Corpo de Chávez é velado na Academia Militar em meio a silêncio sobre eleições

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Após procissão de sete horas, corpo está no local onde líder venezuelano iniciou carreira militar; diante da dor, poucas respostas sobre a data da votação que elegerá sucessor

Hugo Chávez foi levado de volta à Academia Militar onde iniciou sua carreira no Exército na quarta-feira (6). O corpo do líder venezuelano será velado no local até o funeral, marcado para sexta-feira (8). Enquanto uma banda tocava o hino de seu primeiro batalhão, milhares choravam durante a despedida do presidente, depois que uma procissão levou seu caixão pelas ruas de Caracas.

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AP
Foto divulgada pelo Palácio Miraflores mostra a mãe de Chávez, Elena Frias, e os irmãos Adan, Argenis e Adelis em volta do caixão do presidente venezuelano (6/3)


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Integrantes do governo chavista, incluindo seu potencial sucessor Nicolás Maduro, participaram da procissão de sete horas, mas deram poucas respostas à pergunta que mais inquieta a Venezuela - quando será a eleição presidencial que precisa ser convocada dentro de 30 dias.

Milhares de venezuelanos, a maioria vestida com a cor vermelha do partido socialista de Chávez, lotaram as ruas da capital para lembrar o homem que controlou seu país por 14 anos, antes de perder a batalha para um câncer na tarde de terça-feira (5).

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O caixão de Chávez percorreu as multidões sobre um carro fúnebre em um trajeto de oito quiômetros que incluía a parte norte e sul da cidade, entrando também nos bairros pobres, onde a política de Chávez mostrou mais a sua força.

Na academia, a família de Chávez e assessores mais próximos, bem como os presidentes da Argentina, Bolívia e Uruguai, participaram de uma missa que ocorreu em volta do corpo do presidente, que jazia em um caixão com tampa de vidro. O público então começou a se aproximar, alguns colocando sua mão sobre o coração de Chávez, outros levantando o punho. A cerimônia durou até tarde da noite.

O chefe da guarda presidencial da Venezuela, o general José Ornella, afirmou à agência Associated Press na quarta-feira (6) que Chávez morreu em decorrência de um ataque cardíaco. "Ele não podia falar, mas ele o fazia com seus lábios: 'Eu não quero morrer. Por favor, não me deixe morrer', porque ele amava seu país, e se sacrificou pela Venezuela", disse Ornella, que, segundo ele, estava com o presidente socialista no momento de sua morte.

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Diante da dor, as autoridades fizeram silêncio sobre o futuro do país, inclusive sobre quando a eleição presidencial será realizada. Mesmo a hora e o local exato do funeral de Chávez não foram anunciados.

Durante os quase dois anos da batalha de Chávez por sua saúde, o governo nunca falou especificamente sobre o tipo de câncer e a localização exata do tumor que lhe afligia. A oposição já se manifestou com críticas sobre o comportamento do governo após a morte de Chávez, inclusive a nomeação do vice-presidente Maduro como presidente interino, em uma aparente violação da Constituição. Por um dia, os venezuelanos ficaram imersos na emoção e na triste despedida.

Maduro e o presidente boliviano, Evo Morales, um dos mais próximos aliados de Chávez, se misturaram com a multidão, e, em um momento, os dois chegaram a cair no chão diante do empurra-empurra.

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Autoridades militares e membros do gabinete cercavam o caixão do presidente. Outros, carregavam imagens do presidente morto, em meio a uma profusão de bandeiras venezuelanas. "A luta continua! Chávez vive", gritavam os presentes em uníssono, alguns com os olhos vermelhos de tanto chorar.

A mãe de Chávez, Elena Frías de Chávez, se aproximou do caixão de seu filho, enquanto um padre fazia uma oração antes que a procissão deixasse o hospital militar, onde Chávez morreu aos 58 anos. Quem passava perto do caixão dizia que o corpo de Chávez estava vestido com a faixa presidencial, com uniforme militar e sua boina vermelha.

Ricardo Tria, um assistente social, disse que esperou por quatro horas para conseguir passar próximo ao caixão. Chávez parecia "adormecido, quieto e sério", segundo ele. "Eu sinto tanta dor. Tanta dor", disse Yamile Gil, uma dona de casa de 38 anos. "Nunca queríamos ver nosso presidente assim. Sempre o amaremos."

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Outros que se opunham a Chávez e eram contra sua forma de socialismo lamentaram sua morte, mas esperam que a Venezuela agora entre em uma era menos agressiva e mais favorável às empresas de petróleo do país. "Não estou feliz com sua morte, mas não posso dizer que estou triste", disse Délia Ramírez, uma contadora de 32 anos que ficou longe da procissão. "Esse homem semeou o ódio e a divisão entre os venezuelanos."

A Constituição de 1999, escrita no governo Chávez, diz que uma eleição deve ser convocada no prazo de 30 dias para substituir um presidente, mas o governo da Venezuela nem sempre seguiu a lei. A Carta afirma claramente que o presidente da Assembleia Nacional, nesse caso, Diosdado Cabello, deve tornar-se presidente interino caso um chefe de Estado seja forçado a deixar o cargo dentro de três anos de seu mandato. Chávez foi reeleito em outubro.

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Mas Chávez, antes de morrer, designou Maduro como seu sucessor, e o vice-presidente assumiu a presidência interina mesmo tendo sido indicado como candidato presidencial.

