Francisco é o primeiro papa da América Latina

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Conhecido até esta quarta como Jorge Bergoglio, argentino é citado como um homem humilde que negou a si mesmo os luxos desfrutados por outros cardeais em Buenos Aires

Francisco é o primeiro papa latino-americano e das Américas, um jesuíta intelectual que modernizou a conservadora Igreja Católica argentina.

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Conhecido até esta quarta-feira como Jorge Bergoglio, de 76 anos, Francisco é citado como um homem humilde que negou a si mesmo os luxos que foram antes desfrutados por outros cardeais em Buenos Aires. Há informações de que no último conclave, em 2005, ele ficou em segundo lugar em várias rodadas de votação antes de desistir de concorrer na disputa que elegeu Bento 16.

Grupos de partidários seguraram bandeiras argentinas na Praça de São Pedro enquanto Francisco, vestido com uma simples roupa branca, fez sua primeira aparição pública como papa. "Irmãs e irmãos, boa noite", disse antes de fazer uma referência a suas raízes latino-americanas, região que tem cerca de 40% dos católicos romanos do mundo.

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Bergoglio frequentemente pegou o ônibus para ir ao trabalho, cozinhou suas próprias refeições e visitou regularmente as favelas que cercam a capital argentina, Buenos Aires. Ele considera que o alcance social, em vez de batalhas doutrinais, é a questão essencial da Igreja.

Ele acusou colegas da Igreja de hipocrisia e de esquecer que Jesus Cristo banhou leprosos e alimentou-se juntamente com prostitutas. "Jesus nos ensina de outra forma: Saiam. Saiam e compartilhem seu testemunho, saiam e interajam com seus irmãos, saiam e peçam: Tornem-se o mundo em corpo assim como em espírito", ele disse a padres argentinos no ano passado.

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O legado de Bergoglio como cardeal inclui seus esforços para reparar a reputação de uma Igreja que perdeu milhares de fiéis ao fracassar em desafiar abertamente a sangrenta ditadura da Argentina (1976-83).

Ele também trabalhou para recuperar a influência política tradicional da Igreja na sociedade, mas suas claras críticas à presidente Cristina Kirchner não a impediram de impor medidas socialmente liberais que são um anátema para a Igreja, do casamento gay e adoção por homossexuais ao contraceptivos gratuitos para todos.

"Em nossa região eclesiática, há padres que não batizam as crianças de mães solteiras porque não foram concebidas na santidade do casamento", disse aos padres. "Essas são as hipocrisias de nosso tempo. Aqueles que clericalizam a Igreja. Aqueles que separam as pessoas de Deus da salvação."

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Bergoglio sempre se sentiu mais confortável em um papel discreto, e seu estilo pessoal era a antítese do esplendor do Vaticano. "É algo muito curioso: Quando os bispos se encontram, ele sempre quer se sentar na fileira de trás. Esse sentimento de humildade é muito bem visto em Roma", disse Sergio Rubin, autor de uma biografia autorizada sobre o então cardeal argentino, antes do conclave para escolher o sucessor de Bento 16.

Veja trajetória de Francisco 1º em imagens:

Papa Francisco coloca suas vestes de papa após anúncio de seu nome na varanda da Basílica de São Pedro, no Vaticano, em 13 de março de 2013. Foto: APCardeal argentino Jorge Bergoglio fala com fiéis do lado de fora da Igreja de San Cayetano em Buenos Aires em 7 de agosto de 2009. Foto: APCardeal argentino Jorge Bergoglio realiza missa do lado de fora da Igreja San Caetano em Buenos Aires em 7 de agosto de 2009. Foto: APEntão papa Bento 16 aperta as mãos do arcebispo de Buenos Aires Jorge Bergoglio em 13 de janeiro de 2007. Foto: APCardeal argentino Jorge Bergoglio celebra missa em honra ao papa João Paulo 2º na Catedral de Buenos Aires, em 4 de abril de 2005. Foto: APFoto dos anos 1950 mostra Jorge Mario Bergoglio, direita, posa com colegas de escola preparatória em Buenos Aires, Argentina. Foto: AP

Infográfico 1: Conheça os cardeais que participaram de conclave para eleger novo papa

A influência política de Bergoglio pareceu ter parado na porta do palácio presidencial depois que Nestor Kirchner e sua mulher, Cristina, assumiram o governo argentino. Suas críticas abertas não impediram a Argentina de se tornar o primeiro país da América Latina a legalizar o casamento gay ou fizeram com que a líder do país parasse de promover a contracepção gratuita e a inseminação artificial.

Sua Igreja não teve nenhuma voz quando a Suprema Corte argentina expandiu o acesso aos abortos legais em casos de estupro. Quando Bergoglio argumentou que as adoções por gays eram uma discriminação contra as crianças, Cristina comparou seu tom "às épocas medievais e à Inquisição".

Esse tipo de demonização é injusta, disse Rubin, que obteve uma entrevista extremamente rara de Bergoglio para sua biografia, "O Jesuíta".

"Bergoglio é um progressista, mesmo um teólogo da libertação? Não. Ele não é um padre do terceiro mundo. Ele critica o Fundo Monetário Internacional e o neoliberalismo? Sim. Ele passa muito tempo nas favelas? Sim", disse Rubin.

Bergoglio defendeu sua austeridade. Mesmo antes de se tornar o principal líder da Igreja na Argentina, em 2001, ele nunca viveu na mansão religiosa ornamentada onde o papa João Paulo 2º ficava ao visitar o país, preferindo uma simples cama em um prédio do centro, aquecida por um pequeno forno nos fins de semana gélidos.

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AP
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Infográfico 3: Saiba mais sobre as vestimentas do papa

Bergoglio quase nunca concedeu entrevistas, limitando-se a fazer discursos do púlpito, e sempre relutou a contradizer seus críticos, mesmo quando sabia que as alegações contra si eram falsas, disse Rubin.

Essa atitude ficou clara enquanto ativistas de direitos humanos tentaram forçá-lo a responder questões desconfortáveis sobre o que as autoridades da Igreja sabiam sobre os abusos da ditadura depois do golpe de 1976.

Muitos argentinos continuam irritados com o reconhecido fracasso da Igreja em confrontar abertamente um regime que sequestrava e matava milhares em sua tentativa de eliminar "elementos subversivos" na sociedade. Esse é um dos motivos por que mais de dois terços dos argentinos se descrevem como católicos, mas menos de 10% vão regularmente às missas.

*Com AP

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