, é impossível saber se a arma testada era à base de plutônio ou urânio, disse Annika Thunborg, porta voz da Organização para o Tratado Abrangente de Proibição de Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês).

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Acredita-se que a reclusa Coreia do Norte tenha usado bombas de plutônio em seus dois testes anteriores, ocorridos em 2006 e 2009. A eventual mudança para o urânio ampliaria o nível de preocupação da comunidade internacional, já que permitiria uma grande expansão do arsenal norte-coreano.

A CTBTO afirmou que estações no Japão e na Rússia colheram "significantes" sinais de gáses nobres que acompanharam a explosão nuclear e disseram que eles "poderiam ser atribuídos" ao teste da Coreia do Norte.

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Um comunicado do CTBTO divulgado nesta terça informou que a estação japonesa está localizada a cerca de mil quilômetros do local do teste. Segundo o relatório, os dois tipos de isótopos radioativos senon detectados "fornecem informação confiável sobre a natureza nuclear da fonte". Níveis mais baixos foram detectados em outra estação, em Ussuriysk, na Rússia.

Depois do teste de fevereiro, a ONU endureceu suas sanções à Coreia do Norte, que, em reação,  ameaçou submeter os EUA, a Coreia do Sul e o Japão a ataques nucleares. Autoridades norte-americanas, no entanto, duvidam que a Coreia do Norte seja capaz de lançar um míssil nuclear.

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O terceiro teste norte-coreano foi detectado quase em tempo real por sensores sísmicos do mundo todo, mas nas semanas imediatamente posteriores não foram detectados traços radioativos que representassem uma prova conclusiva.

Em meados de março, a CTBTO, que tem uma rede mundial de estações de monitoramento, disse que seria improvável que tal radiação pudesse ser detectada. Mas, na terça-feira, a entidade disse ter feito uma detecção significativa de dois gases nobres radiativos (xenônio-131m e xenônio-133), há duas semanas, em Takasaki, no Japão, a cerca de mil quilômetros do local do teste. O xenônio é um gás formado em grandes quantidades durante fissões nucleares.

Com AP e Reuters

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