Premiê assina 1º acordo em uma década que exclui partidos ultraortodoxos do governo. Yair Lapid assumirá Finanças após sua legenda centrista ter sido maior surpresa de eleição

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assinou nesta sexta-feira com partidos rivais um acordo de coalizão para formar o próximo governo, em um acordo que ficou em um impasse durante semanas por causa de duras negociações. A nova coalizão é a primeira em uma década a excluir partidos judeus ultraortodoxos.

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Yair Lapid fala a partidários na sede do centrista Yesh Atid em Tel-Aviv (23/01)
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Yair Lapid fala a partidários na sede do centrista Yesh Atid em Tel-Aviv (23/01)

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Sob o novo acordo, o ex-âncora de TV Yair Lapid , cujo centrista Yesh Atid (Partido Futuro) foi a maior surpresa na eleição de janeiro em Israel, foi nomeado ministro das Finanças.

Defendendo questões rotineiras da classe média israelense, o Yesh Atid obteve 19 das 120 cadeiras do Parlamento, sendo o segundo mais votado depois da aliança Likud-Beiteinu, de direita, de Netanyahu, que ganhou 31 cadeiras.

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Depois de quase seis semanas de negociações, o Yesh Atid concordou na quinta em se unir a um governo liderado por Netanyahu. Outros partidos que compõem o novo governo são o Bayit Yehudi (Lar Judaico) além de um acordo com a sigla centrista menor ' O Movimento ', liderada pela ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni.

Lapid, que sucederá a Yuval Steinitz assim que um novo governo tomar posse, foi eleito com uma plataforma de amenizar as pressões financeiras sobre a classe média por meio da necessidade de dividir o fardo - uma rejeição aos privilégios dados aos judeus ultraortodoxos.

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O novo ministro enfrenta um grande desafio fiscal na tentativa de reduzir um déficit orçamentário que atingiu 4,2% do Produto Interno Bruto de 2012, o dobro de um alvo inicial de 2%.

Para atingir uma meta de déficit de 3% do PIB em 2013, o governo precisará cortar 14 bilhões de shekels (US$ 3,8 bilhões) em gastos do Estado e aumentar impostos em cerca de 6 bilhões de shekels, de acordo com o banco central.

Zach Herzog, chefe das vendas internacionais na Psagot Securities, disse que Lapid terá de provar aos mercados que pode administrar a política fiscal. "Do pouco que pode ser colhido de seus pontos de vista econômicos, ele estará bastante em linha com a política econômica de centro-direita", disse Herzog. "Ele fará cortes nos serviços sociais e benefícios infantis. É parte da plataforma dele."

Apesar do conhecimento mínimo de economia, Lapid receberá o benefício da dúvida dos investidores, pelo menos no início. "Segundo sua agenda, ele está no caminho de satisfazer os mercados", disse Eyal Klein, estrategista-chefe do IBI Investment House e ex-gestor de dívida externa do Ministério das Finanças.

*Com Reuters e AP

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