Capriles desafia Maduro a debate antes de eleição na Venezuela

Por iG São Paulo |

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Campanha para eleições de 14 de abril até agora é dominada por acusações mútuas e insinuações de homossexualidade em relação a candidato da oposição

O candidato da oposição à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, desafiou nesta quinta-feira seu adversário, o presidente interino Nicolás Maduro, a enfrentá-lo em um debate público, numa campanha dominada até agora por insultos e acusações mútuas.

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Líder da oposição Henrique Capriles mostra seu registro como candidato presidencial nas eleições de 14 de abril (11/03)

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A corrida para as eleições de 14 de abril ganhou fôlego no país petroleiro, que deve escolher o sucessor do presidente Hugo Chávez, morto na semana passada, entre Maduro, seu herdeiro político, e o candidato centrista Capriles, que é governador do Estado de Miranda.

O candidato opositor, que nas eleições presidenciais de outubro perdeu para Chávez por uma margem considerável, mas teve o melhor resultado da oposição contra o então líder venezuelano, vem sendo alvo de ataques verbais de Maduro, que vão desde xingamentos de "fascista" a insinuações sobre sua sexualidade.

A ira de Maduro foi desencadeada após Capriles colocar em dúvida os relatos oficiais sobre os detalhes da morte de Chávez, que no dia 5 perdeu sua batalha contra um câncer, deixando em comoção o país que governou por 14 anos com uma cruzada socialista que provocou amor e ódio.

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O candidato do governo disse que poderia considerar um debate apenas se o governador pedisse desculpas. Mas Capriles devolveu a bola novamente para a esquerda, nesta quinta-feira.

"Se qualquer palavra minha foi mal interpretada, se qualquer palavra minha feriu algum sentimento dos parentes do presidente, segue meu pedido de desculpas", disse Capriles, de 40 anos, em entrevista a uma estação de rádio local.

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"Demos as desculpas, façamos um debate", afirmou. "Vamos discutir os problemas dos venezuelanos e as soluções para os problemas dos venezuelanos", acrescentou.

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Presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, gesticula em feira de livros perto de retrato de herói da independência Simon Bolívar (13/03)

A estratégia do governo é associar Capriles a setores da direita que querem eliminar os programas sociais que Chávez montou para beneficiar diretamente a população pobre com as enormes receitas do petróleo no país e que sempre foram um dos pilares da sua grande popularidade.

Mas Capriles, que em dezembro obteve um triunfo para a oposição nas eleições regionais ao manter o Estado de Miranda, promete continuar combatendo a pobreza com um modelo econômico de centro e tenta frustrar a estratégia de Maduro de se mostrar como uma continuação de Chávez.

Insinuações sobre homossexualidade

Em comício nesta semana, Maduro retomou insinuações alusivas à vida sexual de Capriles, que é solteiro. "Eu tenho uma esposa, sabem? Gosto de mulheres!", disse Maduro, que também chamou o rival de "princesinha".

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O comentário causou risos na plateia, e alguns partidários de Maduro gritaram insultos explícitos ao líder oposicionista. O incidente enfureceu os seguidores de Capriles, que, segundo pesquisas de opinião, dificilmente sairá vencedor nas eleições.

"Acredito numa sociedade em que ninguém se sinta excluído por causa da sua forma de pensar, da raça, das crenças ou da orientação sexual", disse Capriles, que já teve namoradas conhecidas no passado e disse que espera encontrar uma mulher para começar uma família em breve.

No ano passado, em meio à campanha eleitoral na disputa contra Chávez, um comentarista da TV estatal mostrou supostos documentos policiais dizendo que Capriles teria sido flagrado mantendo uma relação sexual com outro homem em um carro.

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A oposição se queixou formalmente de imagens de armas de fogo apontadas para TVs com a imagem de Capriles. A ONG local União Afirmativa da Venezuela disse que Maduro deveria se desculpar por suas declarações.

"Há algum tempo, ele chamou os opositores de ‘gayzinhos'. Como defensores dos direitos humanos, protestamos e ele pediu desculpas naquela ocasião", disse o coordenador do grupo, José Ramón Merentes. "Agora ele reincidiu e mostrou uma atitude homofóbica que parece apelar à cultura machista da América Latina a fim de denegrir o candidato da oposição e lhe tirar votos."

Mas a oposição também recorre a insultos. Chávez, que era odiado por muitos dos seus detratores, foi várias vezes retratado como um palhaço grosseiro, ou teve sua imagem associada a macacos. Na atual campanha, grupos da oposição colocaram para circular imagens irônicas em que Maduro é visto dirigindo um ônibus - sua antiga profissão.

Veja as imagens da despedida a Chávez na Veenzuela:

