Suposta amante do rei espanhol recebia para beneficiar empresas no exterior

Por iG São Paulo |

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Segundo jornal, Corinna zu-Wittgenstein recebia 3% de comissão de contratos por meio de duas contas na Suíça, supostamente abertas com ajuda do Centro de Inteligência espanhol

A princesa alemã Corinna zu Sayn-Wittgenstein cobrou comissões de 3% por seus trabalhos em favor de empresas espanholas com grandes contratos no exterior, segundo informou o jornal espanhol El Mundo. O dinheiro, que em nenhum caso vinha do governo, foi pago por essas empresas através de duas contas na Suíça.

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EFE
O rei da Espanha, Juan Carlos, em foto de arquivo (8/4/2012)

A revista Interviú, citada pelo jornal El Mundo, revela o método utilizado pela princesa Corinna para cobrar as tais comissões. Segundo explica, o Centro Nacional de Inteligência (CNI) espanhol abriu as duas contas em bancos suíços - uma no Banco da Escócia de Zurique e outra no Banco Privado de Genebra. Essa abertura foi feita com documentações falsas, mas com cobertura legal. Em nenhum dos depósitos havia qualquer rastro do nome da pricesa alemã.

O nome de Corinna se tornou conhecido do público pela primeira vez quando descobriu-se que ela era a misteriosa mulher que viajou para Botsuana com o rei Juan Carlos 1º para uma caçada de elefantes.

Em 2011: Genro de rei da Espanha é acusado de fraude e corrupção

Nos últimos dias, Corinna tem dado entrevistas falando sobre sua relação com o monarca espanhol - definida por ela como uma "íntima amizade". Fontes ouvidas por jornais europeus que afirmavam que os dois eram amantes, entretanto, afirmam que a relação entre eles esfriou nos últimos meses.

O CNI espanhol negou que tivesse qualquer participação na abertura das contas na Suíça. Ao jornal El Mundo, Corinna reconheceu ter feito trabalhos para o governo e para empresas espanhóis. Fontes do CNI citadas pela revista Interviú fazem coro ao que, em parte, foi descrito pela aristocrata alemã, que usa o título do ex-marido para ser chamada de princesa.

A princesa, segundo a publicação, ganhava uma comissão variável, mas que sempre girava em torno dos 3%. O dinheiro não era pago pelo Estado, mas por grandes empresas que haviam recebido ajuda de Corinna em seus negócios no exterior. Seus serviços eram prestados devido à recomendação direta da Casa Real.

A revista Interviú cita três intervenções da consultora internacional. Uma delas é o conhecido projeto de uma trem-bala na Arábia Saudita entre a Meca e Medina, cujo montante alcança 6,5 milhões de euros. Outra foi sua ajuda no conflito entre Gás Natural e Argélia que acabou em 2011 com um acordo positivo para a empresa espanhola. A terceira tem a ver com a tentativa da Lukoil de entrar na Repsol, algo que frustrou o governo socialista.

Este caso aprofunda ainda mais a crise em que está envolvido o rei Juan Carlos 1º da Espanha.  Corinna também tentou arranjar emprego para o genro do rei, Iñaki Urgangarín - um ex-atleta olímpico que recebeu o título de duque de Palma após casar com a princesa Cristina e é acusado de fraude fiscal e apropriação indébita. Um tribunal cobrou dele e de seu sócio 8 milhões de euro como fiança.

Corinna e o genro do rei trocaram uma série de e-mails, que envolviam um trabalho com salário de supostamente 200 mil euros anuais a Urdangarín, quantia que ele teria considerado insuficiente. "Eu estava apenas tentando encontrar um trabalho adequado para ele", defendeu-se Corinna.

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