Maduro toma posse como presidente da Venezuela

Por iG São Paulo |

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Homem de jaqueta vermelha invadiu o palco e pegou o microfone enquanto presidente eleito fazia discurso; presidente brasileira e outros líderes participaram da cerimônia

Nicolás Maduro foi empossado nesta sexta-feira (19) como presidente da Venezuela, sucedendo seu mentor político Hugo Chávez, que morreu vítima de câncer em março após 14 anos no poder. Centenas se reuniram nas ruas de Caracas para mostrar seu apoio ao presidente eleito.

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Um homem de jaqueta vermelha invadiu o palco durante o discurso de Maduro, e pegou o microfone, mas foi rapidamente contido por seguranças. "A segurança falhou totalmente. Eles poderiam ter me baleado facilmente", disse Maduro, após retomar o seu discurso.

Reuters
Presidente Nicolás Maduro recebe faixa presidencial do presidente da Assembleia Diosdado Cabello e de María Gabriela Chávez, filha de Hugo Chávez

"Juro diante dessa Constituição aprovada pelo povo, juro neste 19 de abril pelo legado eterno, por Cristo, com Cristo e em Cristo, pelo povo da Venezuela e pela memória eterna do comandante supremo Hugo Chávez", afirmou Maduro, diante do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

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Líderes de diversos países latino-americanos, incluindo a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, compareceram à cerimônia, como a presidente argentina, Cristina Kirchner; o presidente uruguaio, José Mujica; o presidente boliviano, Evo Morales; e o presidente cubano, Raúl Castro. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e alguns líderes de países árabes também foram a Caracas demonstrar seu apoio.

A cerimônia seguiu uma decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) defazer uma recontagem dos votos computados na disputada eleição de domingo (14). Maduro derrotou o opositor Henrique Capriles por pouco mais de um ponto percentual de diferença.

AP
Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, vai a Caracas para participar da cerimônia de posse de Nicolás Maduro

Como procedimento padrão, 54% das urnas já são auditadas no próprio dia das eleições; a pedido da oposição, a partir da próxima semana, as 46% restantes passarão pelo mesmo processo, informou a presidente do CNE, Tibisay Lucena.

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"Selecionaremos uma amostra que será auditada durante dez dias, ao final deste período será entregue ao país um relatório do resultado", explicou Lucena em uma cadeia de rádio e TV. "Esse procedimento se repetirá em ciclos de dez dias, até completar 30 dias. Será realizada na presença dos técnicos designados pelos comandos (de campanha)", disse. Ela acrescentou que o procedimento não consiste na recontagem total dos votos - que não foi requisitado oficialmente pela oposição.

"O poder eleitoral toma essa decisão a fim de preservar um clima de harmonia entre venezuelanos e venezuelanas. Mas também isolar os setores violentos que buscam irresponsavelmente ferir a democracia", disse.

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Capriles, que acredita que as eleições apresentaram irregularidades, disse aceitar a auditoria eleitoral. Ele diminuiu o tom de seu discurso nos últimos dias, depois que confrontos violentos entre policiais e manifestantes contra os resultados da votação deixaram oito mortos.

Nos dias seguintes, a oposição cancelou uma megapasseata, substituindo-a por um panelaço pacífico, mostrando disposição ao apaziguamento dos ânimos.

Legitimidade internacional

Na quinta, o secretário de Estado americano, John Kerry, voltou a defender a auditoria eleitoral na Venezuela, mas pediu que, quem quer que seja o governo no poder, "não feche as portas" para a relação bilateral.

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A presidente Dilma afirmou em Caracas que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) está comprometida com a estabilidade no país e apoia a auditoria dos votos.

Dilma e outros presidentes sul-americanos, incluindo Maduro, participaram na quinta-feira de uma reunião de emergência da Unasul no Peru sobre a Venezuela, em que o bloco emitiu comunicado respaldando o resultado da votação e apoiando a decisão do CNE.

AP
Ao lado do presidente boliviano, Evo Morales, e da presidente argentina, Cristina Kirchner, Dilma Rousseff acompanha posse de Maduro em Caracas

"É uma nota que reitera o compromisso da Unasul com os processos democráticos, ao mesmo tempo que determina um posicionamento da Unasul como sendo de apoio para a estabilidade, apoio à paz e apoio a todos os processos que constituam legalmente os processos de sustentação democrática", disse Dilma.

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"Define uma tomada de nota positiva em relação às decisões do Conselho Nacional Eleitoral e repudia a violência, as mortes, os feridos, e também acrescenta no final um posicionamento no sentido de que haverá uma comissão para acompanhar as investigações sobre direitos humanos", acrescentou.

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