Ex-presidente Lula e governador Jaques Wagner integram comitiva presidencial; ministro Gilberto Carvalho desejou que povo venezuelano possa 'encontrar seu melhor caminho'

A presidente Dilma Rousseff chegou a Caracas nesta quinta-feira (7) acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador da Bahia, Jaques Wagner, para participar do velório do líder venezuelano Hugo Chávez , morto na terça-feira (5) após uma batalha de quase dois anos contra um câncer .

Também integram a comitiva o porta-voz da presidência, Thomas Traumann; o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota; o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP); a deputada Iriny Lopes (PT-ES); o deputado José Guimarães (PT-CE); o deputado Josias Gomes (PT-BA); e a deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC).

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AP
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Nesta quinta, o chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que o Brasil manterá uma relação estreita com a Venezuela após a morte do presidente Chávez.

Carvalho também afirmou que deseja que o povo venezuelano "possa encontrar o seu melhor caminho". "Não seria imaginável que a presidente Dilma, frente ao padrão de relação que tivemos com o presidente Chávez no governo do presidente Lula e no governo da presidente Dilma, não fosse (ao velório). Não só ela como vários representantes do governo brasileiro estão lá. Acho mais do que merecida essa homenagem, e continuaremos, naturalmente, nessa relação estreita com o povo da Venezuela, porque entendemos que a América Latina é uma unidade, precisamos caminhar juntos", afirmou, após participar de evento no Palácio do Planalto para discutir o Plano Brasil sem Miséria.

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De acordo com fontes do governo, a viagem de Dilma à Venezuela é uma demonstração do compromisso da administração federal em reforçar laços com o país, num momento de transição. Ela deve retornar para o Brasil na tarde desta sexta-feira, depois do enterro do corpo de Chávez.

"Temos um reconhecimento ao processo que ele ( Chávez ) fez naquele país, tivemos e mantemos divergência numa porção de itens, pontos, de métodos, mas é reconhecida, sem dúvida nenhuma, a inversão de prioridade que ele fez. É uma outra Venezuela hoje. A reação do povo nas ruas é o maior indicativo daquilo que representa o Chávez para aquele país", afirmou Carvalho.

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"Quando um povo chora e lamenta a perda de um presidente como está acontecendo na Venezuela, eu penso que os intelectuais, os analistas políticos devem estar atentos a isso, porque significa que ele mexeu na qualidade da vida do povo, mexeu na estrutura social que havia e colocou, efetivamente, recursos públicos a serviço dos que precisam. Isso, numa América Latina que tem uma tradição de as elites mandarem, da imensa exclusão do povo, das tradições inclusive de ditaduras; isso é uma verdadeira revolução", disse.

"Esperamos que o povo venezuelano possa encontrar o seu melhor caminho, assim como a Bolívia está buscando, assim como nós do Brasil estamos buscando, nossa posição é de profundo respeito, de profundo reconhecimento a essa obra que esse presidente realizou e a inspiração que provocou inclusive em outros países da América Latina."

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Na terça-feira, durante o Congresso Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, em Brasília, Dilma acentuou que a morte do presidente venezuelano enche de "tristeza todos os latino-americanos" . "O presidente Chávez foi, sem dúvida, uma liderança comprometida com o seu país e com o desenvolvimento dos povos da América Latina. Em muitas ocasiões, o governo brasileiro não concordou integralmente com o presidente Hugo Chávez. Porém, hoje, como sempre, nós reconhecemos nele uma grande liderança, uma perda irreparável e, sobretudo, um amigo do Brasil, um amigo do povo brasileiro", discursou, na ocasião.

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O corpo de Chávez é velado na Academia Militar em Caracas , onde milhares passaram para se despedir do presidente e outros milhares esperam em longas filas. Ontem, o caixão de Chávez percorreu as multidões sobre um carro fúnebre em um trajeto de oito quiômetros que incluía a parte norte e sul da cidade, entrando também nos bairros pobres, onde a política de Chávez mostrou mais a sua força.

Na academia, a família de Chávez e assessores mais próximos, bem como os presidentes da Argentina, Bolívia e Uruguai , participaram de uma missa que ocorreu em volta do corpo do presidente, que jazia em um caixão com tampa de vidro.

Com Agência Estado

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