Kerry faz visita surpresa ao Afeganistão; EUA transferem prisão de Bagram a país

Por iG São Paulo |

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Secretário de Estado dos EUA mantém conversas com presidente Karzai em meio a temores de que sua retórica antiamericana prejudique progresso do conflito

No dia em que os EUA transferiram ao Afeganistão a prisão da Base Aérea de Bagram, a única que ainda estava sob controle americano, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, chegou a Cabul para uma visita surpresa de 24 horas para conversas com o presidente afegão, Hamid Karzai, e líderes cívicos.

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AP
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Kerry e Karzai discutem uma série de questões, incluindo a reconciliação afegã, a transferência da responsabilidade da segurança para as forças afegãs com a retirada da maioria das tropas estrangeiras do país, e as eleições no Afeganistão, disse uma autoridade a repórteres que viajam com Kerry. O encontro dos dois ocorre em meio a preocupações de que o líder afegão pode estar prejudicando o progresso na guerra contra o terrorismo com uma retórica antiamericana.

Recentemente Karzai enfureceu autoridades dos EUA ao acusar Washington de pactuar com insurgentes da milícia islâmica do Taleban para manter o Afeganistão fraco mesmo enquanto o governo Obama avança com planos para transferir a responsabilidade pela segurança do país às forças afegãs e para o fim da missão de combate da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) até o fim do próximo ano.

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A transferência do Centro de Detenção de Parwan, localizado perto da base militar dirigida pelos EUA no norte de Cabul, ocorreu um ano depois de os dois lados terem alcançado um acordo sobre a questão e seis meses depois de uma cerimônia ter marcado a entrega simbólica do controle da prisão aos afegãos.

A tranferência real não ocorreu na ocasião por causa do temor de Washington de que o governo afegão soltasse prisioneiros que considerava perigosos. O acordo foi assinado nesta segunda entre o principal comandante dos EUA no Afeganistão, general Joseph Dunford, e o ministro da Defesa afegão, Bismullah Khan Mohammadi.

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O centro de detenção abriga cerca de 3 mil prisioneiros, e a maioria já está sob controle afegão. Os EUA não entregaram cerca de cem, e alguns daqueles sob autoridade americana não têm o direito a um julgamento porque os EUA os consideram parte de um conflito em andamento.

A medida põe fim a um capítulo amargo nas relações americanas com o presidente Karzai e pode abrir caminho para a retomada de negociações sobre um acordo de segurança bilateral que governará a presença de forças dos EUA no Afeganistão depois de 2014.

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Há cerca de 100 mil soldados da coalizão estrangeira no Afeganistão, incluindo cerca de 66 mil dos EUA. Autoridades americanas não tomaram nenhuma decisão final sobre quantos soldados americanos ficarão no Afeganistão depois de 2014, embora tenham afirmado que cerca de 12 mil forças dos EUA e da coalizão poderiam permanecer.

*Com AP e Reuters

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