Capriles e Maduro trocam acusações antes do início oficial da campanha

Por iG São Paulo |

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Presidente interino se registrou para a eleição, o que Capriles deve fazer ainda hoje; Maduro chama rival de fascista e opositor diz que governistas fazem política com corpo do presidente

Os dois candidatos para substituir o presidente da Venezuela Hugo Chávez, morto na semana passada, se registram nesta segunda-feira (11) para a eleição do dia 14 de abril. Nicolás Maduro, o herdeiro chavista, e o opositor Henrique Capriles há dias vêm trocando farpas e o nível das agressões verbais devem aumentar quando a campanha de fato tiver seu início.

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Maduro chegou à Comissão Eleitoral Nacional primeiro. Centenas de partidários estavam na porta do prédio em Caracas agitando bandeiras, segurando cartazes de Chávez e vestindo o vermelho do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). É esperado que Capriles assine seus documentos eleitorais mais tarde.

A campanha só começa oficialmente em 2 de abril, mas os dois lados já vem trocando farpas e ofensas há dias. Capriles anunciou sua candidatura no domingo, e aproveitou a ocasião para acusar os aliados de Chávez de tentar usar sua morte com fins eleitorais.

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"Vocês estão fazendo política com o corpo do presidente", disse, acrescentando que não estava convencido de que o governo estava sendo honesto em relação ao momento da morte de Chávez, e mentiu para a população durante sua batalha contra o câncer ao garantir que o presidente melhoraria. O governo anunciou na terça-feira que Chávez sucumbiu ao câncer após quase dois anos enfrentando a doença. Não foram dadas quaisquer informações clínicas.

Antes, Capriles chamou maduro de mentiroso sem-vergonha e se referiu a ele constantemente como "menino".

Maduro, então, apareceu logo após Capriles na TV estatal no domingo, acusando o "perdedor, candidato miserável" de difamar Chávez e sua família. Ele chamou Capriles de "fascista" que tenta provocar violência, insultando "a imagem pura e cristalina do comandante Chávez".

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Durante seu discurso, Maduro afirmou que o corpo de Chávez continuará na Academia Militar até quinta-feira e na sexta seria levado para o museu militar, onde ficava o quartel-general de Chávez durante o fracassado golpe de 1992, que o tornou conhecido em todo país.

Ele disse que a Assembleia Nacional aprovará uma emenda constitucional no final desta semana para permitir que o corpo de Chávez seja transferido definitivamente para o Panteão Nacional, onde estão os restos mortais de Simón Bolívar. Na semana passada, Maduro disse que o corpo de Chávez será embalsamado e colocado em exposição permanente.

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Na segunda-feira, o governo Obama expulsou dois diplomatas venezuelanos em retaliação à expulsão de dois diplomatas americanos pouco antes da morte de Chávez na semana passada. Autoridades dos EUA anunciaram que Orlando José Montañez Olivares e Victor Camacaro Mata foram convidados a se retirar do país no fim de semana.

Em Cuba, o ex-líder Fidel Castro quebrou seu silêncio sobre a morte de seu protegido e principal aliado, dizendo em um editorial publicado no jornal cubano Granma que a ilha perdeu seu "melhor amigo". Cuba recebia bilhões de dólares em petróleo da Venezuela como subsídio.

Com AP

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