Tela com vídeo de Hugo Chávez é vista em frente de lugar onde funeral de presidente venezuelano ocorre em Caracas (08/03). Foto: APFoto divulgada pelo Palácio de Miraflores mostra autoridades do governo venezuelano dando as mãos sobre caixão de presidente Hugo Chávez durante funeral de Estado (08/03). Foto: APPresidente cubano, Raúl Castro, saúda o caixão do presidente Hugo Chávez na Academia Militar em Caracas (08/03). Foto: APCom Lula, presidente Dilma Rousseff comparece ao velório de Hugo Chávez em Caracas, na Venezuela (07/03). Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Partidários do Hugo Chávez são refletidos em poça d'água enquanto fazem fila para ver corpo de líder na Academia Militar de Caracas. Foto foi girada em 180 graus (07/03). Foto: ReutersVestido com camiseta com imagem do presidente venezuelano, Hugo Chávez, homem segura bandeira da Venezuela durante tributo a líder morto no dia 5 (06/03). Foto: ReutersMulher ergue o punho em saudação a Hugo Chávez diante do caixão do presidente venezuelano, morto na terça-feira (7/3). Foto: APVenezuelana chora ao ver o corpo do presidente venezuelano Hugo Chávez na Academia Militar em Caracas (7/3). Foto: APVenezuelanos fazem fila do lado de fora da Academia Militar onde o corpo do presidente Hugo Chávez é velado em Caracas (7/3). Foto: APMilhares acompanham cortejo fúnebre do presidente Hugo Chávez em Caracas (06/03). Foto: APMulher segura pequena foto de Hugo Chávez durante cortejo fúnebre do presidente venezuelano em Caracas (06/03). Foto: APGuarda-costas entram com caixão com corpo de Hugo Chávez na Academia Militar de Caracas, onde será velado até sexta (06/03). Foto: APPessoas caminham ao lado de caixão de Hugo Chávez coberto com bandeira venezuelana em Caracas (06/03). Foto: APCaixão coberto pela bandeira venezuelana leva corpo do presidente Hugo Chávez durante cortejo fúnebre em Caracas (06/03). Foto: APVice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (2º à D), segura braço de líder boliviano, Evo Morales, em Caracas (06/03). Foto: APCaixão com o corpo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, passa por ruas de Caracas depois de deixar hospital militar onde morreu na terça-feira (06/03). Foto: ReutersPartidários de Hugo Chávez choram do lado de fora de hospital militar onde presidente venezuelano morreu na terça-feira aos 58 anos (06/03)
. Foto: APVenezuela chora segurando foto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contra o rosto do lado de fora de hospital militar em Caracas (06/03). Foto: APPartidários do presidente Hugo Chávez choram enquanto seguram cartazes em que se lê 'Eu sou Chávez' durante homenagem a líder venezuelano na Praça Bolívar, Caracas (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez seguram cartaz em que se leem 'Sejamos como Chávez' e 'Proibido esquecer' durante homenagem a líder venezuelano, morto nesta terça, em Caracas (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez reagem ao anúncio de sua morte em frente ao hospital militar em que ele estava internado, em Caracas (05/03). Foto: ReutersPartidário do presidente Hugo Chávez expressa dor pela morte do líder venezuelano em frente ao hospital militar em Caracas (05/03). Foto: ReutersPartidária de Hugo Chávez reage ao anúncio da morte do presidente venezuelano em Caracas (05/03). Foto: Reuters'Chávez, nosso libertador do século 21', diz cartaz nas mãos de partidários de Hugo Chávez após sua morte (05/03). Foto: ReutersVenezuelanos choram após o anúncio da morte do presidente Hugo Chávez em Caracas (05/03). Foto: ReutersVenezuela chora ao saber da morte de Hugo Chávez, anunciada pelo vice-presidente em Caracas (05/03). Foto: ReutersVenezuelanos cantam após o anúncio da morte de Chávez (05/03). Foto: APMulher chora na frente do hospital militar em Caracas onde Hugo Chávez morreu (05/03). Foto: APVenezuelanas se abraçam e choram do lado de fora do hospital militar onde Chávez estava internado (05/03). Foto: APAlguns escolheram andar com motos por Caracas empunhando bandeiras, para homenagear Hugo Chávez (05/03). Foto: ReutersMulheres choram e se abraçam após o anúncio da morte de Chávez pelo vice Nicolas Maduro (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez reagem ao anúncio de sua morte, feito em Caracas (05/03). Foto: APHomens reagem à notícia da morte de Chávez em Caracas (05/03). Foto: ReutersApoiadoras de Chávez se abraçam ao receber as notícias de sua morte (05/03). Foto: AP

Suposto plano contra Capriles

Na quarta, Maduro disse que a "extrema direita" americana trama a morte de Capriles. "Detectamos planos da extrema direita, ligados aos grupos de Roger Noriega e Otto Reich (ex-funcionários do governo de George W. Bush), para cometer um atentado contra o candidato presidencial de oposição", disse Maduro em discurso pela TV.

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Ele não entrou em detalhes, mas afirmou que um general de alta patente se reuniria com assessores do líder oposicionista. O governo dos EUA e a campanha de Capriles não se pronunciaram.

Chávez frequentemente acusava os EUA de tramar contra a estabilidade do seu governo, mas críticos dizem que isso era uma cortina de fumaça para causar a sensação de uma ameaça "imperialista" e distrair os venezuelanos dos problemas cotidianos.

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Maduro não explicou por que direitistas poderiam querer matar Capriles, um centrista favorável ao livre mercado. Noriega, ex-secretário-assistente de Estado americano, disse que a acusação de Maduro é um "completo absurdo". "Eles chamam você daquilo que eles são e acusam você de fazer o que eles fazem. É assim que eles operam", disse Noriega. Reich não foi localizado para comentar.

Dias atrás, assessores de Capriles disseram que o candidato da oposição não registrou sua candidatura pessoalmente, na segunda, porque havia recebido informações sobre planos para um atentado.

Em janeiro, Maduro disse que grupos não identificados haviam entrado no país com a intenção de cometer um ataque contra ele próprio e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

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Nesta semana, Maduro disse também que a Venezuela vai estabelecer uma investigação formal pelas suspeitas de que o câncer que matou Chávez tenha resultado de um envenenamento realizado por inimigos estrangeiros dele.

*Com Reuters

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