Suprema Corte da Itália ordena novo julgamento para Amanda Knox

Por iG São Paulo |

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Estudante americana foi absolvida em 2011 da acusação de ter matado, junto a seu namorado italiano, a estudante britânica Meredith Kercher

A Suprema Corte da Itália derrubou a absolvição de Amanda Knox no assassinato de sua colega de quarto britânica e ordenou um novo julgamento, prolongando o caso que se tornou célebre no mundo inteiro. Amanda caracterizou a decisão de "dolorosa", mas disse estar confiante que seria inocentada.

A lei italiana não pode obrigar Amanda a voltar para o país para o julgamento, e seu advogado disse que ela não tem planos de fazer isso. A corte de apelação pode declará-la desobediente ao tribunal, mas isso não infere em nenhuma pena adicional.

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AP
Amanda Knox se emociona ao desembarcar nos aeroporto de Seattle, EUA (2011)

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A Corte de Cassação italiana decidiu que um tribunal de apelação em Florença deve voltar a julgar o caso contra a estudante americana e seu ex-namorado italiano pelo assassinato de Meredith Kercher, 21 anos. As questões exatas que serão reconsideradas nesta nova audiência não serão divulgadas até que a corte libere o acórdão no prazo de 90 dias.

Amanda, agora estudante na Universidade de Washington, ficou acordada até às 2h em Seattle (6h em Brasília) para ouvir seu destino e divulgou um comunicado por meio de um porta-voz da família. "Foi doloroso receber a notícia de que a Suprema Corte Italiana decidiu enviar meu caso de volta para revisão quando a teoria da promotoria do meu envolvimento no assassinato de Meredith foi provada ser completamente infundada e injusta", disse.

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Amanda disse que a questão agora deve ser examinada "em uma investigação objetiva e um processo capacitado". "Não imoprta o que aconteceu, minha família e eu vamos enfrentar essa contínua batalha legal como sempre fizemos, confiantes na verdade e com nossas cabeças erguidas diante de acusações injustas."

Amanda, agora com 25 anos, e Raffaele Sollecito, que fez 29 nesta terça, ficaram presos por um breve período depois que o corpo de Meredith foi encontrado em seu quarto em novembro de 2007. Meredith, que teve a garganta cortada, dividia apartamento com Amanda e outros jovens em Perugia, cidade universitária italiana, onde as duas eram estudantes de intercâmbio.

Promotores alegaram que Meredith foi vítima de um jogo sexual envolvendo uso de drogas que acabou dando errado. Amanda e Sollecito negaram qualquer transgressão e disseram que não estavam nem no apartamento naquela noite, embora tenham reconhecido que estavam sob efeito de maconha e suas memórias estavam confusas.

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Rudy Guege, da Costa do Marfim, foi condenado pelo assassinato em um processo separado e está cumprindo uma sentença de 16 anos. Amanda e Sollecito foram inicialmente condenados pelo assassinato a penas de prisão longas, mas foram absolvidos em segunda instância e libertados em 2011.

A decisão da Suprema Corte revogou as absolvições. "Ela pensava que seu pesadelo tivesse acabado", disse Carlo Dalla Vedova, advogado de Amanda após a divulgação da decisão.

O Tribunal na terça-feira também confirmou uma acusação de calúnia contra Amanda. Durante o interrogatório policial de 14 horas, Amanda acusou o dono de um pub em Perugia de matar Meredith. Por causa disso, o homem ficou detido por duas semanas, mas foi liberado por falta de evidências.

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Dalla Vedava disse que Amanda não viria para a Itália "naquele momento", mas seguiria o caso de casa. Ele disse que não acreditava que o caso vá ter início antes de 2014.

Não se sabe o que aconteceria se Amanda fosse condenada em um novo julgamento. "Se a corte ordenou outro julgamento e ela é condenada nesse julgamento e se a Suprema Corte confirmar essa condenação, então a Itália poderia tentar sua extradição", disse Dalla Vedova.

Caberia, então, aos EUA decidirem se concordam ou não em extraditá-la. Autoridades italianas e americanas também podem fazer um acordo para mantê-la nos EUA.

A corte de apelação que inocentou Amanda e Sollecito em 2011 criticou todo o caso montado pela promotoria. A corte notou que a arma do crime nunca foi encontrada, e que os testes de DNA eram falhos e que os promotores não deram razões para o assassinato.

Não ficou claro que parte da sentença da corte de apelação teve falhas para que a Suprema Corte ordenasse um novo julgamento. O advogado da família de Meredith, Francesco Maresca, disse após a decisão desta terça-feira: "Sim, era isso que queríamos."

A advogada de Sollecito, Giulia Bongirono, notou que a decisão de terça-feira não determina culpa, mas meramente a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre a decisão da corte de apelação. "É uma decisão que cancela um veredicto e ordena um novo julgamento", disse. "Não estou preocupada sobre uma leitura mais aprofundada da documentação, porque eu conheço a documentação."

Ela reconheceu que talvez a corte de apelação tenha sido "muito generosa" em decidir que o casal simplesmente não cometeu o crime, mas estava confiante que a inocência de Sollecito seria confirmada.

Com AP

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