Nobel da Paz argentino diz que papa não foi cúmplice da ditadura

Por Reuters |

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Premiado em 1980, Adolfo Perez Esquivel negou que Francisco não tenha protegido dois padres que desafiaram junta militar, afirmando que religioso preferiu a 'diplomacia discreta'

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O prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel defendeu o papa Francisco nesta quinta-feira contra acusações de que ele não criticou a repressão durante a ditadura militar de 1976 a 1983 em sua Argentina natal, dizendo que ele preferiu a "diplomacia discreta".

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Papa Francisco caminha enquanto fiel agita bandeira argentina durante cerimônia de entronização no Vaticano (19/03)

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As ligações entre alguns clérigos católicos de alto escalão e o regime militar apoiado pelos EUA, que sequestrou e matou até 30 mil esquerdistas entre 1976 e 1983, macularam a reputação da Igreja na Argentina e a ferida ainda precisa cicatrizar.

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Críticos do papa Francisco dizem que, na época, ele não protegeu padres que desafiaram a junta e disse muito pouco sobre a cumplicidade da Igreja durante o governo militar. "O papa nada tem a ver com a ditadura. Ele não foi um cúmplice da ditadura", disse Esquivel depois de uma reunião de 30 minutos com Francisco no Vaticano.

"Ele preferiu uma diplomacia discreta, perguntar sobre os desaparecidos, sobre os oprimidos. Não há provas de que ele foi um cúmplice porque ele nunca foi um cúmplice. Disso tenho certeza", disse.

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O papa, o argentino Jorge Bergoglio, não era um bispo durante a ditadura, mas era padre. Ele liderou a ordem jesuíta na Argentina de 1973 a 1979 e foi nomeado bispo em 1992.

Segundo Horacio Verbitsky, um jornalista e escritor próximo da presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, com quem Bergoglio tem uma relação espinhosa, ele retirou a proteção da ordem sobre dois padres jesuítas depois de eles se recusarem a deixar de visitar as favelas, abrindo caminho para sua captura.

O Vaticano negou as acusações e nesta quinta Esquivel, que ganhou o Nobel da Paz em 1980 por defender os direitos humanos na Argentina durante a ditadura, disse acreditar haver "muitos erros" no livro de Verbitsky sobre o período, chamado "O Silêncio".

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Esquivel, reunindo-se com repórteres em um apartamento perto do Vaticano, disse que achou o novo papa "seguro de si e determinado a cumprir sua missão", principalmente seu desejo de ajudar os pobres. "O que mais o preocupa é a situação dos pobres", disse o Nobel.

Preocupado com os padres

Francisco, o primeiro papa não europeu em 1,3 mil anos, pegou seu nome de São Francisco de Assis, um símbolo da pobreza, simplicidade, caridade e amor à natureza que viveu no século 13. "Os primeiros poucos sinais que Francisco deu são muito positivos, e espero que ele continue nesse mesmo caminho", disse Esquivel.

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Papa Francisco acena para a multidão em sua chegada a Praça de São Pedro no Vaticano (19/03)

Semana Santa: Papa fará grande celebração da Semana Santa em presídio juvenil

Desde sua eleição na semana passada, Francisco estabeleceu o tom de um papado mais humilde e pediu à Igreja que defenda os fracos e proteja o meio ambiente. Nesse sentido, o Vaticano disse nesta quinta que, por ocasião da Semana Santa, Francisco fará uma cerimônia na próxima semana na capela de uma prisão juvenil em vez de no Vaticano ou em uma basílica de Roma como ocorria anteriormente.

Ele conduzirá a missa noturna da Quinta-feira Santa na prisão Casal del Marmo para menores nos arredores de Roma. Durante a missa, o papa lava e beija os pés de 12 pessoas para comemorar o gesto de humildade de Jesus com seus apóstolos na véspera de ser crucificado.

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Todos os papas anteriores fizeram a cerimônia na Basílica de São Pedro, no Vaticano, ou na Basílica de São João Latrão, que é a catedral do papa como bispo de Roma. Quando era arcebispo de Buenos Aires, ele sempre celebrava a Quinta-feira Santa em uma prisão, hospital ou abrigo de idosos ou com os pobres.

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