Presidente interino se registrou para a eleição, o que Capriles deve fazer ainda hoje; Maduro chama rival de fascista e opositor diz que governistas fazem política com corpo do presidente

Os dois candidatos para substituir o presidente da Venezuela Hugo Chávez , morto na semana passada, se registram nesta segunda-feira (11) para a eleição do dia 14 de abril. Nicolás Maduro , o herdeiro chavista, e o opositor Henrique Capriles há dias vêm trocando farpas e o nível das agressões verbais devem aumentar quando a campanha de fato tiver seu início.

Funeral de Estado: Milhares dão adeus a 'imortal' Chávez na Venezuela

Pessoas caminham diante de um antigo poster de campanha presidencial do opositor Henrique Capriles em Caracas, Venezuela
AP
Pessoas caminham diante de um antigo poster de campanha presidencial do opositor Henrique Capriles em Caracas, Venezuela

Análise: Para bem ou mal, Chávez alterou a identidade da Venezuela

Citações: Veja as principais frases de Hugo Chávez

Maduro chegou à Comissão Eleitoral Nacional primeiro. Centenas de partidários estavam na porta do prédio em Caracas agitando bandeiras, segurando cartazes de Chávez e vestindo o vermelho do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). É esperado que Capriles assine seus documentos eleitorais mais tarde.

A campanha só começa oficialmente em 2 de abril, mas os dois lados já vem trocando farpas e ofensas há dias. Capriles anunciou sua candidatura no domingo, e aproveitou a ocasião para acusar os aliados de Chávez de tentar usar sua morte com fins eleitorais.

Obituário: Morre aos 58 anos Hugo Chávez, presidente da Venezuela

'Eterno': Embalsamado, corpo de Chávez ficará em exposição permanente na Venezuela

"Vocês estão fazendo política com o corpo do presidente", disse, acrescentando que não estava convencido de que o governo estava sendo honesto em relação ao momento da morte de Chávez, e mentiu para a população durante sua batalha contra o câncer ao garantir que o presidente melhoraria. O governo anunciou na terça-feira que Chávez sucumbiu ao câncer após quase dois anos enfrentando a doença. Não foram dadas quaisquer informações clínicas.

Antes, Capriles chamou maduro de mentiroso sem-vergonha e se referiu a ele constantemente como "menino".

Maduro, então, apareceu logo após Capriles na TV estatal no domingo, acusando o "perdedor, candidato miserável" de difamar Chávez e sua família. Ele chamou Capriles de "fascista" que tenta provocar violência, insultando "a imagem pura e cristalina do comandante Chávez".

Luto regional: Morte de Chávez deixa vazio na esquerda da América Latina

Leia: Maior controle do petróleo e distribuição de renda marcam economia da era Chávez

Durante seu discurso, Maduro afirmou que o corpo de Chávez continuará na Academia Militar até quinta-feira e na sexta seria levado para o museu militar, onde ficava o quartel-general de Chávez durante o fracassado golpe de 1992, que o tornou conhecido em todo país.

Ele disse que a Assembleia Nacional aprovará uma emenda constitucional no final desta semana para permitir que o corpo de Chávez seja transferido definitivamente para o Panteão Nacional, onde estão os restos mortais de Simón Bolívar. Na semana passada, Maduro disse que o corpo de Chávez será embalsamado e colocado em exposição permanente.

Opositor Capriles: 'Chávez foi meu adversário, nunca meu inimigo'

Na segunda-feira, o governo Obama expulsou dois diplomatas venezuelanos em retaliação à expulsão de dois diplomatas americanos pouco antes da morte de Chávez na semana passada. Autoridades dos EUA anunciaram que Orlando José Montañez Olivares e Victor Camacaro Mata foram convidados a se retirar do país no fim de semana.

Em Cuba , o ex-líder Fidel Castro quebrou seu silêncio sobre a morte de seu protegido e principal aliado, dizendo em um editorial publicado no jornal cubano Granma que a ilha perdeu seu "melhor amigo". Cuba recebia bilhões de dólares em petróleo da Venezuela como subsídio.

Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.