Mianmar declara estado de emergência em cidade atingida por violência sectária

Por iG São Paulo |

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Ao menos 20 foram mortos em 3 dias de conflitos entre budistas e muçulmanos em Meiktila; cerca de 6 mil saíram de suas casas para buscar abrigo em delegacias e monastérios

O presidente de Mianmar, Thein Sein, declarou nesta sexta-feira (22) estado de emergência na cidade de Meiktila, após três dias de violência sectária entre budistas e muçulmanos.

O estado de emergência, anunciado pela TV estatal, permite que o Exército assuma as funções administrativas da cidade e de seus arredores, localizada no sul de Mandalay. Ao menos 20 foram mortos e mais 6 mil ficaram desabrigados desde que a luta começou, com mesquitas e casas onde vivem famílias muçulmanas sendo queimadas.

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Jovens carregam armas durante os conflitos em Meikhtila, Mianmar

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A luta do governo para conter o levante se mostra como um outro grande desafio para o governo reformista de Thein Sein, enquanto ele tenta traçar um caminho rumo à democracia após quase 50 anos de regime militar.

As cenas em Meikhtila, onde casas e ao menos cinco mesquitas foram incendiadas por multidões enraivecidas, são uma reminiscência da violência sectária entre os budistas da etnia Rakhine e os muçulmanos da etnia Rohingya, que abalou o oeste do Estado de Rakhine no ano passado, deixando centenas de mortos e mais de 100 mil desabrigados.

A violência em Meiktila é a primeira do tipo desde então. Os problemas começaram na quarta-feira, após uma discussão entre o dono de uma loja de joias muçulmano e seus clientes budistas. Um monge budista estava entre os primeiros mortos, inflamando as tensões, que levaram multidões budistas a atacar bairros muçulmanos.

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Episódios violentos continuaram na quinta-feira e, na sexta-feira, Win Htein, deputado local do partido Liga Nacional pela Democracia, de oposição, disse ter contado ao menos 20 corpos. Ele afirmou que 1,2 mil famílias muçulmanas - ao menos 6 mil pessoas - deixaram suas casas e se refugiaram em um estádio e em uma delegacia.

Na sexta-feira, a polícia apreendeu facas, espadas, martelos e bastões de jovens que andavam pelas ruas e também detiveram alguns ladrões e saqueadores.

Era difícil determinar a extensão da destruição na cidade, porque os residentes estão com medo de andar pelas ruas e se abrigaram em monastérios ou em localidades longe da violência. "Não nos sentimos seguros e nos mudamos para um monastério", disse Sein Shre, um comerciante. "A situação é imprevisível e perigosa."

Alguns monges ameaçaram jornalistas que cobriam o levante, e, em um momento, tentaram levá-los para dentro de uma van. Um monge, cujo rosto estava coberto, colocou uma adaga no pescoço de um repórter fotográfico da Associated Press e exigiu que ele lhe entregasse a câmera. O fotógrafo entregou o cartão de memória.

Um grupo de nove jornalistas se refugiou em um monastério e permaneceu lá até que uma unidade da polícia pudesse escoltá-lo com segurança. O assessor especial da Secretaria-Geral da ONU para Mianmar, Vijay Nambiar, publicou um comunicado expressando "profundo lamento pela trágica perda de vidas e destruição".

Ele disse que religiosos e os líderes de comunidade devem "publicamente pedir para que seus seguidores abdiquem da violência, respeitem a lei e promovam a paz".

AP
Residentes caminham por uma estrada perto de um prédio em chamas após conflitos sectários entre muçulmanos e budistas em Meikhtila, Mianmar (21/3)

O embaixador dos EUA em Mianmar, Derek Mitchell, também afirmou que estava "profundamente preocupado sobre os registros de violência e destruição em Meikhtila".

Meikhtila fica a cerca de 550 quilômetros ao norte da principal cidade de Yangon, com uma população de 100 mil habitantes, dos quais cerca de um terço é muçulmana, seugndo informou Win Htein. Ele disse que antes da violência dessa semana havia 17 mesquitas na cidade.

Com AP

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