Nicolás Maduro assume presidência interina da Venezuela

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Decisão do Tribunal Superior de Justiça dá a ele o direito de concorrer nas próximas eleições presidenciais sem precisar se afastar do cargo

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O vice-presidente da Venezuela e sucessor político apontado de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, tomou posse como presidente interino da Venezuela na sexta-feira. Uma decisão do TSJ (Tribunal Superior de Justiça) dá a ele o direito de concorrer nas próximas eleições presidenciais sem precisar se afastar do cargo.

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AP
Nicolás Maduro assume Presidência interina da Venezuela



A data também foi marcada pela conclusão das homenagens dos chefes de Estado estrangeiros a Chávez, e o rompimento da "trégua" política informal que governo e e oposição vinham obedecendo desde a morte do líder bolivariano.

Simpatizantes da oposição marcaram a ocasião com um panelaço que podia ser ouvido pelo bairro de Altamira, no leste da capital, Caracas, uma área onde vivem os venezuelanos de mais alto poder aquisitivo.

À mesma hora, Maduro era juramentado presidente interino. "Juro em nome da lealdade mais absoluta ao comandante Hugo Chávez que cumpriremos e faremos cumprir esta Constituição bolivariana, com a mão dura de um povo disposto a ser livre", disse pouco antes de receber a faixa presidencial das mãos do presidente da Assembléia Nacional, Diosdado Cabello.

Como era esperado, Maduro pediu ao Conselho Nacional Eleitoral para convocar "imediatamente" eleições presidenciais. Escolhido pelo próprio Chávez para ser o candidato que daria continuidade à "revolução bolivariana" em sua ausência, ele disse que a campanha política começa desde já. "Vamos para a rua construir a força que dará continuidade a essa revolução popular, bolivariana e socialista", disse.

Maduro tende a ver sua candidatura catapultada pela comoção gerada pela morte de Chávez. Para os simpatizantes do líder bolivariano, a eleição do sucessor teria sido seu ultimo desejo. "Chávez, eu juro, voto por Maduro", cantavam militantes de movimentos sociais que participaram da cerimônia de posse na Assembléia Nacional.

À frente da Presidência interinamente, Maduro designou como vice-presidente a Jorge Arreaza, ministro de Ciência e Tecnologia e genro de Chávez.

Oposição

Dirigentes opositores que até esta sexta-feira mantinham absoluto silêncio, criticaram a posse de Maduro.

"Essa é uma juramentação espúria. Ninguém elegeu Nicolás", disse o candidato derrotado por Chávez nas eleições de outubro, Henrique Capriles Radonski, o mais provável candidato da oposição.

"O povo não votou em você, rapaz. O povo se encarregará de julgar a forma como você se utilizou da morte do presidente com fins eleitorais, propagandísticos", afirmou.

O político disse que a oposição "tomará decisões" a respeito do pleito nas próximas horas.

Há rumores de que a oposição poderia não participar das eleições. A manobra já foi utilizada em 2005 quando, às vésperas do pleito, deputados oposicionistas decidiram retirar suas candidaturas - entregando todas as cadeiras do Parlamento ao chavismo.

O governo mostra preocupação. Maduro disse que "seria um grave erro" da oposição não participar da disputa.

Duelo

Desde a morte de Chávez, na terça-feira, governo e oposição venezuelanos vinham evitando politizar a comoção em torno do falecimento do líder bolivariano. Do lado opositor, o temor seria perder votos nas próximas eleições com possíveis declarações beligerantes.

O estopim do fim da trégua veio após a decisão da Sala Constitucional do TSJ. O órgão determinou que o presidente encarregado não precisa se afastar do cargo para disputar as eleições.

Logo após a cerimônia com os chefes de Estado estrangeiro, o chanceler Elias Jaua chamou à oposição para a disputa nas urnas.

"Vamos nos enfrentar, e que o povo decida se continua a revolução bolivariana ou se voltamos atrás com a colônia."

As autoridades eleitorais venezuelanas já afirmaram que estão prontas para realizar o pleito a partir do dia 14 de abril.

A data convém ao governo, porque o dia 13 de abril é uma data especial para o chavismo (quando Chávez voltou ao poder após o golpe de abril de 2002).

Além disso, o "mito" de Chávez continuará a ser alimentado por pelo menos mais uma semana, enquanto durarem as filas quilométricas para dar adeus ao bolivariano.

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