Hamas reelege Meshaal como líder do grupo islâmico palestino

Por iG São Paulo |

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Meshaal, 56, lidera desde 1996 o movimento que não reconhece Israel e controla Gaza desde 2007; não está claro se sua reeleição permitirá uma reconciliação com o laico Fatah

O grupo militante islâmico Hamas reelegeu no fim da noite de segunda-feira Khaled Meshaal como líder do grupo islâmico palestino, concedento mais quatro anos de mandato a uma figura relativamente pragmática que discutiu no passado com movimentos mais linha dura sua tentativa de reconciliação com seus rivais do Fatah, grupo laico apoiado pelo Ocidente e que controla parte da Cisjordânia.

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Meshaal, de 56 anos, já lidera desde 1996 o movimento que não reconhece Israel e controla o território palestino de Gaza desde 2007, quando expulsou as forças seculares do Fatah depois de um breve conflito civil.

A disputa ocorreu um ano depois da vitória inesperada do Hamas em eleições parlamentares palestinas. A divisão política paralisou o Legislativo e, principalmente, impediu a promulgação de novas leis em Gaza e na Cisjordânia. 

Com base no Catar, o líder ganhou uma imagem mais moderada desde que ajudou a alcançar um delicado cessar-fogo com Israel, no ano passado, e conseguiu construir laços como o Egito, o outro vizinho de Gaza.

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Meshaal tem o apoio das potências regionais Turquia, Egito e Catar, países onde a Irmandade Muçulmana, movimento de abrangência regional com laços com o Hamas, é influente. Não está claro se sua reeleição lhe dará poder suficiente para conseguir uma reconciliação ou se os membros linha dura particularmente baseados na Faixa de Gaza serão capazes de vetar um acordo.

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No ano passado, Meshaal e Mahmud Abbas, líder do Fatah e da Autoridade Palestina, alcançaram um acordo pelo qual o presidente palestino lideraria um governo interino de tecnocratas na Cisjordânia e em Gaza. Esse acordo teria aberto caminho para eleições gerais.

Entretanto, o acordo nunca entrou em vigor por causa de oposição de líderes do Hamas em Gaza e autoridades graduadas do Fatah.

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A reeleição de Meshaal poderia distanciar ainda mais o Hamas de seu patrono de longa data Irã, que fornece dinheiro e armas para o Hamas em Gaza. Hamas rompeu com o presidente sírio, Bashar al-Assad, outro aliado de longa data, por causa de sua repressão brutal contra uma revolta popular que se transformou em uma insurgência armada. As relações de Meshaal esfriaram com o Irã depois que ele se recusou a apoiar Assad, um aliado iraniano.

O Hamas foi fundado em 1987, como uma braço da Irmandade Muçulmana. Ele tem quatro componentes - ativistas em Gaza, na Cisjordânia, no exílio e aqueles aprisionados por Israel.

Meshaal é considerado um membro de uma ala mais pragmática do Hamas, em conexão com o conflito israelo-palestino. Ele e outros no Hamas insistem que o movimento não reconhecerá Israel ou renunciará à violência - condições do Ocidente para lidar com o grupo.

Meshaal sugeriu que poderia aceitar um Estado palestino ao longo de Israel, embora não tenha dito que tal Estado acabaria com o conflito ou seria um passo intermediário para um Estado islâmico em toda a Palestina histórica, incluindo o que agora é Israel.

*Com AP e Reuters

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