China nomeia Li Keqiang como novo primeiro-ministro

Por Reuters |

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Burocrata com fluência em inglês, novo premiê terá missão de reavivar o crescimento da segunda maior economia do mundo por meio de uma expansão liderada pelo consumo

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O Congresso chinês escolheu formalmente Li Keqiang como novo primeiro-ministro do país nesta sexta-feira, colocando um burocrata com fluência em inglês no comando da segunda maior economia do mundo, com o objetivo de reavivar o crescimento por meio de uma expansão liderada pelo consumo.

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A imensa maioria do Congresso Nacional do Povo, como esperado, escolheu Li, de 57 anos, para suceder a Wen Jiabao. Cerca de 3 mil delegados reunidos no Grande Salão do Povo, em Pequim, para votar na nomeação de Li, colocaram o selo final de aprovação em uma transição geracional de poder.

Li recebeu apenas três votos contrários, e houve seis abstenções no Parlamento cuidadosamente selecionado. Li levantou-se e apertou a mão de Xi Jinping, que foi eleito presidente pelo Congresso na quinta, enquanto parlamentares aplaudiam. Um radiante Wen caminhou até Li, apertou sua mão, e ambos conversaram.

Embora Xi seja o líder máximo do país, Li chefia o Conselho do Estado da China, ou gabinete, e é responsável por executar a política do governo e supervisionar a economia.

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O novo premiê tem pela frente desafios como reduzir a disparidade entre ricos e pobres, diminuir a dependência da economia em relação aos grandes investimentos e conter uma valorização irracional do mercado imobiliário, o que causa ressentimentos na classe média.

"Acredito que nesta classe (de novos líderes) sua intenção de reformar seja bastante forte", disse Chen Ziming, comentarista político independente em Pequim. "Ele tem uma estreita relação com economistas de mentalidade reformista. Vimos por seus discursos depois do 18º congresso partidário que a diferença entre eles (reformistas) e ele (Li) não é grande."

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Mais do que qualquer outro líder partidário chinês até hoje, Li esteve imerso no ambiente intelectual e político das reformas promovidas durante uma década por Deng Xiaoping, a partir do final da década de 1970.

Como aluno da Universidade de Pequim, Li foi amigo de ardorosos ativistas pró-democracia, dos quais alguns viriam a desafiar abertamente o controle do Partido Comunista sobre a China. Entre seus amigos havia ativistas que partiriam para o exílio depois da repressão governamental às manifestações pró-democracia de 1989 na Praça da Paz Celestial.

"Ele tem um melhor entendimento sobre com os ocidentais pensam", disse à Reuters uma fonte familiarizada com a política externa chinesa.

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Li, que é formado em Direito e doutor em Economia, tomará as rédeas de uma economia cujo crescimento desacelerou em 2012 para seu menor nível em 13 anos, embora a uma taxa de 7,8%, que é motivo de inveja para outras grandes economias mundiais.

Década perdida

Analistas descrevem o período de Wen como uma década perdida, em que as reformas econômicas se desaceleraram e as indústrias estatais ou paraestatais reforçaram seu controle sobre a economia.

Xi e Li terão entre suas tarefas mais urgentes apresentar um plano para estabilizar o mercado imobiliário, depois de os preços das moradias chegarem a duplicar na última década nas grandes cidades.

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Em toda a China, a população se ressente do agravamento das disparidades. Existem na China 2,7 milhões de milionários (patrimônio superior a US$ 1 milhão) e 215 bilionários, segundo a publicação Hurun Report, ao passo que 13% dos seus 1,2 bilhão de habitantes vivem com menos de US$ 1,25 por dia, segundo a ONU. A renda média anual nos ambientes urbanos é de apenas 21.810 iuanes (US$ 3,5 mil).

A manutenção dessa situação e de uma bolha imobiliária pode criar uma situação de descontentamento que ameace o controle do Partido Comunista sobre o poder. Outro desafio é ampliar o mercado interno para uma economia que hoje é basicamente exportadora de produtos baratos.

Desde que foi elevado ao posto de número 2 do Partido Comunista, em novembro, Li tem defendido o processo de urbanização da China, com a intenção de trazer 400 milhões de pessoas para a cidade em uma década. Na quinta, a China também nomeou Zhou Qiang, ex-dirigente partidário na Província de Hunan (sul), como presidente da Corte Popular Suprema.

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