No primeiro dia de conclave, fumaça preta saiu da chaminé da Capela Sistina, indicando que Igreja seguia sem novo papa; nesta quarta, cardeais realizam quatro votações

Os cardeais retornaram nesta quarta-feira (13) à Capela Sistina para o segundo dia de votação para escolher o novo papa, após sua primeira votação ter terminado sem um vencedor, falta de consenso marcada pela fumaça preta saindo da chaminé da Capela.

A chaminé na Praça São Pedro serve como um indicativo para os fiéis - se a fumaça sai preta, significa que os cardeais não escolheram um novo papa e a votação deve prosseguir. Se sai branca, quer dizer que um novo papa foi eleito. 

Fumaça preta: Primeira votação de conclave termina sem eleição de novo papa

Sob chuva, mulher reza na Praça São Pedro, no Vaticano (13/3/2013)
AP
Sob chuva, mulher reza na Praça São Pedro, no Vaticano (13/3/2013)

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O cronograma para o conclave desta quarta inclui duas rodadas de votações realizadas nesta manhã pelos 115 cardeais eleitores. Se nenhum nome obter 77 votos (dois terços) - ou seja, não se chegar a um consenso em relação ao próximo pontífice - os cardeais fazem uma pausa para o almoço e retornam para mais duas votações à tarde.

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Antes de seguirem para a Capela Sistina nesta quarta, os cardeais participaram de uma missa pela manhã na Capela Paulina, no Palácio Apostólico do Vaticano. Peregrinos e turistas começaram a chegar no início da manhã à praça de São Pedro, com a esperança de ter um vislumbre da história assistindo fumaça sair da chaminé da Capela Sistina.

O conclave, processo de escolha do papa, teve a data marcada uma semana depois da renúncia oficial de Bento 16 - a primeira de um pontífice em quase 600 anos .

Essa situação quase inédita tumultuou a Igreja e expôs as profundas divisões entre os cardeais que se dividem entre aqueles que querem um papa que purifique a burocracia disfuncional do Vaticano e aqueles que preferem um pastor que possa inspirar os católicos em um tempo de profunda secularização. 

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O conclave anterior, de 2005, durou dois dias e levou três rodadas de votação para eleger Joseph Ratzinger como novo papa. Acredita-se, entretanto, que este conclave venha a ser mais longo.

Na terça-feira, a missa "Pro Eligendo Romano Pontífice" marcou a abertura do conclave, que escolherá um novo papa. Durante a celebração, o cardeal decano Angelo Sodano pediu unidade da Igreja Católica e fez um apelo aos cardeais eleitores para que deixem suas diferenças de lado pelo bem da Igreja e pelo bem do próximo papa.

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Depois, eles seguiram em procissão da Capela Paulina até a Capela Sistina, entoando a Ladainha dos Santos, canto que implora aos santos uma intermediação na difícil tarefa de escolher o sucessor de São Pedro. Após o juramento de segredo e do comando em latim "extra omnes" (todos fora), o mestre de cerimônia ordenou que todos os que não estão envolvidos na votação deixassem a capela e as portas do local foram fechadas .

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O conclave acontece em meio a incertezas e convulsões: não há um favorito claro , não há indicação de quanto tempo a votação deverá durar e nenhuma chance de que um único homem consiga reunir todas as características necessárias a um papa nesse momento.

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O burburinho girava em torno do cardeal Angelo Scola , italiano tido como favorito entre aqueles que pretendem modificar a poderosa burocracia do Vaticano, o o cardeal brasileiro Odilo Scherer , favorito pelos burocratas internos do Vaticano que querem preservar seu status quo. Outros nomes também surgiram, como o canadense Marc Ouellet, que chefia a Congregação para os Bispos, e o cardeal americano Timothy Dolan.

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Com AP e Reuters

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