Presidente Cristina Kirchner parabeniza novo papa argentino

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Relações entre mandatária e então cardeal Jorge Bergoglio tiveram momentos de tensão e frieza; influência da Igreja na política argentina foi reduzida na era Kirchner

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, cumprimentou nesta quarta-feira (13) o seu compatriota Jorge Bergoglio, o primeiro latino-americano a ser eleito papa na Igreja Católica.

"É nosso desejo que tenha, ao assumir a condução e guia da Igreja, uma frutífera tarefa pastoral desempenhando responsabilidades tão grandes para com a justiça, a igualdade, a fraternidade e a paz da humanidade", disse a mandatária em carta publicada em sua conta na rede social Twitter.

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AP
Em dezembro de 2008, presidente argentina Cristina Kirchner cumprimenta o então Arcebispo de Buenos Aires Jorge Bergoglio em Lujan

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Bergoglio, que escolheu ser chamado de Francisco, foi eleito surpreendentemente no segundo dia do conclave para definir o sucessor de Bento 16, que renunciou inesperadamente no mês passado.

Relações tensas

As relações entre a presidente e o novo papa tiveram alguns momentos de tensão no passado, tanto que, a influência política de Bergoglio parou na porta do palácio presidencial depois que Néstor Kirchner e Cristina assumiram o governo do país.

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As críticas do então arcebispo não impediram a Argentina de se tornar o primeiro país da América Latina a legalizar o casamento gay ou fizeram com que a líder do país parasse de promover a contracepção gratuita e a inseminação artificial.

A Igreja de Bergoglio não teve nenhuma voz quando a Suprema Corte argentina expandiu o acesso aos abortos legais em casos de estupro. Quando Bergoglio argumentou que as adoções por gays eram uma discriminação contra as crianças, Cristina comparou seu tom "às épocas medievais e à Inquisição".

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Muitos argentinos também continuam irritados com o reconhecido fracasso da Igreja em confrontar abertamente o regime militar no país (1966 - 1973) que sequestrava e matava milhares em sua tentativa de eliminar "elementos subversivos" na sociedade. Esse é um dos motivos por que mais de dois terços dos argentinos se descrevem como católicos, mas menos de 10% vão regularmente às missas.

Veja imagens da eleição do novo papa:

