Mandela apresenta 'melhora estável' em hospital da África do Sul

Por iG São Paulo |

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Ícone da luta antiapartheid passa segunda noite em hospital de Pretória por infecção pulmonar. Segundo presidente, ele está 'bem disposto' e tomou um café da manhã completo

O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela (1994-1999) apresenta uma "melhora estável" depois de passar o segundo dia em um hospital de Pretória para tratar uma infecção pulmonar, disse o escritório do presidente Jacob Zuma nesta sexta-feira. Segundo o comunicado, o ícone da luta antiapartheid está "bem disposto" e tomou um café da manhã completo.

Quinta: Ex-presidente sul-africano Nelson Mandela é internado

AP
Crianças olham retrato do ex-presidente Nelson Mandela em parque em Soweto, África do Sul (28/03)

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Depois da internação de Mandela pouco antes do início da madrugada de quinta, Zuma pediu que a população "não entrasse em pânico". O ex-presidente contraiu tuberculose nos anos 80 enquanto estava detido em Robben Island, com informações de que seus pulmões ficaram prejudicados por trabalhar em uma pedreira na prisão.

A saúde de Mandela vem sendo causa de preocupação há algum tempo, e sua internação na quarta levou os sul-africanos para a frente dos televisores e sites de notícias. "Estamos torcendo para que ele melhore depressa. E viva mais 94 anos", disse Tony Pnaidu, vendedor de rua de 62 anos.

"É uma notícia muito triste que ele tenha sido hospitalizado de novo, mas estamos esperançosos de que superará mais essa", afirmou Ashley Bennet, de 20 anos.

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Essa é sua quarta internação em um período de dois anos e a segunda em menos de seis meses. Em dezembro, ele ficou 18 dias no hospital com o mesmo problema.

Em entrevista à BBC na quinta, Zuma pediu para a população "reduzir sua ansiedade". "Todos queremos que Madiba (como Mandela é chamado na África do Sul) esteja conosco por um longo período." No mesmo dia, a presidência emitiu um comunicado afirmando que Mandela "respondia positivamente" ao tratamento.

Unanimidade

"Libertador", "pai da pátria", "um grande homem". Quando o assunto é Mandela, parece haver consenso entre os sul-africanos. "Ele é um conciliador, que soube construir uma nação perdoando erros do passado e unindo as pessoas", disse Jennifer Reynolds, de 44 anos.

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"Sabemos que não está mais em idade de governar, mas para mim ele representa esperança - a esperança de que encontremos líderes mais conciliadores e visionários novamente, porque há alguns anos tudo que temos é corrupção."

"É uma figura que todos admiram, não importa de que comunidade você seja", afirmou a estudante Nontobeko Sipinya, de 25 anos.

Líder da luta contra o regime segregacionista do apartheid, Mandela chegou a ficar 27 anos preso, 18 deles na famosa prisão de Robben Island.

Ele foi o primeiro presidente eleito em uma votação multirracial e, uma vez no poder, introduziu uma série de leis sociais e derrubou estruturas e leis que sustentavam a segregação. Além disso, longe de assumir uma postura revanchista, mesmo depois de tantos anos preso, Mandela perdoou seus inimigos e procurou unir brancos e negros para formar "uma só África do Sul".

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Thomas Mkhize, de 43 anos, ainda se lembra de quando não podia pôr os pés na praia que frequenta hoje, em Durban. "Logo ali na frente, onde passa o Rio Ungeni, era o limite da praia dos brancos. Onde estamos eu não podia entrar, sob o risco de ser detido - e Mandela contribuiu muito para que eu pudesse estar aqui agora", disse.

"Se não fosse ele, possivelmente não estaria hoje com meu namorado, que é negro", diz Ashley Bennet, de 20 anos. "Nos conhecemos na escola, mas na época em que minha mãe era estudante todos os seus colegas eram brancos."

O consenso termina, porém, quando o assunto são os sucessores do ex-presidente. Tanto Thabo Mbeki, que governou o país de 1999 a 2008, quanto Zuma, que assumiu depois disso, são do CNA de Mandela. "Eles deturparam o legado político de Mandela com corrupção e ineficiência", disse Pnaidu.

"Mandela lutou toda sua vida pelo fim da violência racial, mas seus sucessores deixaram que a violência urbana se alastrasse e transformasse a África do Sul em outro campo de guerra", afirma Tomás Mkhize, de 43 anos.

*Com BBC

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