Acusado por estupro coletivo que chocou Índia é encontrado morto

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Segundo a polícia local, Ram Singh se enforcou com as próprias roupas em uma cela da prisão, mas advogados e família do réu acreditam que ele foi assassinado

Um dos acusados de ter estuprado e assassinado uma estudante de 23 anos em um ônibus em Nova Délhi foi encontrado morto em uma prisão indiana nesta segunda-feira (11). De acordo com a polícia, Ram Singh cometeu suicídio, mas sua família e seu advogado levantam a hipótese de ele ter sido assassinado.

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AP
Policiais indianos aguardam do lado de fora da prisão de Tihar, o maior complexo penitenciário do sul da Ásia

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Singh, acusado de dirigir o ônibus no ataque em dezembro, estava na cela com outros três prisioneiros na Penitenciária Tihar de Nova Délhi, quando se enforcou com suas próprias roupas por volta das 5h30, informou a polícia. Sua morte coloca ainda mais em dúvidas sobre a eficiência e segurança do sistema de justiça criminal do país. É um incidente grave", disse o ministro do Interior Sushilkumar Shinde. "É um lapso absurdo."

O governo ordenou um inquérito judicial e tomaria medidas após o recebimento do relatório, disse.

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Singh, 33 anos, estava entre os cinco acusados de estuprar coletivamente uma estudante de medicina, um caso que chocou a Índia e o mundo e provocou protestos. Um sexto acusado é julgado por um tribunal diferente por ser menor de idade. Se condenados, eles podem ser condenados à morte.

A família de Ram Singh e o advogado afirmam que não se trata de suicídio. "Não havia circunstâncias que levariam Ram Singh a cometer suicídio. Ele não estava psicologicamente estressado. Estava muito feliz", disse seu advogado V.K. Anand. Advogados e réus haviam acusado previamente a polícia de espancamentos e maus tratos contra os acusados.

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As prisões na Índia são conhecidas por serem superlotadas e mal administradas. O pai de Ram Singh, Mangelal Singh, disse que seu filho foi estuprado na prisão por outros prisioneiros e sofria ameaças dos guardas. Entretanto, ele disse que visitara seu filho há quatro dias e ele parecia bem e não deu sinais de que se suicidaria.

Segundo seu pai, Singh também tinha um ferimento grave na mão e não poderia ter se enforcado. "Alguém o matou", disse. Mangelal Singh disse que temia pela segurança de outro filho seu, que também está preso pela participação no mesmo crime.

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Os réus estão presos em diferentes blocos do presídio e estavam todos sob vigilância de suicídio.

Durante uma coletiva, Shinde se recusou a responder como Singh conseguiu se matar sem que os outros três prisioneiros ou os guardas notassem. Vimla Mehra, diretora geral da penitenciária, também não deu detalhes sobre o incidente. "O inquérito está sendo conduzido e seria prematuro fazer qualquer declaração sobre os detalhes do incidente", disse.

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A vítima de estupro coletivo e seu amigo foram atacados após entrarem em um ônibus em 16 de dezembro. Eles estavam voltando do cinema e indo para casa. Os seis homens, os únicos passageiros além das vítimas no ônibus, espancaram o garoto com uma barra de metal, estupraram a estudante e usaram a barra de metal para causar ferimentos internos na vítima. Os dois foram atirados nus para fora do ônibus e a mulher morreu em decorrência dos ferimentos duas semanas depois em um hospital em Cingapura.

O ataque provocou protestos em todo país pedindo justiça e melhor proteção às mulheres pela polícia e pelo governo.

Com AP

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