Vaticano nega que papa tenha mantido silêncio durante ditadura argentina

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo Federico Lombardi, acusações se devem a 'elementos antirreligiosos de esquerda que são usados para atacar a Igreja'

O Vaticano negou veementemente nesta sexta-feira acusações feitas por alguns críticos na Argentina de que o papa Francisco tenha se mantido em silêncio frente aos abusos sistemáticos aos direitos humanos cometidos durante a ditadura militar no país.

Saiba mais: Entenda acusações contra atuação do papa Francisco na ditadura argentina

Reuters
Fiéis agitam bandeira argentina após fumaça branca ser emitida da chaminé da Capela Sistina, indicando eleição de novo papa (13/03)

Reações: Manifestações de apoio e repúdio a papa Francisco dividem argentinos

Livro: Dúvidas sobre passado minaram chances de Bergoglio ser papa em 2005

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que as acusações devem ser "clara e firmemente negadas". Ele acrescentou: "Elas revelam elementos antirreligiosos de esquerda que são usados para atacar a Igreja."

Críticos ao cardeal Jorge Bergoglio, o ex-arcebispo de Buenos Aires que se tornou papa esta semana, acusam-no de não ter protegido padres que desafiaram a ditadura durante o regime militar de 1976 a 1983 e de pouco ter-se manifestado sobre a cumplicidade da Igreja durante o regime.

Habemus papam: Argentino Bergoglio é eleito papa e adota nome de Francisco

As acusações dizem respeito a uma época anterior a Bergoglio se tornar bispo, quando ele era o líder dos jesuítas na Argentina. Dois padres sequestrados pelo governo militar alegaram que Bergoglio não os protegeu.

"Nunca houve uma acusação concreta e crível em relação a ele. A Justiça argentina o interrogou uma vez, mas ele nunca foi acusado de nada", disse Lombardi. "Ele documentou suas negações às acusações. Há também muitas declarações que mostram como Bergoglio tentou proteger muitas pessoas em seu tempo durante a ditadura militar. Seu papel é claramente notado." "Quando ele se tornou bispo, promoveu a causa da reconciliação na Igreja da Argentina", disse o porta-voz.

Alguns ativistas de direitos humanos na Argentina questionaram as credenciais morais de Francisco desde sua eleição como papa por causa das alegações sobre o período da "guerra suja". A reputação da Igreja argentina foi manchada por ligações entre alguns altos clérigos católicos e a junta militar que sequestrou e matou até 30 mil militantes de esquerda.

Apelo pela evangelização

AP
Papa Francisco tropeça ao se preparar para cumprimentar cardeais na Sala Clementina, Vaticano

Nesta sexta, o papa Francisco pediu a líderes da Igreja Católica, minada por escândalos e crises, para nunca ceder ao pessimismo e à amargura e para manter os olhos na verdadeira missão da Igreja, conclamando-os a "encontrar novas formas de levar a evangelização para o fim do mundo". A declaração foi feita a cerca de 150 cardeais, incluindo os que não participaram do conclave de sua eleição por terem mais de 80 anos, que se reuniram na Sala Clementina para cumprimentá-lo.

"Que nunca nos entreguemos ao pessimismo, a essa amargura, que o diabo coloca diante de nós todo dia. Que não cedamos ao pessimismo e ao desânimo", disse o papa.

Nesta sexta: Papa Francisco pede esforço pela evangelização

Francisco falou a cardeais em italiano a partir um texto preparado, mas muitas vezes adicionando comentários de improviso, no que já se tornou a marca registrada de um estilo nitidamente contrastante com seu antecessor, Bento 16.

Ele disse aos cardeais que o papel das pessoas mais velhas na Igreja é passar otimismo e esperança para as gerações mais jovens que procuram orientação espiritual, em um mundo moderno cheio de tentações.

"Estamos na terceira idade. A velhice é o trono da sabedoria", disse, falando devagar. "Como um bom vinho que se torna melhor com a idade, passemos para os jovens a sabedoria da vida."

Após a eleição: Papa Francisco celebra missa com cardeais na Capela Sistina

Primeiro dia após eleição: Francisco dispensa carro oficial e reza em basílica de Roma

Durante a reunião, ele tropeçou brevemente enquanto descia os degraus diante de seu trono para cumprimentar Angelo Sodano, decano dos cardeais, mas recuperou rapidamente o equilíbrio.

Após seu discurso, Francisco cumprimentou cada um dos 150 cardeais no recinto. Ele permaneceu de pé, enquanto passava cerca de um minuto com cada um deles e muitas vezes deu risadas.

