EUA libertam suspeito de envio de carta com ricina a Obama, senador e juiz

Por iG São Paulo |

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Motivo para a soltura não foi informado. Na segunda, agente do FBI testemunhou que não foi encontrada nenhuma evidência de manipulação de veneno na casa de acusado

Homem acusado de enviar cartas com substâncias tóxicas para o presidente dos EUA, para um senador republicano e para um juiz do Estado do Mississippi foi solto nesta terça-feira, informou uma autoridade federal, embora o motivo para a soltura ainda não esteja claro.

KC: EUA acusam autor de cartas de ameaçar Obama e autoridades com possível ricina

AP
Foto sem data obtida do Facebook mostra Paul Kevin Curtis, suspeito pelo envio de cartas com possível ricina a Obama e outra autoridades

Dia 17: Suspeito de mandar carta com veneno para Obama é preso

A libertação aconteceu um dia depois de o agente do FBI (polícia federal americana) Brandon Grant ter testemunhado que buscas na causa e no veículo de Paul Kevin Curtis não apontaram nenhum sinal do veneno fatal ricina ou evidências de que ele a produzia. Nenhuma outra prova física o vinculando às correspondências foram apresentadas durante dois dias de audiências em corte federal e um terceiro dia de audiência foi cancelado na manhã desta terça sem explicações.

Curtis foi preso na quarta-feira em sua casa em Corinth, Mississippi, e acusado pelo suposto envio de cartas ao presidente Barack Obama, ao senador Roger Wicker e ao juiz Lee Conty que testes preliminares indicaram conter ricina. Curtis negou as acusações, disse seu advogado, Christi McCoy.

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"As buscas foram concluídas, e nenhum fio de evidência foi encontrado para indicar que Kevin fez isso", disse McCoy após a audiência de segunda-feira. O advogado também questionou por que Curtis assinaria as cartas "Sou KC e aprovo essa mensagem", frase usada em sua página no  Facebook.

De acordo com McCoy, alguém pode ter tentado incriminar Curtis, sugerindo que um ex-sócio de um negócio do irmão dele, com quem o acusado trocou emails enraivecidos, pode ter armado para ele.

Apesar de ter negado que as buscas na casa de Curtis tenham produzido provas, o agente Grant testemunhou que as autoridades acreditavam que tinham o suspeito certo. Segundo ele, as análises mostraram que o veneno nas cartas estava em uma forma bruta que poderia ter sido produzida pela moagem de sementes de mamona em um processador de alimentos ou moedor de café. Na audiência, ele sugeriu que Curtis pode ter jogado o processador ou o moedor fora.

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A ricina é uma substância altamente tóxica derivada da mamona. Pouco menos de 500 microgramas - quantidade com o tamanho da cabeça de um prego - pode matar um adulto. Não há nenhum teste específico pela exposição e nenhum antídoto para uma eventual contaminação.

O veneno pode ser produzido de forma fácil e barata, e autoridades em vários países investigaram vínculos entre suspeitos de extremismo e a ricina. De acordo com especialistas, a substância é mais efetiva em indivíduos do que uma arma de destruição em massa.

A ricina foi usada no assassinato do dissidente búlgaro Georgi Markov, em 1978. O autor, que havia desertado do regime comunista do país nove anos antes, foi contaminado pela ponta de um guarda-chuva enquanto esperava por um ônibus em Londres e morreu quatro dias depois da exposição à substância.

*Com AP

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