Confrontos entre tropas e manifestantes sunitas deixam 36 mortos no Iraque

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Choques desta terça-feira foram os mais sangrentos desde que sunitas começaram a realizar manifestações em dezembro para exigir fim de marginalização pelo governo xiita

Forças de segurança do Iraque invadiram nesta terça-feira (23) um acampamento montado por muçulmanos sunitas para protestar contra o governo, provocando confrontos entre tropas e manifestantes, que deixaram 36 mortos. 

Os confrontos foram os mais sangrentos desde que milhares de muçulmanos sunitas começaram a realizar manifestações, em dezembro do ano passado, para exigir o fim de sua marginalização pelo primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, que lidera um governo xiita.

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O Ministério da Defesa do Iraque disse que as tropas responderam apenas após serem alvo de disparos no acampamento improvisado em uma praça pública em Hawija, perto de Kirkuk, 170 km ao norte da capital Bagdá.

Lideranças à frente do protesto disseram que estavam desarmados quando as forças de segurança invadiram o local e começaram a atirar durante a operação no acampamento.

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O Ministério da Defesa do Iraque disse que 23 pessoas foram mortas, incluindo três soldados. Em uma aparente resposta à invasão desta manhã, militantes tentaram invadir dois postos do Exército na cidade de Rashad, e seis deles foram mortos, segundo o Ministério. Outros sete militantes foram mortos enquanto tentava atacar militares em outra cidade, Riyadh.

"Quando as forças especiais invadiram a praça, não estávamos preparados e não havia armas...", disse Ahmed Hawija, um estudante que participava das manifestações.

Desde que as últimas tropas norte-americanas deixaram o país, em dezembro de 2011, o governo do Iraque está mergulhado em uma crise tentando equilibrar as forças entre xiitas, sunitas e partidos étnicos curdos. Os críticos de Maliki o acusam de acumular poder às suas custas.

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As tensões sectárias se itensificaram nos últimos meses, pressionadas por protestos sunitas que começaram em dezembro, em um movimento que, segundo as autoridades, está relacionado a um estreitamento das relações entre a Al-Qaeda e outros militantes sunitas. 

Maliki anunciou a formação de um comitê ministerial especial para investigar o que aconteceu em Hawija, para mostrar a preocupação do governo com o incidente;

O acampamento sunita foi invadido quatro dias depois que um posto de checagem administrado pela polícia e pelo Exército foi atacado, e militantes capturaram um número de armas antes de se esconder em meio a uma multidão de manifestantes. 

Com Reuters e AP

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