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Segundo Federico Lombardi, acusações se devem a 'elementos antirreligiosos de esquerda que são usados para atacar a Igreja'

O Vaticano negou veementemente nesta sexta-feira acusações feitas por alguns críticos na Argentina de que o papa Francisco tenha se mantido em silêncio frente aos abusos sistemáticos aos direitos humanos cometidos durante a ditadura militar no país.

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Fiéis agitam bandeira argentina após fumaça branca ser emitida da chaminé da Capela Sistina, indicando eleição de novo papa (13/03)
Reuters
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O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que as acusações devem ser "clara e firmemente negadas". Ele acrescentou: "Elas revelam elementos antirreligiosos de esquerda que são usados para atacar a Igreja."

Críticos ao cardeal Jorge Bergoglio , o ex-arcebispo de Buenos Aires que se tornou papa esta semana, acusam-no de não ter protegido padres que desafiaram a ditadura durante o regime militar de 1976 a 1983 e de pouco ter-se manifestado sobre a cumplicidade da Igreja durante o regime.

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As acusações dizem respeito a uma época anterior a Bergoglio se tornar bispo, quando ele era o líder dos jesuítas na Argentina. Dois padres sequestrados pelo governo militar alegaram que Bergoglio não os protegeu.

"Nunca houve uma acusação concreta e crível em relação a ele. A Justiça argentina o interrogou uma vez, mas ele nunca foi acusado de nada", disse Lombardi. "Ele documentou suas negações às acusações. Há também muitas declarações que mostram como Bergoglio tentou proteger muitas pessoas em seu tempo durante a ditadura militar. Seu papel é claramente notado." "Quando ele se tornou bispo, promoveu a causa da reconciliação na Igreja da Argentina", disse o porta-voz.

Alguns ativistas de direitos humanos na Argentina questionaram as credenciais morais de Francisco desde sua eleição como papa por causa das alegações sobre o período da "guerra suja". A reputação da Igreja argentina foi manchada por ligações entre alguns altos clérigos católicos e a junta militar que sequestrou e matou até 30 mil militantes de esquerda.

Apelo pela evangelização

Papa Francisco tropeça ao se preparar para cumprimentar cardeais na Sala Clementina, Vaticano
AP
Papa Francisco tropeça ao se preparar para cumprimentar cardeais na Sala Clementina, Vaticano

Nesta sexta, o papa Francisco pediu a líderes da Igreja Católica, minada por escândalos e crises , para nunca ceder ao pessimismo e à amargura e para manter os olhos na verdadeira missão da Igreja, conclamando-os a "encontrar novas formas de levar a evangelização para o fim do mundo". A declaração foi feita a cerca de 150 cardeais , incluindo os que não participaram do conclave de sua eleição por terem mais de 80 anos, que se reuniram na Sala Clementina para cumprimentá-lo.

"Que nunca nos entreguemos ao pessimismo, a essa amargura, que o diabo coloca diante de nós todo dia. Que não cedamos ao pessimismo e ao desânimo", disse o papa.

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Francisco falou a cardeais em italiano a partir um texto preparado, mas muitas vezes adicionando comentários de improviso, no que já se tornou a marca registrada de um estilo nitidamente contrastante com seu antecessor, Bento 16 .

Ele disse aos cardeais que o papel das pessoas mais velhas na Igreja é passar otimismo e esperança para as gerações mais jovens que procuram orientação espiritual, em um mundo moderno cheio de tentações.

"Estamos na terceira idade. A velhice é o trono da sabedoria", disse, falando devagar. "Como um bom vinho que se torna melhor com a idade, passemos para os jovens a sabedoria da vida."

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Durante a reunião, ele tropeçou brevemente enquanto descia os degraus diante de seu trono para cumprimentar Angelo Sodano, decano dos cardeais, mas recuperou rapidamente o equilíbrio.

Após seu discurso, Francisco cumprimentou cada um dos 150 cardeais no recinto. Ele permaneceu de pé, enquanto passava cerca de um minuto com cada um deles e muitas vezes deu risadas.

No sábado, o papa fará uma audiência especial à mídia e, no domingo, deve fazer uma aparição pública na tradicional benção de Ângelus, segundo o porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi. Sua missa inaugural, com a presença de chefes de Estado, será realizada na terça . Sem data marcada, também está programada para os próximos dias uma visita ao papa emérito Bento 16, que faz seu retiro em Castel Gandolfo, ao sul de Roma.

*Com Reuters e BBC

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