Ex-presidente Musharraf foge de tribunal paquistanês para evitar prisão

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Corte de Islamabad negou extensão do acordo de fiança que mantinha o ex-general livre em um processo por traição; autoridades teriam decretado prisão domiciliar para Musharraf

O ex-presidente do Paquistão Pervez Musharraf fugiu do tribunal na capital do país nesta quinta-feira (18) para evitar a prisão depois que a extensão de seu acordo de fiança foi negada em um processo por traição.

O líder de 69 anos entrou correndo em um carro preto e escapou com um de seus guarda-costas pendurado do lado de fora do veículo em uma cena dramática transmitida pela TV paquistanesa. Os advogados gritavam: "Olha quem está correndo, Musharraf está correndo!"

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AP
Ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf foge do tribunal em Islamabad, Paquistão

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Musharraf correu até sua enorme casa, localizada nos arredores de Islamabad, que é protegida por muros altos, arames farpados e torres com guardas. Dezenas de policiais e comandantes de elite bloquearam a principal estrada que leva ao local. Cerca de 20 partidários de Musharraf seguravam cartazes e gritavam palavras de ordem em favor do ex-líder militar.

Nenhum dos membros da força de segurança que protegiam o local tomou qualquer atitude para prender Musharraf, provavelmente por que aguardam uma ordem das autoridades que tentam descobrir como lidar com essa delicada situação.

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O porta-voz de Musharraf, Aasia Ishaq, disse que autoridades em Islamabad planejavam declarar sua casa uma prisão, o que é permitido na lei do país. Isso significaria que Musharraf estaria efetivamente em prisão domiciliar. Porém, um policial que monitora a área onde Musharraf mora, Mohammed Ijaj, disse não ter recebido qualquer ordem nesse sentido.

Musharraf assumiu o poder do Paquistão através de um golpe em 1999 e foi forçado a deixar seu mandato em 2008, após um descontentamento generalizado com seu governo e sob ameaça de impeachment pelos dois partidos mais poderosos do país. Desde então, ele viveu em Dubai e em Londres. Ele retornou ao país no final do mês passado sob ameaças de morte dos integrantes do Taleban.

Um tribunal na cidade de Peshawar na terça-feira desqualificou a tentativa de Musharraf de concorrer na eleição parlamentar marcada para 11 de maio, liquidando suas esperanças de retornar ao poder.

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O caso desta quinta-feira, perante ao Tribunal Superior de Islamabad, tratava sobre a decisão de Musharraf em 2007 de prender altos magistrados, incluindo o chefe de Justiça do Supremo Tribunal Federal, quando ele declarou estado de emergência e suspendeu a constituição. A decisão indignou muitos paquistaneses e provocou protestos de advogados em todo país, o que, depois, resultou na renúncia de Musharraf sob ameaça de impeachment.

Antes de voltar ao país, Musharraf conseguiu obter o direito de pagar uma fiança pelo caso dos juízes e por outros dois processos, o que significava que ele não poderia ser preso quando aterrisasse. Mas o acordo de fiança era temporário. O juíz do Tribunal Superior de Islamabad, Shaukat Aziz Siddiqui, que havia estendido o acordo de fiança em 12 de abril, se recusou a fazê-lo novamente nesta quinta-feira e ordenou a prisão de Musharraf.

Muitos policiais e soldados paramilitares estavam a postos no tribunal nesta quinta, mas ninguém tentou evitar que Musharraf deixasse a corte, enquanto ele abria caminho entre eles. Um dos advogados de Musharraf, Ahmad Raza Kasuri, reclamou que o tribunal não ouviu seus argumentos. "É uma decisão de um lado só", disse. Um terceiro advogado de Musharraf, Raja Mohammed Ibrahim, disse que ele entraria com uma apelação na Suprema Corte na sexta-feira, desafiando a decisão.

Musharraf também enfrenta acusações de traição perante à Suprema Corte, mas nenhuma dessas acusações é formal. A decisão de Musharraf de fugir da Corte coloca o Exército do Paquistão em uma posição estranha. O ex-general é protegido por soldados paramilitares que oficialmente devem reportar-se ao Ministério do Interior, mas são chefiados por autoridades militares.

Com AP

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