Prisão preventiva foi decretada depois que ex-presidente protagonizou uma dramática fuga de um tribunal

A polícia do Paquistão prendeu nesta sexta-feira (19) o ex-presidente Pervez Musharraf para enfrentar acusações de que teria abusado de seu poder no período que ocupou o cargo. A prisão de Musharraf representa uma ruptura dramática com uma cultura em que os governantes militares costumavam ser intocáveis.

Paquistão: Ex-presidente Musharraf foge de tribunal para evitar prisão

Ex-presidente do Paquistão Pervez Musharraf acena aos seus partidários na chegada ao aeroporto internacional de Karachi
Reuters
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O também ex-chefe do Exército tinha a esperança de recuperar sua influência ao concorrer em uma eleição geral em maio, mas, em vez disso, viu-se envolvido em confronto com juízes que o enfrentaram enquanto ele ainda estava no poder.

Na quinta-feira, Musharraf foi protagonista de uma dramática cena ao fugir do tribunal de Islamabad para evitar a prisão depois que a extensão de seu acordo de fiança foi negada. O líder de 69 anos entrou correndo em um carro preto e escapou com um de seus guarda-costas pendurado do lado de fora do veículo. Os advogados gritavam: "Olha quem está correndo, Musharraf está correndo!"

No início desta sexta, um magistrado ordenou que Musharraf fosse colocado em prisão domiciliar por dois dias antes de seu comparecimento a um tribunal sob acusação de detenção ilegal de juízes durante uma repressão ao Judiciário, em 2007.

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Mais tarde, a polícia transferiu Musharraf para uma casa de hóspedes, depois que um alto funcionário não emitiu a documentação necessária para que ele ficasse em sua própria casa, segundo o porta-voz do ex-presidente, Mohammad Amjad.

"Ele foi transferido para uma casa de hóspedes da polícia para dois dias de prisão preventiva", disse Amjad.

Musharraf é acusado de violar a Constituição, colocando juízes sob prisão domiciliar depois de demitir o chefe da Justiça e impor um estado de emergência.

O escritório de Musharraf disse que as acusações contra ele são infundadas e foram inventadas por setores que descreveu como um "judiciário com excesso de zelo" e "advogados inescrupulosos". "As acusações feitas contra o ex-presidente no caso de detenção de juízes são falsas e politicamente motivadas", declarou o gabinete em um comunicado.

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Um dos advogados de Musharraf disse que apresentaria uma petição para anular a ordem de prisão no Supremo Tribunal ainda nesta sexta.

Juízes haviam sinalizado sua intenção de adotar uma linha dura com Musharraf quando ordenaram que seu caso fosse resolvido em um tribunal antiterrorismo, alegando que a detenção de juízes poderia ser considerada um ataque contra o Estado.

A televisão paquistanesa mostrou imagens de Musharraf deixando sua residência em uma propriedade exclusiva nos arredores de Islamabad em um carro preto escoltado por veículos da polícia.

Ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf foge do tribunal em Islamabad, Paquistão
AP
Ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf foge do tribunal em Islamabad, Paquistão

Musharraf assumiu o poder do Paquistão através de um golpe em 1999 e foi forçado a deixar seu mandato em 2008, após um descontentamento generalizado com seu governo e sob ameaça de impeachment pelos dois partidos mais poderosos do país. Desde então, ele viveu em Dubai e em Londres. Ele retornou ao país no final do mês passado sob ameaças de morte dos integrantes do Taleban.

Um tribunal na cidade de Peshawar na terça-feira desqualificou a tentativa de Musharraf de concorrer na eleição parlamentar marcada para 11 de maio, liquidando suas esperanças de retornar ao poder.

Com Reuters e AP

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