Coreia do Norte suspende trabalhos em parque industrial conjunto com Seul

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Desativação de polo industrial de Kaesong coincide com especulações de ação por parte da Coreia do Sul, como um teste de armas nucleares ou lançamento de mísseis

A Coreia do Norte suspendeu nesta segunda-feira (8) seu último projeto importante em conjunto com a Coreia do Sul, após semanas de ameaças de Pyongyang contra Seul e os Estados Unidos. A decisão norte-coreana de praticamente desativar o polo industrial de Kaesong coincidiu com especulações de que o país realizará alguma ação provocativa naquela que se tornou uma das maiores crises na região desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953.

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AP
Funcionário norte-coreano trabalha em fábrica sul-coreana no parque industrial Kaesong (foto de arquivo)





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A tensão vem crescendo desde que a ONU impôs novas sanções ao regime comunista do Norte, em resposta ao seu terceiro teste de armas atômicas, em fevereiro. Depois, um exercício militar conjunto dos EUA com a Coreia do Sul irritou ainda mais o Norte, que ameaçou os dois países inimigos com uma guerra nuclear.

Autoridades da Coreia do Sul afirmaram nesta segunda que não há sinais de que a Coreia do Norte esteja na iminência de realizar um quarto teste nuclear. Um porta-voz do Ministério da Defesa afirmou que a atividade detectada no local de testes subterrânero era, aparentemente, rotineira.

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O comunicado do Ministério foi divulgado depois que o ministro da Unificação sul-coreano Ryoo Kihl-jae afirmou a parlamentares em Seul que havia indicativos da preparação de um teste pelo Norte. "A situação permanece a mesma. Se o Norte tomar uma decisão, poderia sempre realizar um teste atômico", disse Kim Min-seok, porta-voz do ministério.

Após o comunicado do ministério, Ryoo afirmou que se enganou ao dizer sobre os sinais de que Pyongyang faria mais um teste. Ele disse que não se lembrava de ter feito tais comentários, que foram gravados em vídeo, e que ficou "chocado" de ver suas declarações em reportagens.

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O comunicado sobre a Kaesong foi feito por Kim Yang Gon, secretário de um gabinete importante da Coreia do Norte, o Comitê Central dos Partido dos Trabalhadores da Coreia. Ele não fez menção sobre o futuro dos 475 gerentes sul-coreanos que continuam no complexo industrial Kaesong.

O comunicado também não informou se os funcionários norte-coreanos seriam convocados imediatamente, e um gerente da Coreia do Sul na Kaesong afirmou que não soube de nada vindo do governo norte-coreano. "Os funcionários norte-coreanos deixaram o trabalho às 18h hoje como eles geralmente gazem. Saberemos amanhã se eles virão ou não trabalhar", disse o gerente, que não quis se identificar.

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O presidente russo, Vladimir Putin, disse que qualquer conflito na península pode causar uma devastação maior do que o acidente nuclear de Chernobyl (Ucrânia), em 1986. "Eu não faria segredo disso, estamos preocupados com a escalada na península coreana, porque somos vizinhos", disse Putin em entrevista coletiva durante visita à Alemanha.

"E se, Deus nos livre, algo acontecer, Chernobyl, sobre o qual todos nós sabemos muito, pode parecer como um conto de fadas infantil. Existe tal ameaça ou não? Acho que sim... Eu pediria a todos para que se acalmem... e comecem a resolver os problemas que se acumularam nos últimos anos na mesa de negociações."

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O secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, disse que a Coreia do Norte não pode continuar "confrontando" o Conselho de Segurança da ONU e a comunidade internacional.

"Sinceramente espero que eles cumpram completamente as resoluções relevantes do Conselho de Segurança. Esse é um apelo urgente e franco por parte da comunidade internacional, inclusive da minha própria parte."

Um alto funcionário da Coreia do Norte disse à KCNA, agência estatal de notícias do país, após visita a Kaesong, que as autoridades vão retirar de lá os trabalhadores norte-coreanos, para então decidir sobre a continuidade das operações industriais.

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"(O governo) vai suspender temporariamente as operações na zona e examinará a questão de se permitirá sua existência ou a fechará", disse Kim Yang Gon, secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia (partido único).

A KCNA disse que a Coreia do Sul está "percorrendo toda a escala de intrigas a fim de encontrar um pretexto para detonar uma guerra (contra a Coreia do Norte), depois de ter reduzido a zona industrial de Kaesong a um teatro de confrontação".

Na semana passada, a Coreia do Norte proibiu o acesso de sul-coreanos ao polo industrial. O esgotamento das matérias-primas industriais e dos mantimentos fez com que trabalhadores sul-coreanos ainda presentes no local começassem a sair nos últimos dias.

Analistas sugerem, no entanto, que o regime norte-coreano não vai desativar Kaesong, já que essa zona industrial ao norte da fronteira, onde funcionam 123 empresas sul-coreanas, representa um comércio de US$ 2 bilhões por ano e emprega 50 mil norte-coreanos. Seus salários, num valor superior a US$ 80 milhões por ano, são pagos diretamente ao governo norte-coreano, e não aos próprios trabalhadores.

Cerca de 475 sul-coreanos continuam em Kaesong. Treze fábricas interromperam a produção devido à falta de matéria-prima, segundo o Ministério da Unificação sul-coreano.

Com AP e Reuters

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