Primeiro-ministro do Líbano apresenta renúncia em meio a impasse político

Por iG São Paulo |

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Medida é tomada após Parlamento não definir nova lei eleitoral, Hezbollah rejeitar estender mandato de chefe de polícia e enquanto crescem tensões por conflito civil na vizinha Síria

AP
Primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, deixa palácio em Beirute após anunciar sua renúncia

O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, renunciou nesta sexta-feira por causa de um impasse sobre um nova lei eleitoral e da recusa do gabinete em estender o mandato de chefe de polícia do país. O presidente libanês, Michel Suleiman, deve aceitar a renúncia para que ela seja oficializada.

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A renúncia acontece em um momento de tensões crescentes e violência esporádica no Líbano amplamente vinculada à guerra civil da vizinha Síria. O Líbano e a Síria compartilham uma complexa rede de laços políticos e sectários que frequentemente estão inflamados, e muitos temem que o conflito sírio traga violência ao Líbano. Essas tensões envolveram a frágil cena política libanesa também.

Mikati disse na noite desta sexta em um discurso transmitido ao vivo pela TV que esperava que sua partida desse "um ímpeto aos líderes para assumirem suas responsabilidades". "Não há como ser leal ao Líbano e protegê-lo senão por meio do diálogo que abre o caminho para a formação de um governo de salvação que represente todos os poderes políticos do país e assuma a responsabilidade por salvar a nação", declarou.

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Atiradores que apoiam e se opõem ao presidente sírio, Bashar Assad, entraram em confronto nesta sexta em Trípoli, cidade no norte do Líbano, deixando seis mortos e mais de 20 feridos, de acordo com a estatal Agência de Notícias Nacional. Enfrentamentos entre o bairro sunita de Bab Tabbaneh, que apoia os rebeldes sírios, e o bairro alauíta adjacente de Jabal Mohsen, que apoia Assad, aconteceram repetidamente em meses recentes.

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Depois de meses de disputas, o Parlamento não foi capaz de concordar com uma lei para definir as regras de eleições previstas para o fim deste ano. O gabinete majoritariamente do Hezbollah rejeitou estender o mandato do general Ashraf Rifi, o chefe de polícia do Líbano, que considera um inimigo.

Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, disse que  os EUA estão "observando a situação no Líbano muito atentamente".

"Nossa opinião básica sobre isso é que acreditamos que a população libanesa merece um governo que reflita suas aspirações e um que fortaleça a estabilidade, a soberania e a independência do Líbano", disse. "E temos grandes preocupações sobre qual papel o Hezbollah desempenha."

*Com AP

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