Maduro tem vantagem de 14,4 pontos sobre Capriles na Venezuela

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Um dos temas dominantes da eleição de 14 de abril é a criminalidade, com candidatos se confrontando sobre a violência que torna o país um dos mais perigosos do mundo

O presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, tem uma vantagem de 14,4 pontos porcentuais nas intenções de voto para as eleições presidenciais de 14 de abril, revelou nesta segunda-feira o Barclays, citando a pesquisa de um instituto de prestígio.

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Reuters
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Maduro tem a preferência de 49,2% dos eleitores pesquisados, frente a 34,8% do candidato opositor Henrique Capriles. A sondagem da Datanálisis foi feita entre 11 e 13 de março, segundo o Barclays.

Um dos temas dominantes da campanha vem sendo a criminalidade, com os dois candidatos se confrontando sobre os assassinatos diários, assaltos armados e sequestros que fazem do país sul-americano um dos mais perigosos do mundo.

Momentos depois de ter-se registrado para disputar a votação de abril, Maduro prometeu ir a pé, desarmado, para as favelas mais perigosas de Caracas e pedir às gangues para baixar as armas. "Vamos assim, com o peito nu!", disse Maduro no evento de campanha, abrindo seu casaco com a bandeira da Venezuela para revelar uma camiseta vermelha estampada com os olhos do líder Hugo Chávez, que morreu em 5 de março após uma luta de quase dois anos contra um câncer.

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Temores sobre a segurança pessoal rotineiramente lideram as preocupações dos eleitores do país com as maiores reservas mundiais de petróleo, apesar dos muitos programas iniciados por Chávez durante seus 14 anos de governo terem se destinado a derrubar os homicídios.

AP
Presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, gesticula em feira de livros perto de retrato de herói da independência Simon Bolívar (13/03)

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Em um relatório na semana passada, o Programa de Desenvolvimento da ONU disse que apenas Honduras, El Salvador, Costa do Marfim e Jamaica tiveram taxas piores do que as da Venezuela, de 45,1 assassinatos por 100 mil pessoas. A taxa nos Estados Unidos foi de 4,2.

O governo venezuelano admite que o país sofre mais crimes violentos do que a maior parte da região. Mas acusa os políticos de oposição de exagerar o problema e descaradamente alimentar temores para manchar a "revolução" socialista de Chávez.

Capriles, de 40 anos, governador centrista que acusa Maduro de explorar a emoção com a morte de Chávez em um esforço para ganhar a eleição, deu início a uma turnê pelas províncias no fim de semana. Ele chama Maduro de uma imitação pobre de Chávez.

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"Você acha que Nicolás resolverá o problema da violência? Não é abrindo o seu casaco e dizendo 'eu sou o Super-Homem e estou indo para não sei onde'", disse Capriles. "Gostaria de deixar minha casa às 23 horas, meia-noite, para que meus filhos possam sair e eu não ficar com medo. Podemos fazer isso hoje? Podemos viver assim? Não."

Judiciário fraco

Na raiz do problema criminal do país, dizem especialistas, está a proliferação de armas de fogo e drogas, e um sistema de Justiça fraco que permite que a maioria dos crimes fica impune. Na onda de ataques a vítimas de destaque estão os sequestros de um jogador da liga principal de beisebol dos EUA e diplomatas de México, Chile, Bielo-Rússia e Costa Rica nos últimos meses.

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O governo diz que houve 16 mil homicídios em todo o país no ano passado. Organizações não governamentais citam um dado maior. O Observatório da Violência da Venezuela disse que sua estimativa conservadora para 2012 foi de mais de 21 mil assassinatos. Sem dados detalhados das autoridades, não é possível confrontar os números.

Mais atingidos pelas gangues de criminosos são os moradores de áreas pobres, que vivem em favelas onde o falecido presidente encontrava seus seguidores mais fervorosos. Os eleitores raramente responsabilizam Chávez pessoalmente pela alta taxa de criminalidade. Alguns o viam quase como um membro da família, outros quase em termos religiosos. Maduro tenta criar o mesmo tipo de vínculo emocional, mas não tem o carisma de Chávez.

Ajuda a Cuba

Em outro tema da campanha, o candidato opositor Capriles disse estar disposto a deixar de entregar petróleo a Cuba, o que colocaria fim a um dos pactos petrolíferos mais defendidos por Chávez. "Os presentes a outros países vão acabar. Não sairá mais nenhuma só gota de petróleo para financiar o governo dos (irmãos) Castro", disse em discurso a universitários.

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Ele advertiu que, se eleito, também fechará a torneira que abastece com petróleo outros países aliados da Venezuela com condições vantajosas para os compradores. Sob uma emaranhada rede de convênios internacionais, Caracas entrega petróleo a cerca de 20 países do Caribe, América Central e América do Sul.

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Caracas e Havana assinaram um convênio em 2000 sob o qual a Venezuela se comprometeu a entregar petróleo a Cuba em troca da prestação de serviços médicos às populares missões empreendidas por Chávez para atender aos segmentos mais pobres da sociedade.

O convênio foi se ampliando e Cuba começou a prestar serviços em setores como mineração, esporte, eletricidade, entre outras áreas da economia. "Castro usa os venezuelanos, usa nosso povo, para que esse governo fique rico. Não é o povo, os povos são irmãos", acrescentou Capriles.

A petrolífera estatal PDVSA afirmou que, em 2011, a Venezuela forneceu 96,3 mil barris de petróleo por dia a Cuba, um volume que tem se mantido estável.

*Com Reuters

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