Foto fornecida pelo jornal do Vaticano L'Osservatore Romano mostra papa Francisco celebrando missa com cardeais na Capela Sistina (14/03). Foto: APPor telão na Praça de São Pedro, pessoas acompanham missa inaugural do papa Francisco com cardeais na Capela Sistina, no Vaticano (14/03). Foto: APRecém-eleito papa, Francisco celebra missa com cardeais na Capela Sistina (14/03). Foto: ReutersPapa Francisco celebra sua missa inaugural com os cardeais dentro da Capela Sistina, no Vaticano (14/03). Foto: APBatina do papa recém-eleito Francisco voa com o vento na porta da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma (14/03). Foto: ReutersPapa Francisco deposita flores no altar dentro da Basílica de Santa Maria Marior, em Roma (14/03). Foto: APPapa Francisco fala aos fiéis no Vaticano. Ele foi eleito no segundo dia de conclave (13/03). Foto: APFiéis tentam registrar com tablets e celulares o anúncio do novo papa, no Vaticano (13/03). Foto: APFiéis acompanham a primeira benção do papa Francisco 1º (13/03). Foto: ReutersFrancisco 1º é o nome pelo novo papa, o cardeal Jorge Bergoglio, da Argentina. Foto: APProtodiácono francês Jean-Louis Pierre Tauran anuncia identidade do novo papa: cardeal Jorge Bergoglio, da Argentina (13/03/2013). Foto: APCardeal francês Jean-Louis Tauran aparece na janela e diz "Habemus Papam", que significa 'Temos Papa' em latim (13/03). Foto: ReutersFiéis comemoram escolha do novo papa após badalar dos sinos na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03). Foto: ReutersFiéis comemoram escolha do novo papa após badalar dos sinos na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03/2013). Foto: ReutersFiéis aguardam com ansiedade pelo anúncio do nome do novo papa da Igreja Católica na Praça de São Pedro, Vaticano (13/03/2013). Foto: APMultidão celebra após chaminé da Capela Sistina expelir fumaça branca na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03/2013). Foto: APMultidão de fiéis vê fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina na Praça de São Pedro no Vaticano (13/03/2013). Foto: APFumaça branca sai da chaminé da Capela Sistina, indicando que um novo papa foi eleito (13/03/2013). Foto: APMulher segura terço enquanto espera votação de novo papa no segundo dia do conclave no Vaticano (13/03). Foto: APFumaça preta emerge da chaminé da Capela Sistina na manhã desta quarta-feira no Vaticano. Foto: APVisitantes se reúnem na Praça de São Pedro enquanto os cardeais se reúnem em conclave papal no Vaticano (13/03). Foto: APVisitantes esperam que fumaça saia pela chaminé da Capela Sistina na Praça de São Pedro (13/03). Foto: APHomem descalço ajoelha em prece na Praça de São Pedro durante conclave dos cardeais (13/03). Foto: APFreiras caminham pelas Colunas Bernini na Praça de São Pedro no segundo dia do conclave (13/03). Foto: APPeregrinos carregam cruz através da Praça de São Pedro enquanto cardeais se reúnem em conclave na Capela Sistina (13/03). Foto: APSob chuva, mulher reza na Praça São Pedro, no Vaticano (13/03). Foto: APFumaça preta sai da chaminé na Capela Sistina na Praça São Pedro, Vaticano nesta terça-feira (12/03). Foto: APFeminista é detida por policiais após protestar contra o papa na Praça São Pedro durante o conclave (12/03). Foto: APFiéis aguardam na Praça São Pedro a fumaça saída da chaminé da Capela Sistina (12/03). Foto: APHomem vestido de monge ajoelha na Praça São Pedro enquanto o conclave se inicia na Capela Sistina (12/03). Foto: ReutersPessoas assistem ao início do conclave pelos telões espalhados na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFreira assiste à missa celebrada por Angelo Sodano em telão na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFreiras se reúnem para a eleição do novo papa ao lado de fora da Basílica de São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFiéis assistem à missa na Basílica de São Pedro por meio de telões na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APCardeal participa da missa que celebra eleição do papa realizada por Angelo Sodano na Capela Sistina, no Vaticano (12/03). Foto: APCardeal brasileiro Dom Odilo Scherer deixa a Basílica de São Pedro após realização de missa (12/03). Foto: ReutersCardeal Peter Turkson, de Gana, participa da missa que abre os trabalhos do conclave na Basílica de São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: ReutersCardeal decano Angelo Sodano celebra missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, antes do início do conclave (12/03). Foto: Reuters

No sábado, o papa fará uma audiência especial à mídia e, no domingo, deve fazer uma aparição pública na tradicional benção de Ângelus, segundo o porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi. Sua missa inaugural, com a presença de chefes de Estado, será realizada na terça. Sem data marcada, também está programada para os próximos dias uma visita ao papa emérito Bento 16, que faz seu retiro em Castel Gandolfo, ao sul de Roma.

*Com Reuters e BBC

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas