Se for confirmado que suspeitos do ataque em Boston têm vínculos com insurgências do norte do Cáucaso, será a primeira vez que conflito russo teve repercussões nos EUA

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Militantes da Chechênia e de outras províncias tumultuosas do volátil norte do Cáucaso russo tiveram Moscou e outras áreas como alvo de ataques a bomba ou do sequestro de reféns. Mas, se for confirmado que os suspeitos do ataque à Maratona de Boston - que deixou três mortos e quase 180 feridos na segunda-feira - têm vínculos com essas insurgências, será a primeira vez que o conflito russo teve como consequência um ataque terrorista nos EUA.

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Os suspeitos foram identificados por autoridades policiais e por parentes como Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev, de etnia chechena com vínculos com a região russa. Ainda não informação sobre seus vínculos, se algum, com qualquer grupo terrorista. Tamerlan, 26, foi morto em uma troca de tiros com a polícia durante a madrugada em Massachusetts, enquanto seu irmão de 19 anos está foragido .

Antes de se mudar para os EUA, Dzhokhar Tsarnaev viveu brevemente Makhachkala, capital do Daguestão, uma república predominantemente muçulmana que se tornou o epicentro da insurgência islâmica que se espalhou pela Chechênia. Em sua página na rede social VKontakte, Tsarnaev disse ter estudado na Escola Nº 1 de 1999 a 2001. A diretor da Escola Nº 1 em Makhachkala, Irina Bandurina, disse que à Associated Press (AP) que Tsarnaev partiu para os EUA em março de 2002.

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O pai dos suspeitos, que vive em Makhachkala, afirmou à AP que seu filho mais novo era um estudante de Medicina do segundo ano e um "verdadeiro anjo".

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O conflito na Chechênia começou em 1994 em uma guerra separatista, mas rapidamente se transformou em uma insurgência islâmica dedicada a criar um Estado islâmico independente no Cáucaso. Os soldados russos saíram da Chechênia em 1996 depois da primeira guerra na região, deixando-a como um Estado independente de-facto e amplamente sem lei, mas então voltaram três anos depois de explosões em prédios em Moscou e outras cidades lançadas por rebeldes.

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A Chechênia se estabilizou sob o duro controle de Ramzan Kadyrov, ex-rebelde apoiado pelo  Kremlin cujas forças são acusadas de amplos abusos dos direitos humanos. Mas a insurgência islâmica se espalhou para as províncias vizinhas, com Daguestão, localizado entre a Chechência e o Mar Cáspio, tornando-se o epicentro de violência com militantes lançando ataques diários contra a polícia e várias autoridades.

Militantes da Chechênia e das províncias vizinhas lançaram uma longa série de ataques terroristas na Rússia, incluindo uma tomada de reféns em um teatro de Moscou em 2002, que terminou com 129 mortos, uma tomada de reféns em uma escola em Beslan em 2004, que deixou mais de 330 mortos, e vários ataques a bomba em Moscou e outras cidades.

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O governo do presidente dos EUA, Barack Obama, colocou o senhor da guerra Doku Umarov em uma lista de líderes terroristas depois de ele reivindicar responsabilidade por ataques suicidas contra o metrô de Moscou em março de 2010, que deixaram 40 mortos, e pelo atentado contra um trem em novembro de 2009, que matou 26.

Em anos recentes, entretanto, militantes na Chechênia, Daguestão e outras províncias vizinhas amplamente evitaram ataques fora do Cáucaso. Autoridades e especialistas russos alegaram que os rebeldes na Chechênia têm vínculos estreitos com a Al-Qaeda. Segundo eles, dezenas de militantes de países árabes entraram na Chechênia durante o conflito local, enquanto alguns militantes chechenos saíram para lutar no Afeganistão.

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Os EUA conclamam o governo russo e os elementos separatistas na Chechênia não alinhados à Al-Qaeda ou a outras organizações terroristas a buscar um acordo político. Washington forneceu auxílio à área durante momentos fortes do conflito nos anos 1990 e no início dos anos 2000 e reivindicou prestação de contas sobre os direitos humanos.

Mas os EUA sempre apoiaram a integridade territorial russa, nunca endossando o desejo dos separatistas por um Estado independente. Também apoiaram o direito da Rússia de pôr fim ao terrorismo na região.

*Com AP

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