Sem favorito claro, cardeais discutem perfil que deve ter o sucessor de Bento 16 a frente do pontificado; primeira rodada de votação tem início na terça-feira

Os cardeais se reuniram nesta segunda-feira (11) para a reunião final antes do conclave que elegerá o próximo papa. As discussões se concentram no perfil que deve ser buscado para o próximo pontífice - ou um administrador que consiga passar o Vaticano a limpo ou um papa com uma função mais pastoral, que possa inspirar a fé em tempos de crise.

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Cardeal Marc Ouellet chega ao Vaticano para participar da última reunião antes do conclave
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Cardeal Marc Ouellet chega ao Vaticano para participar da última reunião antes do conclave


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Diversos cardeais estavam marcados para falar na reunião a portas fechadas na manhã desta segunda, um indicativo de que os prelados ainda tem muito o que discutir antes do isolamento que tem início na tarde de terça-feira na Capela Sisitna para a primeira rodada de votação.

O cardeal Thomas Collins de Toronto, no Canadá, reconheceu a importância do desafio que ele e os seus colegas têm nas mãos. "Sim, amanhã é um dia muito importante na história da Igreja."

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Não há nenhum favorito claro para o cargo, mas diversos nomes circulam como os mais bem cotados para liderar 1,2 bilhão de católicos no mundo.

O cardeal Angelo Scola tem várias características que o credenciam para o posto, uma delas o fato de liderar a arquidiocese de Milão, a maior e mais importante da Itália. Além disso, ele é europeu e afável, mas não faz parte da burocracia centricamente italiana do Vaticano. Isso o torna atrativo, talvez, para aqueles que buscam reformas na medula espinhal da Igreja Católica, exposta nos últimos anos a escândalos de corrupção em decorrência do vazamento de documentos papais no ano passado .

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O cardeal brasileiro Dom Odilo Scherer também aparece como favorito. Ele tem conhecimento sobre os pormenores da cúria romana e da burocracia e sabe lidar com as finanças do Vaticano. Ele fez parte da comissão do governo que tratou do escândalo envolvendo o banco do Vaticano, assim como do comitê sobre o orçamento da Santa Sé.

Como é um não-europeu, o arcebispo de São Paulo nomearia um italiano para secretário de Estado - espécie de número 2 do Vaticano - outra vantagem para Scherer, uma vez que os cardeais vão querer alguém de sua nacionalidade para estar nos bastidores das decisões diáraias.

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No campo mais pastoral, dois americanos, Timothy Dolan, de Nova York, e Sean O'Malley, de Boston, dividem as atenções. Nenhum deles têm experiência no Vaticano, embora Dolan tenha sido reitor da Pontíficia Universidade Católica dos EUA nos anos 1990. Ele admitiu que seu italiano não é bom o suficiente - uma desvantagem para um trabalho que utiliza o idioma para a administração do dia a dia.

Se os principais nomes não conseguirem alcançar 77 votos nas primeiras rodadas de votação, nomes menos cotados podem surgir como alternativas. Entre eles está o cardeal Luis Tagle, arcebispo de Manila. Ele é jovem - tem 55 anos - e só foi nomeado cardeal em novembro. Apesar de suas habilidades administrativas não terem sido testadas em Roma, Ragle - cuja mãe é chinesa - é visto como um rosto forte para a Igreja na Ásia, onde o catolicismo está crescendo.

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Independente de quem for, o novo papa encarará uma Igreja em crise: Bento 16 passou seus oito anos de pontificado tentando reviver o catolicismo pelas suas marcas mais tradicionais , mas perdeu fiéis na Europa, antes seu maior reduto, que passa por um forte processo de secularização. Os escândalos de abusos sexuais envolvendo clérigos e o surgimento de igrejas evangélicas na América Latina e na África também têm afastado os fiéis da Igreja.

A terça-feira começa com os cardeais chegando ao Domus Sanctae Martae, um moderno hotel nos jardins do Vaticano. Durante a manhã, o decano do Colégio dos Cardeais, Angelo Sodano, lidera a missa "Pro eligendo Pontifice" - celebração para a eleição de um papa - celebrada dentro da Basílica de São Pedro.

Eles fazem uma pausa para o almoço no hotel, e retornam às 16h30 (12h30 em Brasília) para uma procissão na Capela Sistina. Então, eles juram manter segredo e começa a votação.

Os primeiros sinais de fumaça da chaminé da Capela Sistina devem começar a serem vistos por volta das 18h30 (14h30 em Brasília). Se a fumaça tiver a cor preta, significa que nenhum papa foi escolhido. Se a fumaça tiver a cor branca, quer dizer que a Igreja tem seu 266º papa.

Com AP

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