Ameaça bioterrorista, veneno ricina fez poucas vítimas

Por iG São Paulo |

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Substância tóxica preliminarmente identificada em cartas enviadas para Obama e senador republicano é derivada da mamona e é mais adequada para ataques com alvos específicos

Desde o anthrax e os ataques de 11 de Setembro, o veneno mortal ricina foi lembrado vez ou outra juntamente com outros agentes de bioterrorismo - porque vem de uma planta relativamente comum e parece fácil de ser produzido.

Mas, na verdade, a ricina provocou mais temores do que vítimas reais e é um veneno que chama mais atenção como uma arma contra um alvo específico do que uma substância de assassinatos em massa.

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Testes preliminares indicam que carta endereçada ao presidente Barack Obama continha ricina

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Testes preliminares de uma substância suspeita contida em uma carta endereçada ao presidente Barack Obama indicou a presença de ricina, informou o FBI nesta quarta-feira. Esse fato ocorreu depois que um envelope, também com ricina, foi enviado ao senador Roger Wicker.

A ricina é derivada da mamona. O que a torna assustadora é que não há antídoto e é mortal quando inalada. Também não é contagiosa. De todos os agentes químicos e biológicos usados no terrorismo "é um dos menos significantes; é um veneno", disse o especialista em bioterrorismo da Universidade de Maryland Milt Leitenberg.

Leitenberg afirmou que se esforçou para lembrar de um caso em que uma substância detectada preliminarmente como ricina se tratasse de ricina de verdade.  Quase todas as vezes é um alarme falso.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirmou que um teste rápido para detectar ricina leva de 6 a 8 horas, mas o teste mais completo - o exame toxicológico da ricina - leva 48 horas para ser realizado e a disponibilidade de células cultivadas para fazer o teste poderia ser um problema se feito muito rápido. O segundo teste é "considerado o melhor teste para determinar a presença de ricina", afirma o CDC.

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Ainda assim, um relatório do Departamento de Segurança Interna de 2010 lista apenas uma pessoa morta por ricina. E foi um assassinato político. Em 1978, o dissidente búlgaro Georgi Markov foi contaminado pela ponta de um guarda-chuva enquanto esperava por um ônibus em Londres. O CDC afirmou que outros foram mortos, também por injeção.

Outras pessoas foram envenenadas com ricina depois de comer mamonas, mas ela não é tão bem absorvida pelo trato digestivo quanto quando é injetada ou inalada. O CDC categoriza a ricina como uma ameaça de "Classe B", o segundo nível de ameaça da agência. Está atrás do anthrax, botulismo, peste, varíola, tularemia e febres hemorrágicas virais.

Também pode ser borrifado, jogado no ar e inalado. O manual de Segurança Interna diz que pouco menos de 500 microgramas da substância - quantidade com o tamanho da cabeça de um prego - é suficiente para matar um adulto, se preparada adequadamente.

Segundo a médica Patricia Quinlisk, do Departamento de Saúde Pública de Iowa, é necessário colocar as coisas em perspectiva. "Manipular a ricina como algo que possa ser lançado de um envelope para o ar, obter a quantidade certa para ser inalada e grudar no pulmão é muita coisa para ser feita, especialmente se você não é um especialista em bioterrorimo e não souber como fazer isso. Não é algo que você consegue fazer na sua garagem."

"É mais difícil que essas coisas aconteçam do que a maioria pensa", disse Patricia. Leitenberg reiterou que não é tão fácil manipular ricina quanto manuais populares da internet dizem ser.

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Foto de 29/1/2009 mostra senador Roger Wicker, republicano do Mississippi, durante coletiva no Capitólio, em Washington

A lista de ato terroristas com ricina no manual de Segurança Interna inclui muitas pessoas que obtiveram ou fizeram ricina. "Ricina é mais adequada para atques de pequena escala e não para ataques em massa", diz o manual de Segurança Interna. Segundo ele a melhor "via de exposição" é a injeção na corrente sanguínea, como o caso do dissidente búlgaro.

O manual de Segurança Interna também diz que inalar ricina é mais perigoso do que ingerir, mas "produzir ricina em pó em quantidade suficiente para ser eficientemente disseminada por ar requer habilidades técnicas".

Ricina em pó, segundo o manual, "pode ser entregue a alvos em ambientes fechados por meio de cartas ou pacotes. Se uma pessoa é exposta a ricina, suas roupas devem ser retiradas e a pele deve ser lavada várias vezes com água e sabão, além de procurar ajuda médica.

Com AP

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