Senhor da guerra ruandês declara inocência em crimes do Congo

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Em sua 1ª aparição perante o TPI, Ntaganda - conhecido como 'Exterminador' - rejeitou as acusações de assassinato, estupro, pilhagem e uso de crianças-soldado no leste do Congo

Reuters

O senhor da guerra Bosco Ntaganda, nascido em Ruanda e conhecido como "Exterminador", insistiu nesta terça-feira ser inocente das acusações de assassinato, estupro, pilhagem e uso de crianças-soldado no leste do Congo em sua primeira aparição perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), após sete anos sendo procurado por acusações de crimes de guerra.

Sexta: Tribunal de Haia prende senhor de guerra por atrocidades no Congo

AP
Senhor da guerra ruandês Bosco Ntaganda é visto durante sua primeira aparição perante o Tribunal Penal Internacional, em Haia

Ngudjolo: Tribunal Penal Internacional absolve comandante congolês

Ntaganda era um dos fugitivos há mais tempo procurados pela corte até inesperadamente se tornar o primeiro suspeito a se entregar voluntariamente ao buscar refúgio na semana passada na Embaixada dos EUA em Kigali, capital de Ruanda. Ele foi enviado à Holanda na sexta.

O ruandês supostamente liderou rebeldes que aterrorizaram o leste da República Democrática do Congo em confrontos brutais entre 2002 e 2003. As rebeliões tiveram apoio de Ruanda.

Descrito em sua ficha no tribunal como tendo 41 anos, Ntaganda entrou no tribunal vestido com um terno azul escuro mal-ajustado, camisa azul e gravata listrada. Ele pareceu pouco à vontade, inclinando-se e olhando para baixo no início da audiência.

Fevereiro: Líderes africanos assinam acordo de paz do Congo

Iniciativa: Médico desafia rebeldes para atender vítimas de estupro no Congo

"Fui informado sobre os crimes, mas alego inocência", disse após ouvir as acusações que pesam contra si. O juiz do caso disse que uma audiência para avaliar a força das provas dos promotores ocorrerá em 23 de setembro. Depois dela, os juízes decidirão se o caso deve ir a julgamento.

Segundo os promotores, Ntaganda era chefe de operações da União dos Patriotas Congoleses, com seu braço armado, as Forças Patrióticas para a Libertação do Congo, tendo travado uma brutal campanha militar para estabelecer o domínio político e militar para a tribo Hema sobre a rica região em recursos de Ituri, no leste do Congo, supostamente deixando 800 mortos em poucos meses.

Lubanga: TPI sentencia ex-chefe militar congolês a 14 anos por recrutar crianças

Thomas Lubanga, ex-líder dos rebeldes, tornou-se no ano passado a primeira pessoa a ser condenada na história de dez anos do TPI. Ele foi considerado culpado de recrutar e usar crianças-soldado em confrontos em Ituri e sentenciado a 14 anos. Ele entrou com uma apelação no caso.

*Com AP e Reuters

Leia tudo sobre: ntagandacongoruandatpitribunal penal internacionalhaia

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas