Suspeito por ataque em Boston é indiciado em corte civil

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Apesar de EUA considerar explosões como terrorismo, Dzhokhar Tsarnaev não é declarado combatente inimigo por ser americano naturalizado; ele pode ser sentenciado à morte

AP
Tsarnaev, 19, não será julgado em comissão militar por não ter sido declarado combatente inimigo

Dzhokhar Tsarnaev, suspeito que foi preso na sexta-feira pelo ataque em Boston, foi indiciado nesta segunda sob as acusações de usar uma arma de destruição em massa resultando em morte e por destruir propriedade com explosivos resultando em morte, anunciou o Departamento de Justiça dos EUA. Se condenado, ele pode ser sentenciado à pena de morte.

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Com 19 anos, Dzhokhar responderá ao processo em uma corte federal, e não em uma militar, porque não foi declarado combatente inimigo (termo usado para designar terroristas após o 11 de Setembro), declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. Espera-se que ele também seja indiciado em um caso separado pela morte de um policial universitário no MIT (Massachusetts Institute of Technology), crime que desatou a caçada por ele e seu irmão, Tamerlan, que foi morto durante uma perseguição policial.

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Segundo Carney, o fato de o suspeito ser um cidadão americano naturalizado não permite que ele seja julgado em uma comissão militar. De acordo com o porta-voz, toda a equipe de segurança nacional do presidente dos EUA, Barack Obama, apoia essa decisão. De etnia chechena, os dois irmãos nasceram no sul da Rússia, e ainda não se sabe a motivação dos dois para o ataque.

Dzhokhar continua internado em estado de saúde grave, mas estável, no hospital Beth Israel, onde ele foi acusado formalmente no caso perante um juiz. Ele tem ferimentos na cabeça, garganta, pernas e mão. Por causa do ferimento na garganta, o suspeito não consegue falar. 

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Autoridades dizem que Dzhokhar e seu irmão mais velho são responsáveis pela explosão dupla que deixou três mortos e quase 180 feridos há uma semana na Maratona de Boston.

Assista ao vídeo sobre o indiciamento:

Em um comunicado, o FBI disse que Dzhokhar Tsarnaev foi visto usando um celular depois de colocar uma mochila no local da explosão. O documento não diz se há suspeita de que ele tenha usado o celular como um detonador. O comunicado também afirma que um dos autores do ataque disse ao motorista do carro que eles sequestraram em sua noite de fuga: "Você soube da explosão de Boston? Eu fiz aquilo." 

Homenagem às vítimas

Para marcar o ataque, Boston marcou nesta segunda um minuto de silêncio às 14h50 locais (15h50 em Brasília), horário em que a primeira das duas bombas explodiu perto da linha de chegada da competição de atletismo. Sinos tocam por toda a cidade e todo o Estado depois do minuto de silêncio pelas vítimas.

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Em meio ao sentimento de luto, médicos deram a boa notícia de que todos os quase 180 feridos devem provavelmente sobreviver. Nesta segunda, 51 ainda continuavam internados, três deles em estado crítico e cinco em situação séria. Ao menos 14 perderam um membro inteiro ou parte dele; destes, três perderam dois. Duas crianças com ferimentos nas pernas continuam hospitalizadas no Hospital Infantil de Boston.

AP
Minuto de silêncio é feito em homenagem às vítimas do ataque à Maratona de Boston

Na sexta-feira, autoridades fizeram o pedido sem precedentes para que os residentes ficassem em casa durante a caça por Dzhokhar, que foi encontrado na noite daquele dia escondido em um barco no quintal de uma casa no subúrbio de Watertown.

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Um enterro privado foi feito por Krystle Campbell, uma gerente de restaurante de 29 anos morta nas explosões. As outras vítimas fatais do ataque são a estudante chinesa de 23 anos Lu Lingzi e o menino de 8 anos Martin Richard.

No domingo, o comissário da polícia da cidade disse que os suspeitos tinham um arsenal tão grande de armas que provavelmente planejavam outros ataques. Depois que os dois irmãos travaram uma troca de tiros com a polícia na madrugada de sexta, autoridades encontraram bombas caseiras não detonadas no local, juntamente com mais de 250 cartuchos de munição.

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Em uma entrevista com a Associated Press, os pais dos suspeitos insistiram no domingo que Tamerlan viajou ao Daguestão e à Chechênia no ano passado para visitar parentes e não tinha nenhuma relação com os militantes que operam na nessa parte volátil da Rússia.

*Com AP

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