Guatemala inicia julgamento de ex-ditador Ríos Montt por genocídio

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Justiça determinou em janeiro de 2012 que ex-governante fosse levado a julgamento por morte de mais de 1,7 mil indígenas durante guerra civil do país centro-americano

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Ex-ditador da Guatemala Efrain Ríos Montt dá coletiva em 26/01/2012

Começou nesta terça-feira o julgamento do ex-ditador guatemalteco Efraín Ríos Montt por acusações de genocídio e crimes contra a humanidade. É a primeira vez que um Judiciário nacional submete um ex-mandatário local a um processo desse tipo.

2012: Ex-ditador da Guatemala será julgado por genocídio

Ríos Montt governou a Guatemala em 1982 e 1983, período particularmente sangrento na longa guerra civil do país centro-americano. Durante décadas, ele se beneficiou de uma lei que concedia imunidade a ocupantes de cargos públicos.

Mas em 2012 ele deixou o Congresso e em janeiro a Justiça determinou que ele fosse levado a julgamento por causa dos indícios relacionados à morte de mais de 1,7 mil indígenas num plano contra a insurgência que foi executado sob suas ordens.

A procuradora-geral Claudia Paz y Paz disse à Reuters que o julgamento "é histórico". "Não podemos deixar milhares de mortos na impunidade. A justiça tem um efeito reparador, e temos de dar justiça às vítimas."

Os advogados do ex-ditador alegam que ele não controlava a execução das operações e não houve um genocídio na Guatemala.

A promotoria diz que Ríos Montt fez vista grossa a violações, torturas e incêndios provocados por soldados no combate a insurgentes de esquerda, e o acusam de perseguir indígenas do grupo ixil. Antes de entrar no julgamento, Ríos Montt disse que "guardaria silêncio".

Estima-se que 200 mil civis tenham morrido na guerra civil guatemalteca (1960-96), que deixou também 45 mil desaparecidos.

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