Chefes de Estados participam de cerimônia enquanto chavistas a acompanham por telões. Corpo será embalsamado, e Maduro toma posse hoje como presidente interino

Milhares de venezuelanos e líderes da América Latina e aliados de fora da região se despediram nesta sexta-feira do presidente da Venezuela, Hugo Chávez , durante o funeral oficial de Estado na Academia Militar de Caracas em que por vários momentos ecoaram gritos de que "Chávez vive, Chávez vive".

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Foto divulgada pelo Palácio de Miraflores mostra autoridades do governo venezuelano dando as mãos sobre caixão de presidente Hugo Chávez durante funeral de Estado
AP
Foto divulgada pelo Palácio de Miraflores mostra autoridades do governo venezuelano dando as mãos sobre caixão de presidente Hugo Chávez durante funeral de Estado

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Prevista para as 11 horas locais (12h30 de Brasília), a cerimônia começou com uma hora de atraso, teve pouco mais de duas horas de duração e foi acompanhada por telões por milhares de venezuelanos do lado de fora da Academia Militar, para onde o corpo foi levado na quarta depois de uma procissão de sete horas desde o hospital onde morreu na terça aos 58 anos, depois de uma batalha de quase dois anos contra um câncer.

Em um pronunciamento emocionado e entrecortado às vezes por lágrimas, o vice-presidente Nicolás Maduro agradeceu a presença dos líderes à cerimônia e relatou que Chávez escreveu seu testamento em 2012, "de seu próprio punho e letra", deixando cinco tarefas a seus sucessores: "Manter e consolidar a independêndia conquistada em seu governo; construir o socialismo diverso e democrático; ascender a Venezuela como um país potência no marco da grande potência da América Latina; consolidar um mundo sem impérios; e contribuir com a preservação da vida no planeta e a salvação da espécie humana."

Maduro, que assume nesta sexta oficialmente como presidente interino, terminou seu discurso com a frase: "Chávez vive, a luta segue!"

Tela com vídeo de Hugo Chávez é vista em frente de lugar onde funeral de presidente venezuelano ocorre em Caracas
AP
Tela com vídeo de Hugo Chávez é vista em frente de lugar onde funeral de presidente venezuelano ocorre em Caracas

Depois do funeral, estava previsto que o corpo de Chávez seria transferido ao Quartel da Montanha de 23 de Fevereiro (antigo Museu Histórico Militar), onde será velado por ao menos mais sete dias. Foi nesse quartel que, em 1992, Chávez foi preso após liderar um frustrado golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez em 4 de fevereiro. A tentativa de golpe deu início à carreira política do líder venezuelano.

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De acordo com o Maduro, que após assumir poderá então convocar eleições dentro de 30 dias, o local está sendo reformado para que se torne o Museu da Revolução Bolivariana. Os restos mortais de Chávez serão embalsamados para que fiquem em exposição permanente no "quartel-museu", que fica perto do Palácio Presidencial de Miraflores, onde Chávez governou por 14 anos .

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Antes do funeral de Estado, mais de 2 milhões participaram da maratona de 24 horas de lágrimas, preces e saudações militares para ver seu corpo em um caixão com tampa de vidro na Academia Militar. Alguns esperaram dez horas para honrar seu líder com continências militares, punhos cerrados ou sinais da cruz.

As ruas normalmente engarrafadas de Caracas ficaram vazias, com escolas e muitos negócios fechados. O governo também proibiu a venda de álcool.

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Chefes de Estado

Com Lula, presidente Dilma Rousseff comparece ao velório de Hugo Chávez em Caracas, na Venezuela (07/03)
Roberto Stuckert Filho/PR
Com Lula, presidente Dilma Rousseff comparece ao velório de Hugo Chávez em Caracas, na Venezuela (07/03)

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Mais de 30 chefes de Estado compareceram ao funeral, incluindo os presidentes de Cuba, Raúl Castro, do Irã, Mahmud Ahmadinejad, do Equador, Rafael Correa, e da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko. "Mais importante, ele saiu invicto", disse Raúl, referindo-se às quatro vitórias de Chávez em eleições presidenciais, entre uma série de outras vitórias eleitorais. "Ele era invencível. Ele saiu vitorioso e ninguém pode tirar isso. Ele está na história."

"É uma grande dor porque perdemos um amigo", disse o iraniano Ahmadinejad após chegar. "Sinto como se tivesse perdido a mim mesmo, mas tenho certeza de que ainda vive. Chávez nunca morrerá. Seu espírito e alma vivem em cada um de nossos corações."

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A presidente Dilma Rousseff , que compareceu na noite de quinta ao velório de Chávez, adiantou seu retorno e viajou durante a madrugada desta sexta-feira a Brasília. Ela estava acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

A presidente argentina, Cristina Kirchner, foi uma das primeiras autoridades a desembarcar em Caracas após a morte. Assim como Dilma, ela retornou a Buenos Aires na quinta e não participa do funeral desta sexta, de acordo com a mídia local. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, chegou ao país nesta sexta.

O deputado democrata Gregory Meeks, de Nova York, e o ex-deputado democrata William Delahunt, de Massachusetts, representaram os EUA, país que Chávez frequentemente retratou como o grande mal global mesmo enquanto ele lhe vendia petróleo no valor de bilhões de dólares a cada ano.

Posse do presidente interino

Depois do funeral, o presidente da Assembleia Nacional venezuelno, Diosdado Cabello, dará posse a Maduro como presidente interino às 19 horas locais (20h30 de Brasília), seguindo um desejo expresso por Chávez em dezembro e apesar de reclamações da oposição de que o cargo deveria ser ocupado por Cabello em respeito à Constituição.

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A Carta determina que as eleições deveriam ocorrer nos 30 dias seguintes à morte de Chávez em 5 de março, mas o governo ainda não anunciou uma data. Como candidato governista, Maduro, de 50 anos, deve enfrentar o líder oposicionista Henrique Capriles , governador centrista do Estado de Miranda que foi derrotado por Chávez na eleição presidencial de outubro.

*Com AP

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