Fiéis enfrentam maratona para primeiro encontro com papa

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Estilo simples e comunicativo de Francisco agrada católicos que lotaram a Praça de São Pedro, no Vaticano, para o primeiro Ângelus do pontificado

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As ruas vizinhas do Vaticano foram parcialmente fechadas neste domingo para a Maratona de Roma. Mas os fieis não se importaram com os obstáculos. Muitos esperaram os corredores passarem para, então, buscar um lugar onde se acomodar em meio à multidão que desde cedo se concentrou na praça São Pedro, para o primeiro "Ângelus" – um ato religioso – celebrado pelo papa Francisco.

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Na Via da Conziliazione, a avenida que dá em frente ao Vaticano, um grupo de seminaristas latino-americanos tentava acomodar com pressa as bandeiras da Argentina, do Peru e do Brasil no mesmo mastro. "Aqui não há concorrência", brincou o argentino Danilo Aranda, da cidade do Chaco. "Mas agora eu preciso correr", disse, seguindo o grupo de amigos que tentava se aproximar ao máximo do Palácio Apostólico, de onde o primeiro papa das Américas logo daria sua benção.

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"Estou muito feliz por estar aqui. Temos um papa eleito pelo Espírito Santo, mas que é latino-americano e é argentino", disse, respondendo às perguntas enquanto caminhava a passos largos, antes de desaparecer em meio à multidão.

Enquanto os fiéis se acomodavam na grande esplanada, telões transmitiam o fim da missa rezada por Francisco na igreja de Santa Anna, nos jardins do Vaticano.

Do apartamento papal, benção de Francisco teve momentos descontraídos. Foto: ReutersMuitos argentinos prestigiaram o o papa Francisco na Praça de São Pedro. Foto: ReutersPapa falou da importância da misericórdia para milhares de fiéis que foram até a Praça de São Pedro. Foto: APPapa Francisco abençoa fiéis da janela do apartamento papal. Foto: APFiéis lotaram a Praça de São Pedro para acompanhar o Ângelus. Foto: APPapa cumprimentou fiéis no Vaticano. Foto: Reuters


Ângelus
Às 11h59 de Roma, um minuto antes do previsto, o papa Francisco apareceu na janela do Palácio Apostólico. Foi acolhido com aplausos, gritos e saudações dos fiéis, em seu primeiro compromisso na Praça de São Pedro. Em seu primeiro grande encontro com os fiéis após seu anúncio como pontífice, Francisco falou sobre a "misericórdia de Deus" e o que, segundo ele, seria sua ilimitada capacidade de perdoar. "Vocês já pensaram na paciência de Deus? É sua misericórdia. Ele não se cansa de nos perdoar, se soubermos voltar para ele com o coração arrependido. É grande a misericórdia de Deus", disse.

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"A misericórdia torna o mundo menos frio e mais justo. Somos nós que nos cansamos de perdoar." O novo papa também mostrou preferir um estilo mais informal ao celebrar atos religiosos, incluindo anedotas em seus sermões em vez de referências teológicas mais rebuscadas.

Simpatia
O ato religioso e as declarações feitas pelo papa nos últimos dias foram bem recebidas pelos fiéis nas imediações do Vaticano.

"Ele já conquistou os católicos", disse Carla Coppini. "É o oposto do papa Bento 16. É muito simples, muito comunicativo, não é frio. Todo mundo já gosta desse papa. Não vou sentir saudades do outro", disse.

"Eu já fui à missa hoje na minha igreja e já se sente algo diferente. Sobretudo porque o papa agora é um 'papa dos pobres'. Por isso resolvi vir aqui. Enfrentei a maratona no caminho, mas estou feliz", contou.

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A expressão utilizada por Carla é uma referência a uma declaração feita por Francisco em uma audiência para a imprensa no sábado. O novo papa disse que gostaria de uma Igreja "pobre e para os pobres".

Ao fim do discurso deste domingo, depois que o pontífice desejou um "bom domingo e um bom almoço" a todos, parte dos fiéis começou a se retirar da praça. Mas muita gente permaneceu, cantando e até dançando.

Um grupo do Sri Lanka entoava cantos locais. Italianos e latino-americanos levaram violão e logo a praça se tornou um cenário de festa. Entre os fiéis, um casal de Vitória (ES) comemorava os 15 anos em que haviam ficado noivos em Roma. Claudia Pereira e Marcos Pereira se disseram "encantados" com o papa. Eles contam que chegaram "atrasados" para o anúncio da indicação do novo pontífice.

"Foi uma correria, mas estamos aqui. Ele foi muito acolhedor. De cara já conquistou todo mundo. Só de escolher o nome de Francisco já é uma mostra de humildade, de amor aos pobres", disse Cláudia.

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