Ao lado do líder palestino Mahmoud Abbas, presidente reforçou que EUA são contra os assentamentos israelenses mas não pediu diretamente pela suspensão das construções

Horas antes dos militantes palestinos dispararem ao menos dois foguetes da Faixa de Gaza em direção à cidade de Sderot , em Israel, o presidente dos EUA, Barack Obama, viajou até a cidade de Ramallah, na Cisjordânia, e renovou seu pedido por uma solução de dois Estados entre israelenses e palestinos, acrescentando que os assentamentos israelenses prejudicavam o avanço da paz.

Entretanto, durante a coletiva concedida ao lado do presidente Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina e do movimento secular Fatah, rival do Hamas, Obama não pediu especificamente pela suspensão das construções e instou os dois lados a pressionar por um amplo acordo que desse, ao mesmo tempo, soberania aos palestinos e segurança aos israelenses.

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Presidente Barack Obama (dir) cumprimenta  o presidente palestino Mahmoud Abbas antes da coletiva concedida em Ramallah, Cisjordânia
AP
Presidente Barack Obama (dir) cumprimenta o presidente palestino Mahmoud Abbas antes da coletiva concedida em Ramallah, Cisjordânia

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Obama ressaltou que os EUA continuam a se opor à construção de assentamentos israelenses nas terras reivindicadas pelos palestinos, mas afirmou que as questões de discórdias entre os dois lados não devem ser usadas como "desculpa" para não se fazer nada.

"Se a expectativa é que haverá negociações diretas apenas quando tudo estiver resolvido, então não há razões para negociações. Acredito que seja importante trabalhar nesse processo, mesmo que existam irritações em ambos os lados", disse Obama aos repórteres.

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A fala de Obama pode ser considerada uma reprodução dos comentários do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que repetidamente pede para que os palestinos retirem suas pré-condições para a retomada do diálogo de paz. As observações feitas pelo presidente americano reforçam o profundo ceticismo dos palestinos de que Obama pretende ou tem condições de usar a influência dos EUA para pressionar Israel nesse sentido.

Abbas e outras autoridades palestinas disseram que não retirariam a pré-condição, uma vez que a maior parte dos países do mundo consideram os assentamentos ilegais e não apenas um mero impedimento para o diálogo de paz. "Exigimos que o governo de Israel suspenda os assentamentos para que possamos discutir todas as nossas questões e as suas preocupações", disse Abbas na coletiva, um dos eventos da rápida visita de Obama a Cisjordânia no segundo dia de sua passagem pelo Oriente Médio. "É dever do governo de Israel que pare suas atividades de assentamento para que possamos conversar sobre os problemas."

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Durante seus primeiros quatro anos de governo, Obama ficou do lado dos palestinos na questão. Ele e seus representantes pediram que todas as construções de assentamentos cessassem. Entretanto, quando Israel relutantemente declarou 10 meses de moratória das construções, os palestinos se recusaram a retornar à mesa de negociações pouco antes do prazo expirar. O diálogo, novamente, não ocorreu.

Os palestinos querem um Estado na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e no leste de Jerusalém - territórios tomados por Israel na guerra de 1967 - mas estão dispostos a fazer pequenos ajustes para acomodar alguns assentamentos mais próximos ao território israelense. Desde 1967, Israel construiu dezenas de assentamentos na Cisjordânia e no leste de Jerusalém, que agora abrigam 560 mil israelense - um aumento de 60 mil desde que Obama assumiu a presidência.

Obama disse que os EUA seguem discordando dos assentamentos, porque "não consideramos que as construções de assentamentos sejam construtivas, apropriadas, algo que possa avançar na causa da paz". Ainda assim, ele acrescentou que as políticas internas de Israel "são complexas e eu reconheço que essa não é uma questão que será resolvida imediatamente. Não será resolvida do dia para a noite".

Presidente Barack Obama cumprimenta jogadores de um time de futebol durante visita a Ramallah, Cisjordânia
AP
Presidente Barack Obama cumprimenta jogadores de um time de futebol durante visita a Ramallah, Cisjordânia

Ele afirmou também que os palestinos merecem um Estado independente e o fim das ocupações por Israel. Segundo Obama, a perspectiva de um Estado palestino ao lado de um Estado judeu continua a existir se as negociações forem reiniciadas. "Acredito absolutamente que ainda é possível, mas eu acho que é muito difícil", disse Obama.

Mesmo antes de conversar por duas horas com Abbas, dezenas de palestinos no centro da capital Ramallah protestaram contra o viés americano em favor de Israel. Obama deve "tomar uma ação imediata para impedir a construção de assentamentos", disse Mustafá Barghouti, um líder ativista palestino.

Ontem, durante visita ao Estado judeu, Obama reafirmou o firme compromisso dos EUA com a segurança de Israel e acrescentou que não houve ataques fatais contra israelenses no ano passado a partir da Cisjordânia, controlada por Abbas.

Essa calmaria, entretanto, não se estende a Gaza, que é governada pelo movimento islãmico Hamas, e Obama disse que seria de grande ajuda se foguetes não fossem lançados em direção de Israel. Enquanto Obama iniciava sua programação desta quinta-feira, a polícia de Israel afirmou que militantes em Gaza dispararam dois foguetes contra Israel. O ataque não deixou nenhum ferido. Obama condenou o incidente durante a coletiva.

Com informações da AP e do jornal The New York Times

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