Feministas mostram os seios em protesto durante conclave no Vaticano

Por iG São Paulo |

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Duas ativistas traziam a frase: "papa, não" nas costas; mais cedo, manifestantes exigiam papel maior para as mulheres na hierarquia da Igreja Católica

A polícia deteve duas mulheres que mostraram os seios em um rápido protesto na Praça de São Pedro, do lado de fora do Vaticano, nesta terça-feira (12), depois que os cardeais se fecharam na Capela Sistina para iniciar o conclave, processo de eleição de um novo papa.

Testemunhas disseram que ao menos duas mulheres participaram do protesto. Uma delas trazia a frase: "Papa, não" escrita nas costas. A identidade das mulheres que realizaram o protesto nesta terça-feira não estava imediatamente disponível. Policiais no local recusaram-se a dar detalhes.

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Mais cedo, manifestantes exigindo um papel maior para as mulheres na Igreja Católica também se manifestaram, acendendo uma chama de fumaça rosa em uma colina do Vaticano. Imitando os tradicionais sinais de fumaça da Capela Sistina - branca para um novo pontífice e negra para uma votação inconclusiva -, as mulheres também usaram trajes rosa e crachás onde se lia "Ordenem Mulheres".

Algumas mulheres argumentam que já desempenham um papel importante na Igreja, ensinando e cuidando de jovens católicos e fazendo grande parte do trabalho missionário, enquanto outras dizem que a exclusão de papéis mais importantes e a proibição da ordenação de mulheres estão ultrapassadas.

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"O atual clube de meninos velhos deixou nossa Igreja atordoada por causa dos escândalos, abusos, sexismo e opressão", disse a diretora da Conferência de Ordenação das Mulheres, Erin Saiz Hanna, um grupo pequeno reunido na colina Janiculum, acima da Praça São Pedro.

"As pessoas da Igreja estão desesperadas por um líder que seja aberto ao diálogo e abrace os talentos da sabedoria feminina em todos os níveis da Igreja", disse.

O Vaticano diz que as mulheres não podem ser ordenadas sacerdotes porque Jesus Cristo escolheu de bom grado apenas homens como seus apóstolos. Defensores do sacerdócio feminino dizem que Jesus estava apenas cumprindo os costumes de sua época.

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O protesto de terça-feira em Roma seguiu um comício de fumaça rosa em Nova Orleans no final de semana, com eventos similares planejados em cidades dos Estados Unidos nos próximos dias.

No ano passado, o papa Bento 16 reafirmou a proibição da Igreja a sacerdotes mulheres e disse que não toleraria desobediência de clérigos nos ensinamentos básicos. Sob a sua liderança, o Vaticano reprimiu os defensores da ordenação feminina.

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Mas alguns cardeais que participam do conclave defenderam a necessidade de rever o papel das mulheres na Igreja e as posições de liderança abertas a elas.

O cardeal argentino Leonardo Sandri, de 69 anos, disse à Reuters neste mês que as mulheres devem ter um papel muito mais importante na vida da Igreja e serem capazes de contribuir em áreas que agora estão abertas apenas aos homens.

Subsecretárias

Atualmente, as mulheres, a maioria delas freiras, só podem chegar ao posto de subsecretária em departamentos do Vaticano, o posto número 3, abaixo do presidente e do secretário. Hoje em dia, apenas duas mulheres são subsecretárias: a Irmã Nicoletta Vittoria Spezzati e a leiga Flaminia Giovalnelli.

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Spezzati ocupa o posto no departamento para ordens religiosas do Vaticano, que é administrado pelo cardeal brasileiro João Braz de Aviz.

Ele vem desempenhando um papel de mediador depois que o Vaticano repreendeu, no ano passado, freiras norte-americanas por não fazerem o bastante para combater o aborto e o casamento gay.

Veja imagens do conclave:

Foto fornecida pelo jornal do Vaticano L'Osservatore Romano mostra papa Francisco celebrando missa com cardeais na Capela Sistina (14/03). Foto: APPor telão na Praça de São Pedro, pessoas acompanham missa inaugural do papa Francisco com cardeais na Capela Sistina, no Vaticano (14/03). Foto: APRecém-eleito papa, Francisco celebra missa com cardeais na Capela Sistina (14/03). Foto: ReutersPapa Francisco celebra sua missa inaugural com os cardeais dentro da Capela Sistina, no Vaticano (14/03). Foto: APBatina do papa recém-eleito Francisco voa com o vento na porta da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma (14/03). Foto: ReutersPapa Francisco deposita flores no altar dentro da Basílica de Santa Maria Marior, em Roma (14/03). Foto: APPapa Francisco fala aos fiéis no Vaticano. Ele foi eleito no segundo dia de conclave (13/03). Foto: APFiéis tentam registrar com tablets e celulares o anúncio do novo papa, no Vaticano (13/03). Foto: APFiéis acompanham a primeira benção do papa Francisco 1º (13/03). Foto: ReutersFrancisco 1º é o nome pelo novo papa, o cardeal Jorge Bergoglio, da Argentina. Foto: APProtodiácono francês Jean-Louis Pierre Tauran anuncia identidade do novo papa: cardeal Jorge Bergoglio, da Argentina (13/03/2013). Foto: APCardeal francês Jean-Louis Tauran aparece na janela e diz "Habemus Papam", que significa 'Temos Papa' em latim (13/03). Foto: ReutersFiéis comemoram escolha do novo papa após badalar dos sinos na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03). Foto: ReutersFiéis comemoram escolha do novo papa após badalar dos sinos na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03/2013). Foto: ReutersFiéis aguardam com ansiedade pelo anúncio do nome do novo papa da Igreja Católica na Praça de São Pedro, Vaticano (13/03/2013). Foto: APMultidão celebra após chaminé da Capela Sistina expelir fumaça branca na Praça de São Pedro, no Vaticano (13/03/2013). Foto: APMultidão de fiéis vê fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina na Praça de São Pedro no Vaticano (13/03/2013). Foto: APFumaça branca sai da chaminé da Capela Sistina, indicando que um novo papa foi eleito (13/03/2013). Foto: APMulher segura terço enquanto espera votação de novo papa no segundo dia do conclave no Vaticano (13/03). Foto: APFumaça preta emerge da chaminé da Capela Sistina na manhã desta quarta-feira no Vaticano. Foto: APVisitantes se reúnem na Praça de São Pedro enquanto os cardeais se reúnem em conclave papal no Vaticano (13/03). Foto: APVisitantes esperam que fumaça saia pela chaminé da Capela Sistina na Praça de São Pedro (13/03). Foto: APHomem descalço ajoelha em prece na Praça de São Pedro durante conclave dos cardeais (13/03). Foto: APFreiras caminham pelas Colunas Bernini na Praça de São Pedro no segundo dia do conclave (13/03). Foto: APPeregrinos carregam cruz através da Praça de São Pedro enquanto cardeais se reúnem em conclave na Capela Sistina (13/03). Foto: APSob chuva, mulher reza na Praça São Pedro, no Vaticano (13/03). Foto: APFumaça preta sai da chaminé na Capela Sistina na Praça São Pedro, Vaticano nesta terça-feira (12/03). Foto: APFeminista é detida por policiais após protestar contra o papa na Praça São Pedro durante o conclave (12/03). Foto: APFiéis aguardam na Praça São Pedro a fumaça saída da chaminé da Capela Sistina (12/03). Foto: APHomem vestido de monge ajoelha na Praça São Pedro enquanto o conclave se inicia na Capela Sistina (12/03). Foto: ReutersPessoas assistem ao início do conclave pelos telões espalhados na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFreira assiste à missa celebrada por Angelo Sodano em telão na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFreiras se reúnem para a eleição do novo papa ao lado de fora da Basílica de São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APFiéis assistem à missa na Basílica de São Pedro por meio de telões na Praça São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: APCardeal participa da missa que celebra eleição do papa realizada por Angelo Sodano na Capela Sistina, no Vaticano (12/03). Foto: APCardeal brasileiro Dom Odilo Scherer deixa a Basílica de São Pedro após realização de missa (12/03). Foto: ReutersCardeal Peter Turkson, de Gana, participa da missa que abre os trabalhos do conclave na Basílica de São Pedro, no Vaticano (12/03). Foto: ReutersCardeal decano Angelo Sodano celebra missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, antes do início do conclave (12/03). Foto: Reuters

Ele também recebeu crédito por ter amenizado a mão pesada de seu antecessor no departamento que havia reclamado sobre liberalizar tendências na Igreja. Giovanelli trabalha para o Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, sob a liderança do cardeal Peter Turkson, de Gana, o principal candidato africano a papa.

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Algumas mulheres, cansadas de esperar que as regras mudem, decidiram agir por conta própria. A Associação de Sacerdotes Mulheres Católicas Romanas (ARCWP, na sigla em inglês) diz que hoje existem mais de 124 sacerdotes mulheres e 10 bispas no mundo todo, embora o Vaticano as considere excomungadas.

Com Reuters

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