Novas regras impedem homens de ensinar em escolas de meninas e estabelecem classes separadas para meninos e meninas a partir de 9 anos

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Professor palestino ensina hebraico para estudantes em escola na Cidade de Gaza (28/01)
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Professor palestino ensina hebraico para estudantes em escola na Cidade de Gaza (28/01)

As novas regras do grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza, para o Ministério da Educação impedirão homens de ensinar em escolas de meninas e estabelecem classes separadas para meninos e meninas a partir de 9 anos.

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A lei, publicada nesta segunda-feira, entrará em vigor no próximo ano letivo e será aplicada na região, incluindo escolas privadas, cristãs e da ONU.

Os críticos das novas medidas dizem que o movimento islâmico tenta impor sua ideologia na sociedade, mas seus defensores afirmam que ele apenas quer transformar valores palestinos conservadores em lei.

"Somos um povo muçulmano. Não precisamos tornar as pessoas muçulmanas, e estamos fazendo o que serve ao nosso povo e sua cultura", disse à Reuters Waleed Mezher, consultor jurídico do Ministério da Educação.

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O Hamas governa Gaza desde um breve conflito civil com seus rivais palestinos no partido secular Fatah, em 2007, um ano depois da vitória inesperada em eleições parlamentares palestinas. A divisão política paralisou o Legislativo e, principalmente, impediu a promulgação de novas leis em Gaza e na Cisjordânia, que é controlada pelo Fatah.

Mas parlamentares do Hamas em Gaza agiram sozinhos para aprovar a nova lei de educação, e os críticos do movimento o acusam há anos de tentar construir um Estado independente em Gaza.

Zeinab Al-Ghoneimi, uma ativista de Gaza pelos direitos das mulheres, disse que a nova lei faz parte de um projeto do Hamas para impor seus valores sobre os moradores de Gaza.

"Dizer que a antiga lei não respeitava as tradições da comunidade e que eles (Hamas) queriam reformar as pessoas é um insulto para a comunidade", disse a uma rádio palestina Ghoneimi. "Em vez de se esconder atrás de tradições, por que não dizer claramente que eles são islâmicos e querem islamizar a comunidade?", disse.

Escolas privadas e cristãs, em que as aulas são mistas até o ensino médio, seriam as mais afetadas pela decisão. Escolas administradas pelo governo de Gaza já estavam, em sua maioria, divididas por gênero.

Líderes do Hamas negam repetidamente as acusações de grupos de direitos humanos de que tentam impor as leis islâmicas em Gaza.

Ativistas de direitos humanos criticaram movimentos por parte do governo do Hamas nos últimos anos de impor o uso de vestimentas islâmicas a advogadas e alunas de escola, de proibir homens de trabalhar como cabeleireiros para as mulheres e de interrogar casais andando nas ruas de Gaza.

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