Ex-presidente Musharraf retorna ao Paquistão apesar de ameaças

Por iG São Paulo |

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Ele estava no exílio há quatro anos e prometeu retorno à vida política; Taleban do Paquistão afirmou que mobilizaria esquadrões da morte para enviar Musharraf 'para o inferno'

O ex-presidente Pervez Musharraf retornou neste domingo (24) ao Paquistão após mais de quatro anos no exílio, em busca da possibilidade de um retorno político em desafio às ameaças por parte dos militantes do Taleban. A viagem de Dubai à cidade portuária de Karachi foi concebida como o primeiro passo de reconstrução de sua imagem depois de anos no ostracismo político.

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Reuters
Ex-presidente do Paquistão Pervez Musharraf acena aos seus partidários na chegada ao aeroporto internacional de Karachi

Mas o ex-líder do Exército encontrou não mais que cerca de 2 mil pessoas no aeroporto, que jogaram pétalas de rosas em seu caminho e agitaram bandeiras com sua imagem - uma participação pequena para os padrões da política paquistanesa e uma prova da sua perda de apoio desde que foi pressionado a deixar o poder em 2008.

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Musharraf usou um tom desafiante quando falou aos seus partidários do lado de fora do terminal do aeroporto. Ele disse que provou que aqueles que disseram que ele jamais voltaria estavam errados e que não temia as ameças do Taleban de assassiná-lo. "Eu não estou assustado. Eu só tenho medo de Deus", disse Musharraf. "Pela salvação do meu país, onde quer que eu precise ir, eu vou."

Desde que o ex-general renunciou em meio a grande descontentamento da população, a liderança civil paquistanesa tem lutado com uma economia decadente, facções de extremistas islâmicos e tensões com Washington por causa dos ataques de drones e a caçada de Osama bin Laden em seu território em maio de 2011.

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Musharraf representa uma força polarizada que pode complicar a tentativa do Paquistão de realizar eleições parlamentares em maio e realizar sua primeira transição de um governo civil para outro.

Ele é visto como um inimigo por muitos militantes islâmicos e outros por causa de sua decisão de apoiar os EUA em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001. No sábado, o Taleban do Paquistão prometeu mobilizar esquadrões da morte para enviar Musharraf "para o inferno" caso ele retornasse.

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Os partidários de Musharraf, incluindo membros do Exército, veem nele um líder forte, cuja voz - mesmo somente no Parlamento -, pode ajudar a estabilizar o país. Ele também enfrenta acusações na Justiça, incluindo algumas relacionadas ao assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em 2007, que também ficou um tempo em exílio em Dubai antes de retornar ao Paquistão.

O voo de Dubai ocorreu após inúmeras promessas fracassadas de retorno nos últimos anos. Musharraf anunciou no início de março que ele lideraria seu partido, a Liga Muçulmana de Todo o Paquistão, nas eleições de maio.

Musharraf falou rapidamente com jornalistas em Dubai, antes de ir ao aeroporto vestindo uma veste tradicional branca e sandálias de Peshawar, região que faz fronteira com o Afeganistão. Ele se misturou aos seus partidários durante o voo para Karachi, enquanto alguns gritavam palavras de ordem de seu partido.

Musharraf escreveu em sua página no Twitter que estava "feliz por estar de volta à sua casa" logo depois que seu avião aterrissou em Karachi.

O ex-presidente planeja ficar alguns dias no hotel em Karachim onde ele e sua equipe vão traçar os planos para as eleições, informou o seu porta-voz Saima Ali Dada. Ele então viajará para Islamabad. Nesse meio tempo, sua equipe jurídica decidirá a melhor forma de responder às acusações que pesam contra ele. "Ele espera pelo melhor."

Musharraf assumiu o poder do Paquistão através de um golpe em 1999 e foi forçado a deixar seu mandato em 2008, após um descontentamento generalizado com seu governo e sob ameaça de impeachment pelos dois partidos mais poderosos do país. Desde então, ele viveu em Dubai e em Londres.

No sábado, o Taleban paquistanês divulgou um vídeo com ameaças de espalhar homens-bomba e atiradores contra Musharraf caso ele voltasse. Um dos dois militantes que aparecem nas imagens é Adnan Rashid, ex-oficial da Força Aérea do Paquistão condenado em um ataque contra Musharraf. O Taleban conseguiu libertar Rashid da prisão no ano passado, junto a outros 400 detentos.

Com AP

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