Foto fornecida pelo jornal do Vaticano L'Osservatore Romano mostra papa Francisco celebrando missa com cardeais na Capela Sistina (14/03). Foto: APPor telão na Praça de São Pedro, pessoas acompanham missa inaugural do papa Francisco com cardeais na Capela Sistina, no Vaticano (14/03). Foto: APRecém-eleito papa, Francisco celebra missa com cardeais na Capela Sistina (14/03). Foto: ReutersPapa Francisco celebra sua missa inaugural com os cardeais dentro da Capela Sistina, no Vaticano (14/03). Foto: APBatina do papa recém-eleito Francisco voa com o vento na porta da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma (14/03). Foto: ReutersPapa Francisco deposita flores no altar dentro da Basílica de Santa Maria Marior, em Roma (14/03). Foto: APPapa Francisco fala aos fiéis no Vaticano. Ele foi eleito no segundo dia de conclave (13/03). Foto: APFiéis tentam registrar com tablets e celulares o anúncio do novo papa, no Vaticano (13/03). Foto: APFiéis acompanham a primeira benção do papa Francisco 1º (13/03). Foto: ReutersFrancisco 1º é o nome pelo novo papa, o cardeal Jorge Bergoglio, da Argentina. Foto: APProtodiácono francês Jean-Louis Pierre Tauran anuncia identidade do novo papa: cardeal Jorge Bergoglio, da Argentina (13/03/2013). Foto: APCardeal francês Jean-Louis Tauran aparece na janela e diz "Habemus Papam", que significa 'Temos Papa' em latim (13/03). Foto: ReutersFiéis comemoram escolha do novo papa após badalar dos sinos na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03). Foto: ReutersFiéis comemoram escolha do novo papa após badalar dos sinos na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03/2013). Foto: ReutersFiéis aguardam com ansiedade pelo anúncio do nome do novo papa da Igreja Católica na Praça de São Pedro, Vaticano (13/03/2013). Foto: APMultidão celebra após chaminé da Capela Sistina expelir fumaça branca na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03/2013). Foto: APMultidão de fiéis vê fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina na Praça de São Pedro no Vaticano (13/03/2013). Foto: APFumaça branca sai da chaminé da Capela Sistina, indicando que um novo papa foi eleito (13/03/2013). Foto: APMulher segura terço enquanto espera votação de novo papa no segundo dia do conclave no Vaticano (13/03). Foto: APFumaça preta emerge da chaminé da Capela Sistina na manhã desta quarta-feira no Vaticano. Foto: APVisitantes se reúnem na Praça de São Pedro enquanto os cardeais se reúnem em conclave papal no Vaticano (13/03). Foto: APVisitantes esperam que fumaça saia pela chaminé da Capela Sistina na Praça de São Pedro (13/03). Foto: APHomem descalço ajoelha em prece na Praça de São Pedro durante conclave dos cardeais (13/03). Foto: APFreiras caminham pelas Colunas Bernini na Praça de São Pedro no segundo dia do conclave (13/03). Foto: APPeregrinos carregam cruz através da Praça de São Pedro enquanto cardeais se reúnem em conclave na Capela Sistina (13/03). Foto: APSob chuva, mulher reza na Praça São Pedro, no Vaticano (13/03). Foto: APFumaça preta sai da chaminé na Capela Sistina na Praça São Pedro, Vaticano nesta terça-feira (12/03). Foto: APFeminista é detida por policiais após protestar contra o papa na Praça São Pedro durante o conclave (12/03). Foto: APFiéis aguardam na Praça São Pedro a fumaça saída da chaminé da Capela Sistina (12/03). Foto: APHomem vestido de monge ajoelha na Praça São Pedro enquanto o conclave se inicia na Capela Sistina (12/03). Foto: ReutersPessoas assistem ao início do conclave pelos telões espalhados na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFreira assiste à missa celebrada por Angelo Sodano em telão na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFreiras se reúnem para a eleição do novo papa ao lado de fora da Basílica de São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFiéis assistem à missa na Basílica de São Pedro por meio de telões na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APCardeal participa da missa que celebra eleição do papa realizada por Angelo Sodano na Capela Sistina, no Vaticano (12/03). Foto: APCardeal brasileiro Dom Odilo Scherer deixa a Basílica de São Pedro após realização de missa (12/03). Foto: ReutersCardeal Peter Turkson, de Gana, participa da missa que abre os trabalhos do conclave na Basílica de São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: ReutersCardeal decano Angelo Sodano celebra missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, antes do início do conclave (12/03). Foto: Reuters

Sob a liderança de Bergoglio, os bispos argentinos publicaram um pedido de desculpas coletivo em outubro de 2012 pelo fracasso da Igreja em proteger seu rebanho nesse período. Mas o comunicado veio tarde demais para alguns ativistas, que acusaram o cardeal de estar mais preocupado com a imagem da Igreja do que em ajudar nas investigações sobre o período da ditadura - abertas com o fim da lei da anistia na era Kirchner.

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Por duas vezes, Bergoglio invocou seu direito de não comparecer no tribunal, e quando efetivamente testemunhou, em 2010, suas respostas foram evasivas, segundo disse a advogada de direitos humanos Myriam Bergman.

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Depois desse episódio, pouca ternura restou nas relações entre Cristina e Bergoglio. O relacionamento ficou tão apático que a presidente deixou de comparecer ao seu anual discurso "Te Deum", quando líderes da Igreja tradicionalmente falam aos líderes políticos sobre o que está errado na sociedade.

Com Reuters e AP

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