Premiê israelense Netanyahu fecha acordo para coalizão

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Em vez de ultraortodoxos, partidos de centro e de extrema direita compõem coalizão. Novo governo deve tomar posse poucos dias antes de visita de presidente Barack Obama

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, fechou acordos para um governo de coalizão nesta quinta-feira, refletindo uma mudança para o centro na política do país e uma agenda interna que colocou de lado o processo de paz com os palestinos.

No controle de 68 das 120 cadeiras do Parlamento, espera-se que o novo governo do líder de direita assuma o cargo na próxima semana, poucos dias antes da visita do presidente dos EUA, Barack Obama - a primeira a Israel desde que tomou posse na Casa Branca.

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AP
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vota em seção eleitoral de Jerusalém (22/01)

"Há um governo", disse a porta-voz do partido de Netanyahu, o Likud, Noga Katz, citando acordos com o centrista Yesh Atid (Partido Futuro) e o partido de extrema direita Bait Yehudi (Lar Judaico), além de um acordo com uma sigla menor liderada pela ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni.

Os parceiros de longa data de Netanyahu, os partidos ultraortodoxos que foram efetivamente vetados pelo Yesh Atid e pelo Bait Yehudi por causa dos benefícios sociais e isenções do alistamento militar a judeus religiosos, não estarão na nova coalizão, que nasceu após as eleições parlamentares de 22 de janeiro.

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A exclusão dos partidos religiosos representa uma mudança política para um país cada vez mais voltado para a agenda interna, após os surpreendentemente fortes desempenhos nas urnas do Yesh Atid, liderado pelo ex-âncora de TV Yair Lapid, e pelo Bait Yehudi, comandado pelo milionário da alta tecnologia Naftali Bennett.

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Embora Lapid tenha defendido a retomada das negociações de paz com os palestinos, paralisadas desde 2010, seu resultado como segundo partido mais votado foi reflexo de um foco renovado nas questões públicas básicas, como o alto custo de vida.

"Viemos para a política especificamente para influenciar as políticas de saúde e bem-estar. chegou a hora de começar a trabalhar", afirmou o parlamentar Adi Kol, do Yesh Atid, ao Canal 10 da TV.

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Netanyahu voltará sua atenção novamente para a questão palestina e para o programa nuclear do Irã em suas conversas com Obama, com quem ele tem um relacionamento complicado. Entretanto, autoridades americanas disseram que Obama não viajará com qualquer plano de paz, e expectativas de qualquer movimento rápido no caminho das negociações entre israelenses e palestinos são baixas.

"Esperamos que esse governo israelense escolha a paz e as negociações, e não assentamentos e ditados", afirmou o principal negociador palestino, Saeb Erekat.

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