Abraço de Ahmadinejad em mãe de Chávez é alvo de críticas no Irã

Por AP |

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O contato físico entre homem e mulher que não sejam da mesma família é considerado pecado; presidente também foi criticado por se emocionar no funeral do líder venezuelano

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Clérigos iranianos censuraram o presidente Mahmoud Ahmadinejad por ter consolado a mãe de Hugo Chávez com um abraço durante o funeral do presidente venezuelano. O contato físico entre homem e mulher que não sejam da mesma família é considerado pecaminoso de acordo com as leis islâmicas. 

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A repreensão ocorreu após a publicação de uma foto que mostra Ahmadinejad abraçado a Elena Frías, gesto considerado uma quebra de tabu para a República Islâmica. Os jornais iranianos na terça-feira (12) citaram clérigos do centro religioso de Qom que descreveram o abraço como "proibido", um comportamento inapropriado e uma "palhaçada".

Segundo o código islâmico, o contato físico entre pessoas de diferentes sexos que não sejam parentes é pecado. Os clérigos não pouparam Ahmadinejad.

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"Tocar uma não mahram (mulher que não é parente) é proibido de acordo com quaisquer circunstâncias, não importa se for um aperto de mãos ou um toque de bochechas", disse um dos clérigos, Mohammad Taqi Rahbar, acrescentando que tal contato "mesmo com uma mulher mais velha não é permitido... é contrário à dignidade do presidente da República Islâmica do Irã."

O aiatolá Mohammad Yazdi, antigo chefe do judiciário do Irã e líder religioso no Qom, disse que Ahmadinhejad estava "de palhaçada" e seu abraço mostra que ele falhou em "proteger a dignidade de sua nação e sua posição".

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Os clérigos também ficaram chocados com a carta de condolência de Ahmadinejad para os venezuelanos e para seu presidente interino Nicolás Maduro, porque o presidente iraniano descreveu Chávez como um "mártir", que ressuscitará e que retornará à Terra junto a Jesus Cristo e o imã Mahdi, um santo do século 9 reverenciado pelos xiitas.

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"Seu conhecimento sobre as questões religiosas é limitado e nenhuma intervenção poderia ser feita nesse sentido", disse Yazdi, falando diretamente sobre Ahmadinejad.

O vice-presidente iraniano Mohammad Reza Mirtajeddini, clérigo que acompanhou Ahmadinejad a Venezuela e ficou ao lado do presidente iraniano enquanto ele abraçava a mãe de Chávez, inicialmente tentou negar a história, dizendo que a foto era falsa.

Yazdi também repreendeu Mirtajeddini: "Vocé é um clérigo e veste o manto clerical...você não devia negar o que aconteceu."

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A repercussão do abraço dado por Ahmadinejad foi usado por seus opositores conservadores três meses antes das eleições presidenciais de junho. Ahmadinejad não pode concorrer à votação, porque a constituição do Irã só permite dois mantatos consecutivos, mas tem desejo de fazer seu sucessor.

Os reformistas iranianos ridicularizaram Ahmadinejad por ter se emocionado no funeral de Chávez. "Eu ri muito quando vi Ahmadinejad choramingando nos braços da mãe de Chávez", disse Abbas Abdi, ativista e colinista do site independente Aftabnews.ir.

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