Confrontos a menos de um mês da eleição presidencial de 14 de abril deixam ao menos dez feridos; polícia usa gás lacrimogêneo para dispersar grupos rivais

Confrontos entre jovens opositores e partidários do ex-presidente Hugo Chávez deixaram ao menos dez feridos nesta quinta-feira no centro de Caracas, a menos de um mês das eleições gerais de 14 de abril, convocadas após a morte do mandatário, em 5 de março. A polícia venezuelana disparou gás lacrimogêneo para dispersar os grupos.

Pesquisa: Maduro tem vantagem de 14,4 pontos sobre Capriles na Venezuela

Polícia venezuelana fica entre grupo de opositores de Chávez (E) e partidários de ex-presidente em Caracas
AP
Polícia venezuelana fica entre grupo de opositores de Chávez (E) e partidários de ex-presidente em Caracas

Culto à imagem:  Morte de Chávez aumenta demanda por tatuagens de seu retrato

Centenas de estudantes tentavam chegar ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para exigir "eleições limpas", mas foram interceptados por partidários do governo, segundo uma testemunha da Reuters.

"Estamos aqui fazendo uma luta pacífica e eles sempre atacam. Posso aguentar pedras, todas que forem necessárias", disse à Reuters Carlos Vargas, estudante de 19 anos ferido no olho direito pelo impacto de uma pedra. "Não somos contra ninguém e nada, a única coisa que pedimos é democracia. Exigimos eleições justas", acrescentou.

O país petrolífero escolherá seu próximo presidente entre o herdeiro político de Chávez, o presidente interino Nicolás Maduro , e o opositor Henrique Capriles .

Decisão: Suprema Corte da Venezuela confirma Maduro como líder interino e candidato

Segundo duas pesquisas divulgadas nesta semana, Maduro tem uma vantagem superior a 14 pontos sobre seu opositor.

Em nome de Chávez

Desde a morte de Chávez, há 16 dias, seu sucessor não perdeu nenhuma oportunidade de afirmar sua lealdade ao presidente socialista da Venezuela, mencionando o ex-líder por 3.456 vezes, segundo um site que fez essa contagem.

Maduro: Novo líder da Venezuela mimetiza Chávez enquanto busca própria identidade

Isso corresponde a mais de 200 vezes por dia, num esforço de Maduro para transformar a emoção despertada pela morte de Chávez em votos na eleição presidencial.

Voto em 14 de abril: Capriles desafia Maduro a debate antes de eleição na Venezuela

"Se a nossa contagem é real? Sim, realmente dedicamos nosso tempo a perseguir - ou melhor, seguir - Maduro por rádio e TV, e assim poder levar as melhores estatísticas a você", diz um texto introdutório do site madurodice.com ("maduro diz") ao lado do gráfico que, em tom de ironia, mostra quantas vezes Maduro disse as palavras "Chávez", "comandante" ou outras referências ao líder.

Dia 15: Venezuelanos invadem ruas para cortejo do caixão de Chávez até museu

O site está chamando muita atenção durante a corrida eleitoral, especialmente entre os detratores de Maduro, que o acusam de usar o caixão de Chávez como acessório de propaganda política. Milhões de chavistas ainda lamentam a morte dele, e qualquer tentativa de atenuar ou ironizar a memória de Chávez é algo muito delicado.

Partidários do presidente Hugo Chávez, morto no dia 5, queimam bandeira com logo de campanha de opositor Henrique Capriles em Caracas
Reuters
Partidários do presidente Hugo Chávez, morto no dia 5, queimam bandeira com logo de campanha de opositor Henrique Capriles em Caracas

O próprio Maduro se queixou nesta semana após ser acusado pela oposição de ser uma "não entidade" envolvendo-se inteiramente na imagem e nos símbolos de Chávez.

Perspectiva: Forças Armadas podem representar desafio para herdeiro de Chávez

"Se não querem que digamos o nome de Chávez, cantemos e gritemos seu nome 1 milhão de vezes!", declarou. "Se querem que esqueçamos Chávez, vamos levá-lo em nossos corações, nos muros, nas ruas, nas escolas e nas fábricas", acrescentou Maduro em um discurso, enquanto a multidão gritava que "Chávez vive" e "a revolução continua".

Um irônico observador dos assuntos venezuelanos, o analista financeiro Russ Dallen, disse que as constantes referências de Maduro a Chávez chegaram a ensejar um jogo etílico.

Análise: Para bem ou mal, Chávez alterou a identidade da Venezuela

"Ouça uma ‘cadena' (pronunciamento em cadeia de rádio e TV) e tome uma bebida cada vez que ele disser ‘Chávez'", escreveu a clientes. "Infelizmente, não é bem um jogo - você fica bêbado nos primeiros 15 minutos!"

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.