Clérigo faz chamado inusitado por reforma na Arábia Saudita

Por Reuters |

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Xeque Salman al-Awdah escreveu uma carta aberta na internet em que alerta sobre o perigo da estagnação no país gerar uma onda de violência

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Um dos principais clérigos da Arábia Saudita fez um raro alerta ao governo ao dizer que o país corre o risco de enfrentar "uma onda de violência" se as autoridades não tomarem medidas sobre os prisioneiros, serviços de má qualidade e corrupção.

Durante as revoltas da Primavera Árabe, a Arábia Saudita, reino conservador islâmico, evitou grandes agitações entre a população de maioria muçulmana sunita como as ocorridas em outros países. Isso foi alcançado após o rei Abdullah ter se comprometido em destinar 110 bilhões de dólares em benefícios sociais e depois de os poderosos clérigos terem apoiado a proibição de manifestações de protesto.

Qualquer sinal de oposição pública ao governo é acompanhado de perto pelo governo do país, o maior exportador de petróleo do mundo. Nos últimos meses se tornaram cada vez mais frequentes pequenas manifestações de famílias de pessoas detidas sob a acusação de serem militantes islâmicos.

O xeque Salman al-Awdah, conservador que foi preso 1994-99 por ativismo em prol de mudanças políticas e é seguido por 2,4 milhões de pessoas no Twitter, expressou suas preocupações em uma carta aberta na mídia social na Internet.

Ele descreveu uma atmosfera clima de estagnação no país, que ele disse ser causada pela falta de moradias, desemprego, pobreza, corrupção, fracos sistemas de ensino e saúde, a situação dos prisioneiros e a ausência de qualquer perspectiva de reforma política.

"Se as revoluções são reprimidas, se transformam em ação armada, e se elas são ignoradas, se expandem e se espalham. A solução está em decisões sábias e em agir de modo oportuno para evitar qualquer faísca de violência", escreveu ele.

A maioria das manifestações sobre a questão dos presos costumava envolver apenas algumas dezenas de pessoas, mas no final de fevereiro 161 manifestantes foram detidos em Bureidah, na província central de Qassim.

Awdah escreveu que os sauditas, "como as pessoas em todo o mundo" não iriam permanecer "sempre em silêncio sobre a perda de todos ou de parte" dos seus direitos e acrescentou que "quando alguém perde a esperança, não se deve esperar nada da pessoa".

As autoridades sauditas toleram muito pouco a dissidência em público. Já a corrente Wahhabi, a denominação muçulmana oficial do país, desencoraja o envolvimento político.

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