Kaesong opera com mão de obra norte-coreana e gerenciamento sul-coreano e é reduto de serenidade nas relações entre os países; funcionários foram obrigados a retornar para casa

A Coreia do Norte barrou nesta quarta-feira (3) a entrada de funcionários sul-coreanos que trabalham em um complexo industrial conjunto entre os dois países vizinhos localizado no Norte, perto da fronteira. O fechamento da passagem para o parque Kaesong ocorre um dia depois de o Norte anunciar que reativaria um reator de plutônio e uma usina de enriquecimento de urânio , que poderiam produzir combustível para armas nucleares.

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Funcionário norte-coreano trabalha em fábrica sul-coreana no parque industrial Kaesong (foto de arquivo)
AP
Funcionário norte-coreano trabalha em fábrica sul-coreana no parque industrial Kaesong (foto de arquivo)

A retórica cada vez mais afiada de Pyongyang foi acompanhada por ações militares por parte de Washington, como o sobrevoo de dois bombardeiros durante os exercícios militares feitos em conjunto com a Coreia do Sul.

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O complexo industrial Kaesong começou sua produção em 2004 e é um símbolo de colaboração incomum na relação entre as duas Coreias, marcada pela hostilidade. A continuidade das suas operações, apesar de episódios de alta tensão no passado, serviam como garantia às multinacionais estrangeiras de que outra guerra entre as Coreias era improvável e que seus investimentos na Coreia do Sul estavam seguros.

"A fábrica Kaesong tem sido o último reduto de tranquilidade entre as duas Coreias", disse Hong Soon-jik, um pesquisador norte-coreano do Instituto de Pesquisa Hyundai, de Seul.

Ele disse que as tensões entre os dois países podem aumentar com o fechamento da Kaesong, porque Seul poderia reagir com punições, provocando uma nova resposta por parte de Pyongyang.

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Não ficou claro por quanto tempo a Coreia do Norte impedirá sul-coreanos de entrar no complexo industrial, localizado na cidade de Kaesong, Coreia do Norte, e que garante o emprego de mais de 50 mil norte-coreanos. A última grande interrupção no fluxo de sul-coreanos aconteceu em 2009 e durou três dias.

O porta-voz do Ministério da Unificação em Seul Kim Hyung-suk disse que Pyongyang permitiu que os sul-coreanos voltassem para suas casas da Kaesong. Cerca de 33 dos 860 sul-coreanos que trabalham no complexo retornaram na quarta-feira. Mas Kim disse que cerca de 480 estavam programados para viajar para o complexo nesta quarta tiveram sua entrada recusada.

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Caminhões retornaram a Coreia do Sul através do posto militar de Paju nesta manhã, apenas alguns minutos depois de entrar, após terem sua entrada recusada no Norte.

Pyongyang ameaçou na semana passada fechar o complexo, que funciona com mão de obra norte-coreana e know-how sul-coreano. Cerca de 120 empresas da Coreia do Sul operam fábricas na Kaesong que produziu US$ 470 milhões em produtos como relógios, roupas e sapatos no ano passado que retornam a Coreia do Sul em caminhões e são exportados para outros países.

Barrar a entrada aos sul-coreanos é um "tapa na cara" depois de o governo sul-coreano ter estendido ajuda médica para o Norte, disse Lee Choon-kun, pesquisador norte-coreano no Instituto Econômico de Pesquisa da Coreia, com base em Seul. "Eu vejo isso como um começo para mais ações provocativas", disse.

Com AP

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