Onda de ataques atinge Iraque na véspera de invasão americana completar 10 anos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelos atentados que deixaram ao menos 60 mortos; explosões atingiram regiões xiitas, forças de segurança e pontos de ônibus

Uma onda de explosões tomou as ruas de Bagdá nesta terça-feira (19) deixando ao menos 60 mortos na véspera dos dez anos da invasão ao Iraque liderada pelos EUA. Os ataques provam a instabilidade do país mais de um ano após a retirada das tropas americanas

Segundo a rede britânica BBC, os atentados deixaram 60 mortos, enquanto a agência Associated Press aponta 65 mortos. O número de feridos supera 200.

Episódios de violência têm se tornado cada vez mais comuns no Iraque desde que sunitas e xiitas quase levaram o país a uma guerra civil entre 2006 e 2007. Mas os insurgentes continuam a executar ataques mortais enquanto as rivalidades étnicas e sectárias vêm deteriorando a unidade nacional.

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Carro-bomba explode perto da Zona Verde, onde ficam os principais gabinetes do governo e embaixadas, em Bagdá, no Iraque

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O simbolismo dos ataques desta terça-feira (19) foi forte, com a chegada do dia em que, há dez anos, Washington liderou a invasão com uma campanha de bombardeios aéreos em 19 de março de 2003 - antes do amanhecer do dia seguinte no Iraque.

A ação militar rapidamente depôs Saddam Hussein, mas por anos abriu espaço para resistência de militantes e para ataques sectários entre sunitas e xiitas, deixando 4,5 mil americanos e 100 mil iraquianos mortos. Uma década depois, a estabilidade do Iraque e a força de sua democracia permanecem como questões em aberto.

O país está inquestionavelmente mais livre e mais democrático em comparação à era de Saddam Hussein. Mas o Iraque tem um governo comandado pelos xiitas muito mais próximo ao Irã que aos EUA e enfrenta a minoria sunita, que era dominante sob a liderança de Saddam. 

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Os ataques aparentemente coordenados desta terça incluíram carros-bomba e explosivos presos na parte de baixo de veículos. As explosões tiveram como alvo forças de segurança do governo, regiões xiitas, pequenos restaurantes e pontos de ônibus em um período de mais de duas horas, segundo policiais e autoridades hospitalares.

Nenhum grupo até o momento reivindicou responsabilidade pelas explosões, mas os ataques parecem ter a marca da Al-Qaeda no Iraque. O grupo terrorista, que prefere ataques com carros-bomba e explosões coordenadas com a intenção de minar a confiança pública no governo, tem buscado reafirmar sua presença nas últimas semanas.

Os episódios de violência tiveram início por volta das 8 horas (2 horas em Brasília), quando uma bomba explodiu do lado de fora de um restaurante no bairro de Mashtal, em Bagdá. 

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Minutos depois, uma bomba colocada na beira de uma estrada atingiu um ponto de encontro de diaristas na região de Nova Bagdá. A favela xiita do distrito de Cidade Sadr foi atingida por três explosões.

Hussein Abdul-Khaliq, funcionário do governo que vive em Cidade Sadr, disse que ouviu uma explosão e, quando saiu para ver o que se passava, encontrou um micro-ônibus em chamas. "Ajudamos algumas mulheres e crianças a sair do ônibus pegando fogo antes da chegada das equipes de resgate. Nossas roupas ficaram cobertas de sangue enquanto tentávamos resgatar pessoas presas", disse. "Os ataques de hoje são uma nova prova de que os políticos e as autoridades de segurança são um grande fracasso."

O ataque que deixou mais vítimas aconteceu às 10 horas (4 horas em Brasília). Um carro-bomba próximo ao Ministério do Trabalho no bairro de Qahira, leste do Bagdá, deixou sete mortos. Outro carro-bomba explodiu do lado de fora de um restaurante perto de um dos principais portões da fortificada Zona Verde, onde ficam os principais gabinetes do governo, incluindo as embaixadas dos EUA e do Reino Unido. 

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Ao norte da capital, um morteiro caiu perto de uma clínica em Taji, enquanto uma bomba colocada à beira de uma estrada atingiu uma patrulha do Exército em Tamiyah.

Um carro-bomba também explodiu perto de um ponto de ônibus no sul da capital em Iskandiriyah. Ataques em outros locais em Bagdá deixaram mais 20 mortos nos principais bairros xiitas de Ssainiyah, Zafarniyah, Kazimiyah, Shula e Utaifiya.

Com AP

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