O Exército também tem mostrado sinais de forte apoio a Maduro. Em sua página no Twitter na terça-feira, a televisão estatal afirmou que o ministro da Defesa Diego Molero prometeu apoio militar à candidatura de Maduro contra a provável indicação de Henrique Capriles pela oposição, aumentando a preocupação entre os críticos sobre a imparcialidade da votação.

Veja as imagens do luto por Chávez:

Tela com vídeo de Hugo Chávez é vista em frente de lugar onde funeral de presidente venezuelano ocorre em Caracas (08/03). Foto: APFoto divulgada pelo Palácio de Miraflores mostra autoridades do governo venezuelano dando as mãos sobre caixão de presidente Hugo Chávez durante funeral de Estado (08/03). Foto: APPresidente cubano, Raúl Castro, saúda o caixão do presidente Hugo Chávez na Academia Militar em Caracas (08/03). Foto: APCom Lula, presidente Dilma Rousseff comparece ao velório de Hugo Chávez em Caracas, na Venezuela (07/03). Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Partidários do Hugo Chávez são refletidos em poça d'água enquanto fazem fila para ver corpo de líder na Academia Militar de Caracas. Foto foi girada em 180 graus (07/03). Foto: ReutersVestido com camiseta com imagem do presidente venezuelano, Hugo Chávez, homem segura bandeira da Venezuela durante tributo a líder morto no dia 5 (06/03). Foto: ReutersMulher ergue o punho em saudação a Hugo Chávez diante do caixão do presidente venezuelano, morto na terça-feira (7/3). Foto: APVenezuelana chora ao ver o corpo do presidente venezuelano Hugo Chávez na Academia Militar em Caracas (7/3). Foto: APVenezuelanos fazem fila do lado de fora da Academia Militar onde o corpo do presidente Hugo Chávez é velado em Caracas (7/3). Foto: APMilhares acompanham cortejo fúnebre do presidente Hugo Chávez em Caracas (06/03). Foto: APMulher segura pequena foto de Hugo Chávez durante cortejo fúnebre do presidente venezuelano em Caracas (06/03). Foto: APGuarda-costas entram com caixão com corpo de Hugo Chávez na Academia Militar de Caracas, onde será velado até sexta (06/03). Foto: APPessoas caminham ao lado de caixão de Hugo Chávez coberto com bandeira venezuelana em Caracas (06/03). Foto: APCaixão coberto pela bandeira venezuelana leva corpo do presidente Hugo Chávez durante cortejo fúnebre em Caracas (06/03). Foto: APVice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (2º à D), segura braço de líder boliviano, Evo Morales, em Caracas (06/03). Foto: APCaixão com o corpo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, passa por ruas de Caracas depois de deixar hospital militar onde morreu na terça-feira (06/03). Foto: ReutersPartidários de Hugo Chávez choram do lado de fora de hospital militar onde presidente venezuelano morreu na terça-feira aos 58 anos (06/03)
. Foto: APVenezuela chora segurando foto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contra o rosto do lado de fora de hospital militar em Caracas (06/03). Foto: APPartidários do presidente Hugo Chávez choram enquanto seguram cartazes em que se lê 'Eu sou Chávez' durante homenagem a líder venezuelano na Praça Bolívar, Caracas (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez seguram cartaz em que se leem 'Sejamos como Chávez' e 'Proibido esquecer' durante homenagem a líder venezuelano, morto nesta terça, em Caracas (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez reagem ao anúncio de sua morte em frente ao hospital militar em que ele estava internado, em Caracas (05/03). Foto: ReutersPartidário do presidente Hugo Chávez expressa dor pela morte do líder venezuelano em frente ao hospital militar em Caracas (05/03). Foto: ReutersPartidária de Hugo Chávez reage ao anúncio da morte do presidente venezuelano em Caracas (05/03). Foto: Reuters'Chávez, nosso libertador do século 21', diz cartaz nas mãos de partidários de Hugo Chávez após sua morte (05/03). Foto: ReutersVenezuelanos choram após o anúncio da morte do presidente Hugo Chávez em Caracas (05/03). Foto: ReutersVenezuela chora ao saber da morte de Hugo Chávez, anunciada pelo vice-presidente em Caracas (05/03). Foto: ReutersVenezuelanos cantam após o anúncio da morte de Chávez (05/03). Foto: APMulher chora na frente do hospital militar em Caracas onde Hugo Chávez morreu (05/03). Foto: APVenezuelanas se abraçam e choram do lado de fora do hospital militar onde Chávez estava internado (05/03). Foto: APAlguns escolheram andar com motos por Caracas empunhando bandeiras, para homenagear Hugo Chávez (05/03). Foto: ReutersMulheres choram e se abraçam após o anúncio da morte de Chávez pelo vice Nicolas Maduro (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez reagem ao anúncio de sua morte, feito em Caracas (05/03). Foto: APHomens reagem à notícia da morte de Chávez em Caracas (05/03). Foto: ReutersApoiadoras de Chávez se abraçam ao receber as notícias de sua morte (05/03). Foto: AP

Capriles, governador de Miranda, perdeu de Chávez na eleição de outubro, e fez um comunicado na televisão sobre a morte do presidente. "Esse não é o momento para destacar o que nos diferencia", disse. "Essa não é o momento para as diferenças, é o momento para a união, é o momento para paz."

Outros opositores foram mais críticos em relação à posição do Exército. "Quando toda a Venezuela quer unidade e paz, e um clima de respeito predomina entre os venezuelanos, somos contrastados pelo que é inaceitável. As declarações do ministro da Defesa são, além de falsas, inconstitucionais", disse Ramón Guillermo Aveledo, secretário executivo da coalizão de oposição.

Com AP

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