Indiciado pelo TPI, Kenyatta toma posse como presidente do Quênia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Kenyatta é o 2º líder da África a enfrentar acusações na corte. Ele diz que provará inocência sobre alegações de que ajudou a orquestrar violência que manchou eleição de 2007

Uhuru Kenyatta tomou posse nesta terça-feira como o quarto presidente do Quênia em um estádio lotado com dezenas de milhares de quenianos e dezenas de líderes africanos.

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Presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, segura Bíblia durante cerimônia de posse em Kasarani, perto de Nairóbi

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Kenyatta, 51, filho de Jomo Kenyatta (primeiro presidente do Quênia), tornou-se o segundo presidente em exercício da África a enfrentar acusações no Tribunal Penal Internacional (TPI). Ele é alvo de alegações de que ajudou a orquestrar a violência tribal que manchou a eleição presidencial de 2007 do país.

O presidente de Uganda e o novo vice do Quênia usaram a cerimônia de posse para atacar o alerta feito pelo TPI e pelos EUA antes das eleições de 4 de março de que uma vitória de Kenyatta traria "consequências" ao Quênia.

"Quero saudar os eleitores quenianos em outra questão - a rejeição da chantagem do Tribunal Penal Internacional e daqueles que tentam abusar dessa instituição para seus próprios interesses", disse o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, à multidão, acrescentando: "Eles agora usam isso para estabelecer líderes de sua escolha na África e eliminar aqueles de que não gostam."

O vice William Ruto pontuou que ele e Kenyatta venceram no primeiro turno apesar do alerta dos EUA.

A cerimônia desta terça contrastou drasticamente com o apressado evento fechado ao público de há cinco anos para a posse do presidente Mwai Kibaki, cujos oponentes políticos acusaram de roubar a votação de 2007. Essas suspeitas desataram semanas de violência tribal que deixou mais de 1 mil mortos.

É em relação a essa violência que Kenyatta enfrenta acusações no TPI. Ele nega as acusações dos promotores de que ajudou a orquestrar a violência e prometeu cooperar com o tribunal para provar sua inocência. Seu julgamento está com início previsto para julho. O vice Ruto enfrenta acusações similares em um julgamento programado para maio.

Kenyatta derrotou outros sete candidatos presidenciais com 50,07% dos votos. Essa pequena margem foi desafiada pelo primeiro-ministro Raila Odinga - que alcançou 43% dos votos - e por grupos da sociedade civil que reclamaram de anomalias no processo de votação. A Suprema Corte manteve a vitória de Kenyatta depois de audiências transmitidas pela TV.

Perspectivas econômicas

O fato de a disputa ter sido resolvida pela Justiça, evitando a repetição da violência eleitoral de 2007, deu um sinal positivo para a confiança dos investidores na maior economia da África Oriental. Um dos setores que pretendem se beneficiar disso é o turístico, ainda mais pelo fato de Kenyatta ser dono de hotéis e de um vasto império empresarial.

Além de buscar mais visitantes, o Quênia quer também receber investimentos para a exploração de gás e petróleo, para financiar um novo porto na cidade de Lamu, para realizar outras obras de infraestrutura e para reforçar a posição do país como polo industrial regional.

"Os planos de investimento previamente suspensos no Quênia por causa da incerteza relacionada à eleição tendem agora a ser realizados", disse a economista Razia Khan, do banco Standard Chartered. Os investimentos estrangeiros, disse, "podem demorar um pouco mais para terem um aumento significativo, mas isso também deveria ser o aumento de uma ascensão em curto prazo", afirmou.

No entanto, velhos problemas que incomodam os empresários, como a corrupção e a burocracia, não foram resolvidos com a decisão judicial que confirmou a eleição de Kenyatta contra Odinga. Além disso, a presidência de Kenyatta vem com a carga do indiciamento no TPI, o que poderia complicar suas relações pessoais com governos ocidentais, embora diplomatas falem em uma abordagem "pragmática" que evite danos às relações comerciais.

"Há ainda a incerteza mais ampla pelo caso do TPI. Se as acusações serão mantidas é algo a se observar de perto", disse Khan. 

Alguns empresários acham que Kenyatta pode ser uma dádiva para o turismo. Sua família é dona da rede hoteleira Heritage Group, além de ter negócios que abrangem de laticínios a bancos e escolas.

"Quando Kenyatta era presidente do Conselho de Turismo do Quênia,  era alguém com quem podíamos conversar", disse Suresh Sofat, executivo-chefe da importante operadora de viagens local Somak Travel. "Ele entendia o turismo e lutava por todos nós."

*Com AP e Reuters

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