Cargo de premiê da Itália é 'apenas para doentes mentais', diz Bersani

Por Reuters |

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Declaração de líder da centro-esquerda, encarregado de formar coalizão após eleições de fevereiro, é feita após Movimento 5 Estrelas rejeitar formar novo governo

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Após deparar-se com um impasse em seus esforços para formar um governo, o líder do bloco de centro-esquerda italiano, Pier Luigi Bersani, disse nesta quarta-feira que apenas um doente mental poderia querer governar a Itália no momento.

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AP
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"Apenas uma pessoa doente mental teria um desejo ardente de governar neste momento", disse durante um encontro com políticos do Movimento 5 Estrelas, que rejeitou novamente nesta quarta formar uma coalizão com a centro-esquerda.

A legenda de Bersani, o Partido Democrático, ganhou por margem estreita as eleições do mês passado, mas não tem a maioria do Senado necessária para governar e descarta a possibilidade de se coligar ao bloco de centro-direita do ex-premiê Silvio Berlusconi. Se não houver progresso nas negociações, novas eleições podem ser marcadas para junho.

O Movimento 5 Estrelas, liderado pelo ex-comediante Beppe Grillo, conquistou inesperados 25% dos votos nas eleições e tem a chave para o equilíbrio de poder. Reiterando o argumento contrário aos partidos tradicionais, que responsabiliza pela atual crise econômica e social na Itália, o grupo rejeitou novamente nesta quarta a formação de uma coalizão com a centro-esquerda.

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"Não há condições que nos permitiriam dar um voto de confiança a um governo composto por esses partidos, porque eles não têm credibilidade", disse o líder do 5 Estrelas no Senado, Vito Crimi, após reunião com Bersani.

"Quero que as coisas fiquem claras: estou pronto para assumir uma grande responsabilidade, mas peço que os outros assumam um pouco do fardo também", disse o líder da centro-esquerda.

O impasse político, simultâneo à crise bancária no Chipre, está atrasando a adoção de reformas que poderiam ajudar a reviver a economia italiana, atualmente prejudicada pela recessão e pela dívida, e é observado atentamente por outros governos europeus e por investidores temerosos de que a Itália volte a uma fase de turbulência como a que derrubou o último governo de Berlusconi, em 2011.

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Após as consultas desta semana aos demais grupos partidários, Bersani deve levar os resultados ao presidente Giorgio Napolitano, que teria então a possibilidade de encarregar outra pessoa - que seja respeitada e alheia aos partidos - de tentar formar um gabinete tecnocrata ou de ampla base partidária.

*Com BBC e Reuters

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