Fracassa negociação política na Itália; presidente fará novas consultas

Por Reuters |

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Opções de Napolitano são governo tecnocrata, coalizão transpartidária ou novas eleições, que só poderão ser convocadas após o fim de seu mandato, em meados de maio

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O líder centro-esquerdista Pier Luigi Bersani fracassou em sua tentativa de formar um governo depois da inconclusiva eleição italiana de fevereiro, e agora caberá ao presidente Giorgio Napolitano buscar outra solução para o impasse político no país, disse a assessoria do palácio presidencial nesta quinta-feira.

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Bersani se reuniu com Napolitano na noite desta quinta (hora local) para informar sobre o resultado negativo de sua tentativa de formar um governo. O seu bloco de centro-esquerda elegeu a maior bancada, mas não conseguiu formar maioria no Senado.

Fontes oficiais disseram que Napolitano, de 87 anos, iniciará na sexta uma nova rodada de consultas com os partidos.

Um porta-voz de Bersani disse que ele não desistiu de formar um governo, mas o partido centro-direitista Povo da Liberdade, do ex-premiê Silvio Berlusconi, ironizou o líder rival, dizendo que ele gastou um mês numa infrutífera busca de apoio desde as eleições.

Bersani, do Partido Democrático, rejeitou as ofertas de Berlusconi para formar uma coalizão ampla unindo esquerda e direita. Por outro lado, ele foi esnobado pelo alternativo Movimento 5 Estrelas, do ex-comediante Beppe Grillo, que recusa qualquer aliança com os partidos tradicionais.

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Napolitano já disse que é contra a convocação de novas eleições, mas suas opções estão fortemente limitadas. Elas incluem a nomeação de alguma personalidade de fora dos partidos para comandar um gabinete de tecnocratas - situação igual à do atual premiê interino Mario Monti - ou então a formação de uma coalizão transpartidária.

Fontes: Presidente italiano considera novo governo tecnocrata

A possibilidade de Monti permanecer no cargo diminuiu nesta semana, quando a repentina renúncia do chanceler Giulio Terzi expôs tensões dentro do governo interino.

Mas o fracasso de Bersani em costurar um acordo mostra que até um novo governo tecnocrata pode ter dificuldades em ser aprovado no dividido Parlamento, ampliando as chances de que uma nova eleição seja convocada.

No entanto, isso só poderá acontecer depois que o Parlamento eleger um novo presidente para o lugar de Napolitano, cujo mandato termina em meados de maio. Pela Constituição, um presidente não pode convocar eleições em final de mandato.

Até mesmo essa tarefa é complicada, porque Berlusconi deseja indicar o novo chefe de Estado, algo que Bersani rejeita.

Cenário: 'Empate' em eleições na Itália causa apreensão na Europa

O impasse na Itália, que tem a terceira maior economia da zona do euro, é observado com crescente preocupação na Europa, onde a crise do Chipre já causa inquietação nos mercados.

Nesta quinta, o principal indicador da confiança dos mercados - a diferença nos juros pagos entre Itália e Alemanha nos seus títulos públicos com vencimento em dez anos - subiu para 350 pontos-base, cerca de 30 pontos a mais do que antes da eleição de 24 e 25 de fevereiro.

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